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  • 02jun

    SYLVIO SEBASTIANI

    Sempre é bom recordar pessoas que fizeram história em nosso país. Até necessário.

    Estive pessoalmente pela primeira vez com João Goulart, no dia 12 de dezembro de 1959, quando da morte de nosso Senador Abilon de Souza Naves, chegando em sua residência onde estava sendo velado.

    Mas em seguida fui até ao aeroporto para buscar os Deputados Federais, San Tiago Dantas e Ruy Cunha.

    Após o enterro, fomos  para o apartamento do deputado federal Kalil Maia Neto, na Rua Ebano Pereira, no ultimo andar de um Edificio, para uma conversa sobre a situação do PTB do Paraná, com a perda de Souza Naves, pois no ano seguinte estava marcada a eleição para o Goveno do Estado.

    Quando indagado sobre o candidato ao Governo do Estado, para ser o sucessor de Souza Naves, primeiramente foi levantado o nome do deputado Amaury de Oliveira e Silva, com apoio de todos os presentes, perto de umas vinte pessoas.

    Mas o Vice-Presidente João Goulart de imediato, com sua sabedoria politica, levantou o nome do suplente do Senador Souza Naves, perguntado:”Vocês já falaram com o suplente do Naves? Pois ele tem que ser ouvido, que agora é o Senador do PTB!”. Alguém lembrou o nome, era Nelson Maculan.

    Assim despertou a atenção ao novo Senador do PTB do Paraná: Nelson Maculan, que era de Londrina, escolhido para ser suplente pelo próprio Souza Naves no ano de 1958.

    Assim demonstra como era ativo o nosso Vice-Presidente da República e Presidente Nacional do PTB.

    A História da derrubada é conhecida. Mas, recentemente, seu filho João Vicente Goulart, que tem presença constante em Curitiba, somos até bons amigos, até esteve em minha residência para uma visita.

    Ele, certo dia, declarou, no Rio de Janeiro, através de e-mail, entre outras o que deixo aqui registrado:

    “Não posso, como filho, furtar-me de comentar cartas de leitores sobre a anistia a Jango. Como pode o desconhecimento histórico de alguns levá-los ao cúmulo de dizer que Jango fugiu, deixando o barco à deriva?”.

    “Será que não sabem do patrocínio americano, já confessado pelo ex-embaixador  Lincoln Gordon, dentro de nosso território, quando foi montada a operação “Brother Sam”?

    “Será que não sabem a atitude do senador Áureo Moura Andrade declarando vaga a Presidência da República com o Presidente dentro do território Nacional?”

    “Será que não sabem que este mesmo Senador foi financiado com verbas da CIA, através dos Ibades e do Ipes? “

    “Será que não sabem que o Presidente Lyndon Johnson cumprimentou Mazzilli um dia antes de concretizado o golpe de estado?”

    “Será que não sabem que a quarta frota americana estava na costa brasileira esperando a resistência armada para transformar o Brasil em uma guerra civil de consequências imprevisíveis?”

    “Será que não sabem que a atitude de Jango de não resistir para não derramar sangue entre os irmãos brasileiros foi acima de tudo um ato de desprendimento do poder pelo poder?”

    “Será que não sabem que Jango não voltou vivo do exilio?”

    Assim escreve João Vicente Goulart, entre outras indagações.

    Léo de Almeida Neves, que foi deputado federal, cassado em 1969, Vice- Presidente do PTB Nacional, escreveu um artigo, com o titulo:”ASSASSINATO DE JANGO?”.

    Tive um dos maiores prazeres de minha vida junto à politica parananense, quando no dia 28 de março de 2007, fui o palestrante do Seminário João Goulart- 30 Anos de Silêncio, no Centro Cultural da Facinter.

    A mesa era composta pela senhora Maria Thereza Goulart, João Vicente Goulart, Denise Goulart e eu.

    Agradeço à família Goulart, por esta grande e honrosa oportunidade, de fazer um relato de meu conhecimento sobre o Partido Trabalhista Brasileiro-PTB, sobre o Golpe Militar-Civil de 1964 e do nosso Presidente da República, João Goulart.

    Publicado por jagostinho @ 12:48



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3 Respostas

WP_Cloudy
  • Jorge Disse:

    Excelente texto. O Brasil ainda tem muito a aprender sobre e com João Goulart.

    A morte de Jango é uma das feridas nunca cicatrizadas de nossa história política.

    Lembrei do general De Gaulle, depois da libertação da França, assim que assumiu o governo provisório: “A primeira medida é instituir tribunais regulares para julgar os colaboracionistas, porque a França jamais poderá encarar o futuro com simplicidade e com confiança em si se não liquidar essa conta do passado.”

    O Brasil ainda não acertou as contas com o seu passado!

  • Trabalhista Disse:

    Estou emocionado. Que belo testemunho do Sylvio. Parabens.

  • Valmor Stédile Disse:

    Parabéns ao Sylvio Sebastiani pelo belo artigo que recorda importantes passagens do grande brasileiro João Belchior Marques Goulart, duas vezes eleito vice-presidente da República e Presidente Constitucional empossado graças à vitoriosa Campanha da Legalidade liderada por Leonel Brizola, em 1961, na condição de governador do Rio Grande do Sul. Minha alegria é ser amigo de líderes políticos que foram amigos de Jango, Léo de Almeida Neves e Sylvio Sebastiani, além de membro do Diretório Nacional do PDT ao lado de João Vicente Goulart.

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