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  • 15jul

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    Crédito/Fotógrafo: google imagens

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    Nem foram necessárias as fotos de satélite comprovando que o gelo flutuante do Ártico sofrera um recuo de 25% nos últimos dois anos, ou a travessia da Ásia para a Europa, sob uma agora tenra camada de gelo, dispensando os tradicionais barcos quebra-gelos.

    Antes disso, países nórdicos já instalavam bases de prospecção, extração e processamento de petróleo e gás natural. Afinal, trabalham com projeções.

    E os planejadores do mercado acreditam nas previsões dos climatologistas. Quem ainda duvida delas somos nós.

    À medida que o gelo recua, a ambição avança.

    Uma surda disputa territorial é travada entre as nações que pretendem os quase 30% de todas as reservas de petróleo ainda conhecidas.

    Mas, não existem mais nações. No mundo globalizado, o que há são mercados travestidos de pátrias. Assim, quem avança é o mercado. Uma vez mais, sobre o mundo natural.

    O comércio comemora. A natureza se desespera.

    Ironicamente, busca-se no fundo dos pólos, o mesmo combustível fóssil que causa o derretimento do gelo.

    Esta sandice me lembra a célula tumoral que, para crescer, alimenta-se sofregamente das células vizinhas, extraindo a energia que a tornará forte.

    Forte o suficiente para ligar a ignição que acabará por colocar em marcha a morte do organismo. Inclusive dela própria. Irônica hipérbole.

    Mas, não é a humanidade (causadora do efeito que derrete os pólos) quem, preocupada, deveria estar usando sua ciência para solucionar a enrascada em que ela própria se meteu?

    Não deveria ela, usando a mesma ciência que, com impressionante exatidão, direciona a sonda para dentro de um poço de petróleo, na imensidão gelada do Ártico, acertar o que nos ameaça?

    Infelizmente, parece que não.

    A cobiça, apetite desmesurado, apaga qualquer lampejo de lucidez.

    Temos aí um pequeno exemplo do que acontecerá nos próximos anos.

    Como não há perspectivas a curto prazo de retração dos efeitos do clima sobre o planeta, um emergente mercado começa a tomar corpo.

    Trata-se do mercado que buscará seus lucros nas conseqüências deletérias sobre o ambiente; no medo das pessoas; na ilusão da sobrevivência de um modelo comprovadamente predatório. 

    Não serão poucos os que pagarão para continuarem a ser enganados. 

    Os planificadores das economias sabem disso.

    O derretimento dos pólos trouxe à superfície um traço do caráter humano que, quase sempre, se pretende sepultar: a ganância.

    O fato é apenas uma pequena amostra do que a humanidade é capaz.

    Mesmo assim, sou otimista. As ambições podem ser canalizadas para propósitos coletivos. Podemos cobiçar um mundo melhor.

    Sou otimista, não inocente.

    É preciso manter os olhos abertos, o coração pulando dentro do engradado do peito e, com eles, mudar estas coisas.

     

    Luiz Eduardo Cheida é médico, Deputado Estadual e Secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná.

    Premiado pela ONU por seus projetos ambientais é membro titular do CONAMA ( Conselho Nacional do Meio Ambiente) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

    Foi prefeito de Londrina e presidente da Comissão de Ecologia da Assembleia Legislativa do Paraná.

     

     

    Publicado por jagostinho @ 16:08



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