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  • 06jun

    FOLHA DE SÃO PAULO

    Às oito e vinte da manhã da última sexta-feira, o taxista comenta a notícia que se repetia no rádio: “Será que ele vai conseguir se explicar?”

    O motorista se referia ao ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, que falaria pela primeira vez sobre o aumento de seu patrimônio.

    Cerca de quinze minutos depois começa uma reunião de economistas numa corretora de valores.

    O clima é outro. “E o Palocci?”, questiona uma economista, já quase no fim da reunião.

    O debate é rápido e se encerra com a impressão dos analistas de que, numa eventual queda do ministro, “a bolsa cai pontualmente e há alguma inclinação dos juros [alta projetada para a taxa, no jargão financeiro]”.

    Na prática, uma reação pessimista pequena e breve.

    A previsão descrita é bem diferente daquela que, há quase uma década, assombrou petistas.

    A vantagem de Lula nas pesquisas em 2002 provocou a disparada do dólar, as bolsas despencaram e os investimentos estrangeiros revoaram.

    O medo de reações negativas do mercado financeiro passou a ser mais um risco a ser calculado pelos políticos.

    Desde então, dois ministros importantes perderam o cargo: José Dirceu, da Casa Civil, em 2005, e Antonio Palocci, da Fazenda, em 2006.

    Em ambos os casos, o mercado tremeu. Na substituição de Palocci pelo atual titular, Guido Mantega, temeu-se uma radicalização à esquerda e perda de poder do Banco Central.

    No segundo mandato de Lula, o país cresceu mais e com menos inflação do que nos primeiros anos.

    O comportamento das cotações, desde que a atual crise política se instalou, indica que o enfraquecimento de Palocci (ou até a sua saída) não abalam mais o mercado.

    Justo ele, que até há poucos meses era tido como o fiador de uma política fiscal austera do governo Dilma Rousseff.

    “O governo está fazendo esforço fiscal sem Palocci na Fazenda”, diz o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima.

    A Folha acompanhou a rotina na corretora de valores Prosper na última sexta-feira.

    Pela manhã, o ministro Mantega e o presidente do BC, Alexandre Tombini, davam entrevistas.

    Mas o mercado reagia aos dados negativos dos EUA, que foram divulgados às 11h.

    Em um minuto, 200 negócios foram fechados em apostas para a bolsa daqui a um mês, com alta de 0,31%.

    Para muitos analistas, os estrangeiros estão voltando a investir mais fortemente no Brasil, já que lá fora as economias líderes patinam.

    Além disso, segundo o economista-chefe da Prosper, Eduardo Velho, a inflação em queda neste momento reduz a necessidade de mais medidas do BC para conter o consumo. “Com isso, o risco doméstico caiu.”

    A preocupação de investidores pode aparecer se o desgaste de Palocci se estender, com novas denúncias.

    Até agora, a intervenção de Lula foi interpretada como benéfica para rearrumar a casa.

    Outro componente que pode alterar o humor dos investidores é, em caso de sucessão, a indicação de nomes mais radicais.

    Mas isso ainda não está no radar.

    Às quatro e meia da tarde, uma corrida começa na corretora.

    Tenta-se antecipar a compra de um grande lote de apostas para o Ibovespa (principal índice da Bolsa de Valores) de julho.

    A operação só seria feita se o preço caísse. Não aconteceu. No dia em que as atenções se concentravam em Palocci, as expectativas para a bolsa no prazo de um mês fecharam em alta.

    Publicado por jagostinho @ 12:09



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Uma resposta

WP_Cloudy
  • Míriam Disse:

    É o cara do dim dim. O mercado e nosso dia a dia está nas mãos dele. Acho que a presidenta deveria substituí-lo , sim . Sabemos que pagaremos o preço .

    Mas se o cara de pau continuar, a nossa decepção em relação ao governo Dilma será irreparável.

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