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  • 01abr

    BLOG “CONTRA A CORRENTEZA”

    Calma! Não comece a me tratar como se eu fosse um vendedor da Sinaf  querendo te passar um plano funerário na sua festa de aniversário. Sei que existem algumas – poucas – ONGs que são sérias e que dependem de ajuda para fazer seus trabalhos, mas não sejamos inocentes em acreditar que todas são, porque senão vou te oferecer um excelente negócio com um herdeiro nigeriano.

    Lendo um excelente artigo  do professor Demétrio Magnoli, no qual ele jogava uma luz sobre a real situação da miséria no Haiti e exortava quem lesse para que não doasse dinheiro àquele país, porque este numerário fatalmente cairia no buraco negro das ONGs, eu percebi como essas entidades muitas vezes obscuras alimentam-se da pobreza global para existir.

    Não é uma afirmação insensível essa, apesar de parecer assim de primeira. Podemos dizer que as ONGs só existem porque existe pobreza, mas será mesmo que essas entidades, algumas milionárias, querem mesmo erradicar o que lhes dá sustento?

    Destaco um trecho do artigo do professor Demétrio sobre o Haiti que me parece primordial para o entendimento do problema que são as ONGs:

    “O dinheiro arrecadado não chegará nunca às pessoas que perderam o quase nada que tinham. Será desviado para financiar os intermediários entre o mundo e o devastado país caribenho: as ONGs internacionais, às vezes associadas à diminuta, cleptocrática elite haitiana. Já era assim antes do terremoto (…) o Haiti é um protetorado da ONU governado pelas ONGs. Obviamente, existem ONGs bem-intencionadas, mas não é esse o ponto (…) as pessoas não têm direitos, a não ser o de aguardar na fila até que o funcionário de uma ONG lhes estendam um prato de comida. É assim há anos, bem antes do terremoto.”

    Será que, de posse dessas informações, sustentar ONGs e apoiá-las é uma idéia tão boa assim? Você que me lê, gostaria de uma vida assim para sua família?

    Para vocês terem uma noção, até o Viva Rio (!!!) está no Haiti, como se já não houvessem pobres suficientes para eles aqui no Brasil.

    Isso aliás lembrou bem uma história que ouvi de uma pessoa que trabalha no serviço público junto às populações que beiram o lumpesinato, se já não estão nele totalmente. Ela contou que precisava por vezes apartar as brigas de ongueiros, dizendo para eles que “tem pobre pra todo mundo”.

    Numa excelente abordagem do assunto, o filme “Quanto vale ou é por quilo?”, do diretor Sérgio Bianchi, mostra sem muitos rodeios o absurdo que é a falência das instituições nacionais no Brasil e a sua paulatina substituição pelo assim chamado “Terceiro Setor”.

    Assim como no Haiti, somente a ausência de um estado possibilita o caldo de cultura para que essas entidades atuem. Assim como no Haiti, imensas populações no Brasil dependem dessas ONGs para comer, estudar, vestir, receber tratamento médico e, claro, essas mesmas ONGs recebem muito dinheiro de doadores privados e públicos para substituir o estado em suas obrigações.

    É uma imensa engrenagem de marketing, logística, solidariedade subvencionada.

    Aí me pergunto: é realmente uma coisa boa? Ou isso é um imenso mercado que movimenta milhões ao redor do planeta e que mais se assemelha a uma máfia? Só que ao invés de traficar escravos, drogas ou explorar a prostituição, esta é a máfia da pobreza.

    São empresários, profissionais enjeitados pelo mercado e pelo serviço público e aproveitadores que, repito, se não perfazem a totalidade dos “ongueiros”, pelo menos constituem uma grande porção destes.

    Toda essa gente sustentada como nababos a partir das doações que a miséria e a ausência do estado proporcionam, teria qual interesse em promover a erradicação da miséria e o retorno do estado?

    É por isso que faço coro, mais uma vez, ao professor Demétrio e digo: eu não dou dinheiro para ONGs (e se faço, procuro conhece-la bem mais do que sua propaganda conta) e espero que, uma vez sabendo disso tudo, todas as pessoas pensem bem antes de fazê-lo também.

    Publicado por jagostinho @ 18:37



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3 Respostas

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  • lia Disse:

    o autor do texto está completamente certo. Essas ongs são uma vergonha. Só acredito em ong que não tenha dinheiro público. Essas eu aplaudo.

  • coelho Disse:

    ONG com dinheiro público é so´picaretagem. E essas de apoio em tragédias é furada.

  • neusa Disse:

    quem quer ajudar alguem é só ver perto de sua casa. Sempre tem alguem precisando de socorro.

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