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  • 03ago

    FINANCIAL TIMES/JOE LEAHY/TRADUÇÃO UOL

    • Governo da presidente Dilma Rousseff precisa continuar atento para que não plante as sementes da próxima crise durante este atual período de prosperidadeGoverno da presidente Dilma Rousseff precisa continuar atento para que não plante as sementes da próxima crise durante este atual período de prosperidade

    Os brasileiros, que antigamente estavam acostumados a crises econômicas, veem-se nos últimos meses na situação invejável de expectadores das imprudências do mundo desenvolvido.

    Nas últimas semanas, os programas de entrevistas sobre questões atuais na televisão brasileira estão repletos de discussões sobre os problemas que varrem a Europa e os Estados Unidos, como o impasse em Washington quanto ao teto da dívida dos Estados Unidos, a crise financeira grega e o escândalo do jornal “News of the World” no Reino Unido.

    Na semana passada, Dilma Rousseff, a presidente brasileira, pareceu resumir a maneira como os brasileiros veem um mundo externo enlouquecido, ao descrever as crises das dívidas nos Estados Unidos e na Europa como uma “insanidade”.

    A incapacidade política do mundo desenvolvido de encontrar soluções para os seus problemas, disse ela, representa uma “ameaça” à economia global.

    O Brasil, que uma década atrás era um mercado emergente cheio de problemas, é atualmente um retrato de estabilidade política e macroeconômica quando comparado ao seu outrora dominante parceiro do norte e às antigas potências coloniais da Europa.

    Atualmente, o Brasil, além de ser o quinto maior credor dos Estados Unidos, com reservas de moeda estrangeira de US$ 327 bilhões em junho último, tem também uma economia que cresce continuamente e um índice de desemprego incomumente baixo.

    Mas, neste momento em que o mundo desenvolvido exibe tendências que antigamente eram associadas aos mercados emergentes, o desafio do Brasil é encontrar uma forma de administrar o seu sucesso.

    O país não pode mostrar-se complacente diante da tarefa difícil de sair da armadilha do nível de renda intermediário na qual a sua economia está presa há décadas.

    O ponto de virada para a economia brasileira ocorreu na década de noventa, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso implementou uma série de políticas com o objetivo de estabilizar os preços ao consumidor e a taxa de câmbio.

    O seu sucessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deu continuidade a este foco na estabilidade macroeconômica, e ao mesmo tempo ampliou os programas sociais para melhorar o padrão de vida dos indivíduos muito pobres.

    Os resultados foram notáveis. O crescimento econômico médio do Brasil tem sido de 4% ao ano nos últimos oito anos, e quase 49 milhões de brasileiros foram alçados às classes média e alta.

    O Brasil também se mostrou relativamente responsável ao lidar com desafios recentes. O seu sucesso econômico atraiu uma grande quantidade de dinheiro de mercados desenvolvidos estagnados, o que impulsionou para cima a taxa de câmbio da moeda brasileira, o real, em relação ao dólar, ameaçando a competitividade da indústria nacional.

    O Brasil respondeu a isso com a chamada “guerra cambial” – uma série de medidas de controle de capital e do câmbio com o objetivo de conter a valorização do real. Mas o governo brasileiro tem resistido especialmente às pressões da indústria doméstica para tomar medidas extremas.

    Em vez disso, o governo tem imposto um sistema complexo de impostos com o objetivo de desencorajar os fluxos de investimentos especulativos, baseados em rendimento de curto prazo.

    Na frente fiscal, Dilma Rousseff tem procurado conter uma onda de gastos iniciada durante as eleições federais do ano passado com a redução do tamanho do orçamento proposto para este ano.

    O Banco Central também tomou a decisão politicamente difícil de aumentar ainda mais as já elevadas taxas de juros do Brasil em cinco ocasiões neste ano, para o patamar de 12,5%, a fim de conter a alta da inflação.

    Além disso, o banco tomou medidas com o objetivo de reduzir o rápido crescimento do crédito, que alguns analistas temem que seja insustentável.

    No setor político, Dilma Rousseff tem atacado a corrupção no Ministério dos Transportes, demitindo autoridades ligadas a um parceiro de coalizão do seu Partido dos Trabalhadores.

    Os problemas políticos dela foram interpretados pela população como sendo a “limpeza de primavera” feita por uma nova presidente.

    Nada disso significa que o Brasil não tenha os seus próprios problemas.

    Um mercado de trabalho apertado, um sistema educacional fraco e uma carência de trabalhadores qualificados estão impulsionando os salários para cima, ao mesmo tempo em que uma rede de infraestrutura muito deficiente faz com que aumentem os custos de produção no país.

    Os níveis de endividamento domiciliar estão começando a dar a impressão de que são inviáveis para os consumidores que desfrutam das vantagens de um boom do crédito.

    O Brasil precisa ter cuidado para não soterrar a sua nova classe média sob uma dívida tão grande que, quando a nova crise econômica chegar, esses indivíduos venham a cair de volta na pobreza.

    O custo dos negócios continua sendo proibitivo, em parte devido aos impostos elevados e aos custos da mão-de-obra. E, embora os preços das commodities tenham disparado, o volume das exportações não cresceu nesse ritmo.

    O Brasil tem basicamente utilizado essa explosão dos preços globais das commodities para aumentar o volume das suas importações.

    O Brasil pode no momento se sentir orgulhoso, e com toda razão. Mas o país precisa continuar atento para que não plante as sementes da próxima crise durante este atual período de prosperidade

    Publicado por jagostinho @ 15:36



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