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  • 22ago

    FOLHA.COM/COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS -03h21

    Intensos confrontos foram registrados na manhã desta segunda-feira nos arredores do complexo de Bab al-Aziziyah, quartel-general do ditador Muammar Gaddafi e último bastião do regime após a ofensiva rebelde de domingo em Trípoli.

    Segundo informações da agência France Presse, tiroteios também foram ouvidos no sul da capital e nas proximidades do hotel Rixos, que abriga grande parte da imprensa internacional presente na cidade.

    Durante a noite de domingo, as forças rebeldes líbias anunciaram que possuíam o controle de toda a cidade de Trípoli, com exceção do complexo de Bab al-Aziziyah.

    Imagens das redes de TV Sky News e Al Jazeera mostravam durante a noite uma multidão de pessoas reunidas na emblemática praça Verde, no coração de Trípoli, comemorando a chegada dos rebeldes.

    O local era até então um dos símbolos do regime líbio, e desde o princípio da rebelião as redes de televisão oficiais transmitiram ao vivo manifestações de partidários de Gaddafi neste local.

    Os primeiros grupos rebeldes conseguiram chegar à periferia da capital líbia ainda na noite do sábado (20) e rapidamente tomaram os principais bairros da cidade, sem encontrar grande resistência por parte das forças de Gaddafi.

    A este primeiro grupo de rebeldes, uniram-se mais tarde os combatentes da Frente Ocidental e os comandos localizados no sul e em Misrata, que conseguiram entrar por mar na capital líbia.

    Apesar do controle quase total de Trípoli, Mahmud Jibril, um dos principais membros do Conselho Nacional de Transição (CNT), alertou os combatentes rebeldes para que fiquem atentos a possíveis “bolsões” de resistência pró-Gaddafi na capital.

    “Devem ser prudentes. O combate não acabou. Mas, se Deus quiser, em algumas horas nossa vitória será completa”, afirmou ele, que exerce o cargo de primeiro-ministro à frente do Executivo rebelde.

    Filippo Monteforte/France Presse
    Rebelde líbio comemora invasão de Trípoli; relatos dão conta de mais de mil mortos
    Rebelde líbio comemora invasão de Trípoli; relatos dão conta de mais de mil mortos

    MORTOS

    Mais cedo, o porta-voz do regime de Gaddafi, Moussa Ibrahim, disse em entrevista coletiva exibida na TV estatal que ao menos 1.300 morreram e 500 ficaram feridas durante os confrontos em Trípoli.

    Antes de lançar um último apelo ao diálogo, Moussa afirmou que a situação na capital era “dramática” e que os hospitais locais estavam cheios.

    “A pacífica cidade de Trípoli se transformou em um inferno por causa do apoio da Otan aos grupos de terroristas. Os bombardeios da aliança permitiram o avanço dos rebeldes, e as mortes aconteceram nesses ataques ou nos combates”, assinalou.

    APELO

    Em sua terceira mensagem de áudio divulgada pela TV estatal líbia em menos de 24 horas, Gaddafi fez um apelo a seus partidários para que tomassem armas e defendessem Trípoli “dos novos colonialistas”, em alusão aos rebeldes e à Otan.

    “Bela Trípoli, eles vão entrar em uma cidade destruída. Imãs nas mesquitas, vocês precisam sair agora e marchar. Vão agora com suas armas. Todos vocês. Não deve haver medo”, disse o ditador.

    “Temo que, se não agirmos, eles [os insurgentes] vão queimar Trípoli. Não teremos mais água, comida, eletricidade ou liberdade. (…) Vamos lá, estou com vocês até o fim. Estou em Trípoli. Vamos vencer.”

    FILHOS DETIDOS

    Em meio à ofensiva deste domingo em Trípoli, os rebeldes anunciaram a captura de três filhos de Gaddafi. Aboubakr Traboulsi, um dos porta-vozes da rebelde Aliança 27 de Fevereiro, afirmou que dois filhos do ditador, Saif al-Islam e Saad, foram capturados enquanto estavam em uma área turística da capital.

    A prisão de Seif al-Islam, considerado por muitos como o sucessor do pai, foi confirmada pelo Tribunal Penal Internacional, onde ele tem contra si um mandado de prisão para crimes contra a Humanidade.

    Já Mohammed Gaddafi, filho mais velho do ditador líbio, entregou-se às forças rebeldes após ter sua casa cercada. Em declarações à Al Jazzera ele afirmou que recebeu garantias por parte dos rebeldes sobre sua segurança e a de sua família.

    Chris Helgren /Reuters
    Saif alIslam, filho do ditador líbio Muammar Gaddafi, foi preso, segundo rebeldes
    Saif alIslam, filho do ditador líbio Muammar Gaddafi, foi preso, segundo rebeldes

    QUEDA IMINENTE

    A tomada de Trípoli e o avanço em direção ao quartel-general de Gaddafi parecem sinalizar que essa é a fase decisiva de um conflito que já dura seis meses e se transformou no mais sangrento da chamada “Primavera Árabe”.

    Em Bruxelas, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Ramsussen, assegurou que o regime de Gaddafi estava “claramente desmoronando”, e sustentou que o líder líbio “não pode ganhar a batalha” contra seus próprios cidadãos.

    “Agora é o momento de cessarem todas as ameaças contra os civis, como exigiu o Conselho de Segurança da ONU.

    Agora é o momento de criar uma nova Líbia, um Estado baseado na liberdade e não no medo; na democracia e não na ditadura; a vontade da maioria e não o capricho de alguns poucos”, disse.

    Já o presidente americano, Barack Obama, divulgou um comunicado neste domingo dizendo que o ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, precisa aceitar que seu regime acabou.

    “Hoje, a oposição contra o regime de Gaddafi atingiu seu limite. Trípoli está se libertando de uma tirania. O modo mais certo de dar fim ao derramamento de sangue é simples: Muammar Gaddafi e seu regime precisam admitir que seu governo acabou”, afirmou Obama.

    Publicado por jagostinho @ 03:40



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Uma resposta

WP_Cloudy
  • Míriam Disse:

    Mais uma democracia tardia prestes a ser implantada? Bem, nem sempre o que chega até nós , é legítimo e traduz a voz de um povo milenar que tem costumes muito diferenciados e enraizados diferindo em muito, dos ocidentais.

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