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  • 14abr

    CÉLIO HEITOR GUIMARÃES/COLUNISTA DOMINICAL D’ “O ESTADO DO PARANÁ”

    Nenhuma surpresa na existência de um morto que recebia dos cofres da Assembleia Legislativa do Paraná, como funcionário em plena atividade. Não deve ser o único. A surpresa foi ter sido descoberto.

    E, como já se tornou praxe, pelos farejadores da mídia, que, nos últimos tempos, têm aperfeiçoado o olfato com raro brilho. A presidência, a secretaria-geral, a mesa diretora e toda a nobre rapaziada que compõe o plenário da casa não sabiam de nada, é claro. O pagamento foi feito à viúva do “de cujus”, vice-prefeita de Almirante Tamandaré, durante três anos e quatro meses.

    Tudo isso acaba sendo compreensível, sobretudo por quem já conhecia ao menos parte dos usos e costumes predominantes na nossa magnânima Casa de Leis, especialmente nos últimos cinquenta anos. O que não se compreende é que ninguém ainda tenha sido preso.

    Quando, meses atrás, a imprensa, cujo olfato carecia então do devido ajuste, denunciou a existência de altíssimos salários no corpo funcional do Poder Judiciário paranaense, superiores ao teto legal, e graduadas figuras político-administrativas locais manifestaram-se, sem o menor conhecimento de causa, reprovando o fato denunciado, só não ri porque o assunto era sério, embora inverídico e devido à forma atrapalhada com que as listagens foram postas na internet e à total inabilidade da autoridade judiciária ao explicar o imbróglio.

    Tenho alguma experiência pessoal na administração do Judiciário, ao qual procurei servir por 35 anos com esmero e honestidade, e conhecendo o caráter e a competência do atual diretor financeiro do Tribunal de Justiça, garanto que, enquanto ele lá estiver, não haverá pagamentos indevidos, ainda que por ordem superior. Posso garantir também que no Tribunal de Justiça nunca houve patifaria igual à que ora se revela na Assembleia Legislativa.

    Lá, não se paga a mortos, não se incendeia arquivos, salários não são partilhados com autoridades ou superiores hierárquicos, não há “laranjas” nem fantasmas e os servidores comparecem regularmente à repartição. Ali, os pecados são outros.

    Há canalhice debaixo da toga? Claro que há, mas, felizmente e graças ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), está rareando. Já houve nepotismo, distribuição de cartórios e uma estranhíssima parceria com uma poderosa instituição bancária, e ainda há uma nebulosa construção de um prédio anexo. Mas também aí o CNJ já está tomando providências.

    O que me pareceu engraçado, no episódio da denúncia referida no parágrafo anterior, foi exatamente a manifestação das ditas graduadas autoridades públicas, entre as quais nobres deputados e gente do Executivo e do colendo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

    E nem se poderia dizer que se tratava de rotos falando do remendado, porque, no caso, os rotos estavam em situação muitíssimo pior.

    A verdade é que poucas entidades públicas deste País, e em especial as desta terra dos pinheirais, resistiriam a uma boa e séria investigação, aí incluindo estatais, paraestatais, autarquias, sociedades de economia mista, prefeituras municipais, câmaras de vereadores e o próprio TCE, pródigo em “trens-da-alegria” e onde os servidores são referidos, nos atos oficiais, apenas pelo número das matrículas.

    E não se venha com aquela velha lengalenga de tentativa terrorista de desestabilização das instituições. Ao contrário, do jeito que estão, estas somente se estabilizarão e voltarão a ter a confiança e o respeito dos cidadãos depois de passarem por uma faxina geral, na qual se lhes extraia toda a craca e enxote as ratazanas que ali se aninharam.

    P.S. – Voltando à augusta Assembleia Legislativa, a chamada “Casa do Povo”, pelos motivos já conhecidos e por tantos outros ainda por conhecer, a limpeza deve ser completa e não se limitar ao quadro funcional e à atual mesa diretora, mas alcançar também as anteriores e lideranças incapazes de ver qualquer ilegalidade nas denúncias da imprensa e até ilustres parlamentares capazes de abrigar fantasmas em seus gabinetes, mas não ter a menor ideia disto.

    De nada adiantará afastar o chamado “Ali Bibi”, Justus e Curi e substituí-los por semelhantes.

    Atenção, eleitores!

    Publicado por jagostinho @ 09:31



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Uma resposta

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  • beatriz Disse:

    Parabens ao colunista. Refletiu o pensamento do povo paranaense.

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