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  • 25abr

    Barbara Gancia de Londres/Folha de São Paulo

    O LOCAL

    É a entrada da abadia de Westminster, mas a reclamação é a mesma de qualquer logradouro tapuia em época de eleição: “Melhoraram o asfalto da redondeza, deram banho de xampu nas estátuas e pretendem deslocar 5.000 policiais para o evento”, lamenta o motorista de táxi Michael Shields.

    “Enquanto isso, meu bairro está sem policiamento e a falta de atendimento nos hospitais beira a calamidade.”

    Evidentemente, o senhor Shields não conhece os casamentos da elite judaica em São Paulo. Se conhecesse, teria noção da modéstia do evento que acontecerá na abadia e, quem sabe, desse outro sentido à expressão “pompa e circunstância”.

    Mas, pensando bem, o londrino já teve a cidade invadida, devastada pela peste bubônica, reduzida a cinzas por um incêndio e bombardeada pelos alemães na Segunda Guerra. Não será um casamentozinho que irá derreter seus corações. Ou não?

    Com qualquer pessoa que puxe assunto pelas ruas de Londres, você sentirá um certo descompromisso em relação ao casamento entre o príncipe William e Catherine Middleton.

    Os dois jovens subirão ao altar na sexta-feira, na abadia, e o inglês faz questão de dizer que não está nem aí. A resposta padrão é que a melhor coisa do casamento será o feriado prolongado decorrente.

    Sei, sei. Então alguém poderia me explicar porque as principais publicações do reino não falam de outro assunto?

    Será que os americanos, recalcados da própria falta de sangue azul, são os únicos consumidores de lembranças do evento?

    É tanta quinquilharia que, ao término do meu primeiro dia na cidade, tive um impulso incontrolável de atirar ao chão uma prateleira de canecas com a foto de William e Kate.

    Se os ingleses são tão indiferentes à Casa Real, por que tanta caneca? E, sobretudo, por que 78% da população apoia uma monarquia composta por gente com cara de ratão do banhado, cuja maior serventia é cortar fitas de inauguração?

    O teórico constitucionalista Walter Bagehot (1826-77) dizia: “Nenhum sentimento pode parecer mais infantil que o entusiasmo de um inglês ao ver um príncipe de Gales se casar”.

    William, no caso, é o filho do príncipe de Gales, Charles. Aquele que, em matéria de entusiasmo, aposentou-se faz tempo.

    Publicado por jagostinho @ 15:16



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2 Respostas

WP_Cloudy
  • MÍRIAM Disse:

    NA SEXTA-FEIRA , PARTE DO MUNDO IRÁ PARAR , POR UMAS TRÊS HORAS , PARA FICAR DIANTE DA TV ASSISTINDO A MAIS UM FESTIVAL DE POMPA DA REALEZA BRITÂNICA . CADA MOMENTO , ENCANTARÁ AOS OLHOS DOS PLEBEUS MUNDO AFORA , QUE SONHARÃO COM UMA VIDA PRÓXIMA DAQUELA REALIDADE DE LUXO E ESTRAVAGÃNCIAS . COMO DIANA , SUA FALECIDA SOGRA , CATHERINE , DITARÁ MODA PARA FUTURAS NOIVAS POR QUASE UMA DÉCADA . O QUE ELA USAR SERÁ FIELMENTE COPIADO. E MAIS, DO CARDÁPIO ÀS VESTIMENTAS DAS PERSONALIDADES , OS JORNAIS OFICIAIS E TABLÓIDES , SE ENFARTARÃO POR SEMANAS . AOS PLEBEUS , RESTARÁ SE ENCANTAR E SONHAR , AFINAL , PRINCESAS E RAINHAS NÃO SÃO VISTAS COM REGULARIDADE . ELAS PERTENCEM AO MUNDO DO IMAGINÁRIO DOS CONTOS DE FADAS . E QTO AOS PROBLEMAS POLÍTICOS E SOCIAIS FICARÃO TÃO DIMINUTOS QUE PASSARÃO DESPERCEBIDOS. ATÉ DO SONHO ACORDAREM, ESPERO.

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