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  • 12dez

    DEBATE PÚBLICO/FLÁVIA PRAZERES 

    Com linhas editoriais diametralmente opostas, as revistas Veja e CartaCapital estampam em suas capas deste fim de semana escândalos políticos que, em que pesem seus respectivos contextos históricos, envolvem os dois partidos que se revezam no poder há quase duas décadas. 

    Enquanto Veja destaca um caso de fraude na CPI dos Correios, que abalou a República em 2005 com o episódio do mensalão, CartaCapital centra fogo em livro recém-lançado pelo jornalista Amury Ribeiro Júnior, que expõe as vísceras do ninho tucano à época do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003).

    Sob o título de capa “A trama dos falsários”, o material publicado por Veja traz o flagra feito pela Polícia Federal, em escuta telefônica autorizada pela Justiça, de uma fraude que teria como objetivo atribuir a culpa do mensalão aos adversários do PT.

    No grampo, o estelionatário Nilton Monteiro, preso por falsificação de notas promissórias, é flagrado “cobrando pagamento e proteção dos deputados petistas que o contrataram para forjar provas contra adversários tucanos”, como registra frase de capa destacada abaixo de trecho de um diálogo entre o contraventor e um assessor do deputado petista Rogério Correia.

    “No começo de 2006, a chamada Lista de Furnas quase enterrou a CPI dos Correios, que investigava o mensalão, maior escândalo do petismo. O documento elencava doações irregulares de campanha, no valor de 40 milhões de reais, a adversários do governo Lula, e serviria para mostrar que práticas escusas de financiamento não eram adotadas apenas pelo partido do presidente, mas seriam comuns a todas a legendas.

    Poucas semanas depois, porém, descobriu-se que a tal lista não passava de grosseira falsificação. (…) VEJA teve acesso a conversas gravadas pela Polícia Federal com autorização judicial, no primeiro semestre de 2006.

    Elas evidenciam que o estelionatário Nilton Monteiro – preso em outubro deste ano por forjar notas promissórias – agiu sob os auspícios dos deputados Rogério Correia e Agostinho Valente (hoje no PDT) com o objetivo de fabricar a lista.

    Há diálogos seguidos entre Monteiro e Simeão de Oliveira, braço direito de Rogério Correia”, registra a reportagem intitulada “PT usou estelionatário para desencaminhar CPI dos Correios”, matéria cuja arte de capa mostra um homem ao telefone, com broche do PT na lapela do terno e rosto escondido por um sombreado que sugere a obscuridade da ligação.

    CartaCapital escancara em sua capa a manchete “O escândalo Serra”, com foto de um meditabundo presidenciável tucano, mãos entrelaçadas sob o queixo e olhos fechados.

    A revista relata episódios registrados no livro A privataria tucana, “resultado de 12 de trabalho do premiado repórter” Amaury Ribeiro Júnior em que, segundo a revista, lançam-se luzes “sobre as falcatruas das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso”.

    Lembrando que Amaury foi indiciado pela PF, durante a corrida presidencial do ano passado, por integrar grupo disposto a quebrar sigilos fiscal e bancário de tucanos, CartaCapital em seguida destaca que o livro de 343 páginas registra “documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado”.

    “José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização”, diz a publicação semanal, que elenca casos diversos da “privataria tucana” e menciona personagens como Verônica Serra, filha do ex-governador de São Paulo; Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor da área internacional do Banco do Brasil; e Verônica Dantas, irmão do banqueiro Daniel Dantas, preso e processado em 2008 por diversos crimes no âmbito da Operação Satiagraha, da PF.

    VEJA

    PT usou estelionatário para desencaminhar CPI dos Correios

    No começo de 2006, a chamada Lista de Furnas quase enterrou a CPI dos Correios, que investigava o mensalão, maior escândalo do petismo.

    O documento elencava doações irregulares de campanha, no valor de 40 milhões de reais, a adversários do governo Lula, e serviria para mostrar que práticas escusas de financiamento não eram adotadas apenas pelo partido do presidente, mas seriam comuns a todas a legendas.

    Poucas semanas depois, porém, descobriu-se que a tal lista não passava de grosseira falsificação. A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado finalmente revela como o documento foi forjado por um notório estelionatário, por encomenda de dois deputados petistas de Minas Gerais, com incentivo e apoio da cúpula nacional do partido.

    VEJA teve acesso a conversas gravadas pela Polícia Federal com autorização judicial, no primeiro semestre de 2006. Elas evidenciam que o estelionatário Nilton Monteiro – preso em outubro deste ano por forjar notas promissórias – agiu sob os auspícios dos deputados Rogério Correia e Agostinho Valente (hoje no PDT) com o objetivo de fabricar a lista.

    Há diálogos seguidos entre Monteiro e Simeão de Oliveira, braço direito de Rogério Correia.

    Os dois discutem os padrões das assinaturas de figuras importantes da oposição naquele momento, como o líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia, do DEM, e o então líder do PSDB, Antônio Carlos Pannunzio.

    Em troca das falsificações, Monteiro, além de receber pagamento diretos, exigia a liberação de recursos em bancos públicos. É o que demonstram as gravações.

    Embora a Lista de Furnas tenha sido desacreditada ainda em 2006, Nilton Monteiro esteve em Brasília, há dois anos, para tentar apensar ao processo do mensalão, que corre no Supremo Tribunal Federal, um recibo em que o ex-presidente do DEM, Rodrigo Maia, assumiria o recebimento de 200 000 reais do caixa da estatal de energia.

    Relator da causa no STF, o ministro Joaquim Barbosa rejeitou o documento – outro óbvio embuste.

    Em sua visita à capital, Monteiro foi ciceroneado pelo advogado petista William dos Santos, próximo do deputado Correia e de José Dirceu, principal réu do mensalão.

    Na ocasião, os dois visitaram também o gabinete de Ideli Salvatti, hoje ministra de Relações Institucionais, então no exercício de seu mandato como senadora. Procurada pela revista, Ideli negou o encontro.

    Leia abaixo um trecho das gravações obtidas por VEJA. O interlocutor é Simeão de Oliveira, assessor do deputado Rogério Correia:

    Nilton: Vou acabar com eles tudinho. Agora, é o seguinte: você tem que me dar proteção, porque eu estou precisando. Não interessa só isso não. Eu quero aquele negócio que foi escrito no papel, que o Agostinho fez.

    Simeão: Mas aí eu não vou discutir o negócio do Agostinho (ex-deputado federal petista Agostinho Valente) com você, não.

    Nilton: Eu sei que você não vai discutir, mas pode saber que… é aquilo que eu preciso.

    Simeão: Não, mas eu…

    Nilton: São aqueles negócios que eu pedi da Caixa e do Banco do Brasil, pra liberar pra mim urgente no BNDES, lá.

    Simeão: Não, isso eu não vou discutir, não.

    CARTACAPITAL

    O escândalo Serra – Chega às livrarias ‘A Privataria tucana’, de Amaury Ribeiro Jr.
    Não, não era uma invenção ou uma desculpa esfarrapada.

    O jornalista Amaury Ribeiro Jr. realmente preparava um livro sobre as falcatruas das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso.

    Neste fim de semana chega às livrarias “A Privataria Tucana”, resultado de 12 anos de trabalho do premiado repórter, que durante a campanha eleitoral do ano passado foi acusado de participar de um grupo cujo objetivo era quebrar o sigilo fiscal e bancário de políticos tucanos.

    Ribeiro Jr. acabou indiciado pela Polícia Federal e tornou-se involuntariamente personagem da disputa presidencial.

    Na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira 9, CartaCapital traz um relato exclusivo e minucioso do conteúdo do livro de 343 páginas publicado pela Geração Editorial e uma entrevista com autor (reproduzida abaixo).

    A obra apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado.

    José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização.

    Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado.

    Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira.

    Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização.

    O livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma companhia de Oliveira nas Ilhas Virgens Britânicas.

    Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira.

    Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou  no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos.

    A Decidir.com, sociedade de Verônica Serra e Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, também se valeu do esquema.

    Outra revelação: a filha do ex-governador acabou indiciada pela Polícia Federal por causa da quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros.

    Por meio de um contrato da Decidir com o Banco do Brasil, cuja existência foi revelada por CartaCapital em 2010, Verônica teve acesso de forma ilegal a cadastros bancários e fiscais em poder da instituição financeira.

    Na entrevista a seguir, Ribeiro Jr. explica como reuniu os documentos para produzir o livro, refaz o caminho das disputas no PSDB e no PT que o colocaram no centro da campanha eleitoral de 2010 e afirma: “Serra sempre teve medo do que seria publicado no livro”.

    Trecho de entrevista com o jornalista Amaury Ribeiro Júnior

     

    CartaCapital: Por que você decidiu investigar o processo de privatização no governo Fernando Henrique Cardoso?

    Amaury Ribeiro Jr.: Em 2000, quando eu era repórter de O Globo, tomei gosto pelo tema. Antes, minha área da atuação era a de reportagens sobre direitos humanos e crimes da ditadura militar.

    Mas, no início do século, começaram a estourar os escândalos a envolver Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro de campanha do PSDB e ex-diretor do Banco do Brasil).

    Então, comecei a investigar essa coisa de lavagem de dinheiro. Nunca mais abandonei esse tema. Minha vida profissional passou a ser sinônimo disso.

    CC: Quem lhe pediu para investigar o envolvimento de José Serra nesse esquema de lavagem de dinheiro?

    ARJ: Quando comecei, não tinha esse foco. Em 2007, depois de ter sido baleado em Brasília, voltei a trabalhar em Belo Horizonte, como repórter do Estado de Minas.

    Então, me pediram para investigar como Serra estava colocando espiões para bisbilhotar Aécio Neves, que era o governador do estado.

    Era uma informação que vinha de cima, do governo de Minas. Hoje, sabemos que isso era feito por uma empresa (a Fence, contratada por Serra), conforme eu explico no livro, que traz documentação mostrando que foi usado dinheiro público para isso.

    CC: Ficou surpreso com o resultado da investigação?

    ARJ: A apuração demonstrou aquilo que todo mundo sempre soube que Serra fazia.

    Na verdade, são duas coisas que o PSDB sempre fez: investigação dos adversários e esquemas de contrainformação.

    Isso ficou bem evidenciado em muitas ocasiões, como no caso da Lunus (que derrubou a candidatura de Roseana Sarney, então do PFL, em 2002) e o núcleo de inteligência da Anvisa (montado por Serra no Ministério da Saúde), com os personagens de sempre, Marcelo Itagiba (ex-delegado da PF e ex-deputado federal tucano) à frente.

    Uma coisa que não está no livro é que esse mesmo pessoal trabalhou na campanha de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, mas sob o comando de um jornalista de Brasília, Mino Pedrosa.

    Era uma turma que tinha também Dadá (Idalísio dos Santos, araponga da Aeronáutica) e Onézimo Souza (ex-delegado da PF).

    CC: O que você foi fazer na campanha de Dilma Rousseff, em 2010?

    ARJ: Um amigo, o jornalista Luiz Lanzetta, era o responsável pela assessoria de imprensa da campanha da Dilma.

    Ele me chamou porque estava preocupado com o vazamento geral de informações na casa onde se discutia a estratégia de campanha do PT, no Lago Sul de Brasília.

    Parecia claro que o pessoal do PSDB havia colocado gente para roubar informações. Mesmo em reuniões onde só estavam duas ou três pessoas, tudo aparecia na mídia no dia seguinte. Era uma situação totalmente complicada.

    CC: Você foi chamado para acabar com os vazamentos?
    ARJ: Eu fui chamado para dar uma orientação sobre o que fazer, intermediar um contrato com gente capaz de resolver o problema, o que acabou não acontecendo.

    Eu busquei ajuda com o Dadá, que me trouxe, em seguida, o ex-delegado Onézimo Souza. Não tinha nada de grampear ou investigar a vida de outros candidatos.

    Esse “núcleo de inteligência” que até Prêmio Esso deu nunca existiu, é uma mentira deliberada. Houve uma única reunião para se discutir o assunto, no restaurante Fritz (na Asa Sul de Brasília), mas logo depois eu percebi que tinha caído numa armadilha.

    Fonte: Congresso em Foco/Veja/Carta Capital

    Publicado por jagostinho @ 09:22



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