“É uma tentativa desesperada de delação, que pela ausência de provas, não será aceita pela Justiça”.

A afirmação é do ex-governador Beto Richa ao tomar conhecimento da proposta de delação de Maurício Fanini, o amigo que nomeou para um cargo de diretor na secretaria da Educação e que confessou ter desviado e distribuído recursos – inclusive para as campanhas eleitorais de Beto – que deveriam servir à reforma e construção de escolas no Paraná.

A delação de Fanini, datada de setembro do ano passado, estava nas mãos da Procuradoria Geral da República (PGR) e do ministro Luiz Fux, relator da Operação Quadro Negro no Supremo Tribunal Federal (STF) – até o momento em que, no início de maio, alguns dos implicados perderam o foro privilegiado e o processo “desceu” para a primeira instância, na Justiça estadual.

Nesse meio tempo, não se sabe com que intenção, alguém vazou a delação para a imprensa.

Fux determinou a baixa para Curitiba antes de homologar a delação, providência que agora cabe ao Ministério Público Estadual (via Gaeco) e ao juiz da 9.ª Vara Criminal.

A eles agora caberá dizer se Beto Richa tinha razão quando afirmou com tanta convicção que a delação “não será aceita pela Justiça”.

Se não for aceita porque, segundo Richa, não apresenta provas contra ele e sua família, Maurício Fanini pagará sozinho pelos crimes que confessou.

Richa calculou em 50 anos a pena que o velho amigo, companheiro de viagens e parceiro de partidas de tênis está sujeito a cumprir.

O Gaeco, no entanto, pode contrariar o ex-governador e, com base nos caminhos apontados por Fanini na delação, encontrar provas.

Também pode não encontrar nada e, com isto, confirmar a inocência de Richa, mas em princípio tem a obrigação de seguir as pegadas do dinheiro que o delator diz ter entregue aos deputados Ademar Traiano, Valdir Rossoni, Plauto Miró, Tiago Amaral, e aos assessores do Palácio Iguaçu Ezequias Moreira, Ricardo Rached e Fabio Dallazen, além do primo-distante Luiz Abi Antoun, que supostamente endereçaram os valores para campanhas e para despesas pessoais de Richa.

As expectativas agora estão voltadas para a ação do Gaeco e para a 9.ª Vara Criminal.

Se quiserem, eles podem seguir o conselho que o “Garganta Profunda”, o misterioso agente do FBI, deu aos repórteres do Washington Post que investigaram o caso Watergate: “follow the money” (para quem não sabe inglês, siga o dinheiro), dizia ele.