Publicidade


      Red Apple Cosméticos

      CPV - Centro Paranaense da Visão

      Hospital Cardiológico Costantini

      Hotel Carimã

Twitter @blogdojota


  • 30set

    JOGO DO PODER/ LUIZ CARLOS DA ROCHA

    Quem adquiriu a Gazeta do Povo deste domingo, nas ruas desde ontem, leu a manchete:

    “REFORMA DO TJ SOB SUSPEITA Ex-presidente do tribunal ignorou pareceres técnicos questionando pontos da licitação que aumentavam custos das obras na sede do Judiciário. O Departamento de Engenharia e Arquitetura (DEA) do Tribunal de Justiça do Paraná apontou desvantagens financeiras no sistema de ar-condicionado escolhido para a reforma. Os pareceres, porém, foram ignorados pelo ex-presidente do TJ, Clayton Camargo, e pelo ex-diretor do DEA, Raul Baglioli Filho. A obra custará mais que o dobro da reforma do Palácio Iguaçu, feita entre 2007 e 2012″.

    Isso é o que está na capa do jornal. Se o cidadão passou na banca e deu uma paradinha para ler, sem intenção de comprar, esse é o texto que vai ler.

    Abriu o Portal da Gazeta na web e deu uma olhada na chamada, esse é o texto que está disponível.

    Conclusão: Clayton Camargo e Raul Baglioli Filho estão envolvidos em algo estranho.

    Image

    Quem comprou e se deu ao trabalho de ir até o caderno Vida Pública, vai novamente se deparar com outra chamada de capa:

    “DESEMBARGADOR IGNOROU PARECERES TÉCNICOS EM LICITAÇÃO DE OBRA DO TJ. Ex-presidente Clayton Camargo não considerou a avaliação de engenheiros do tribunal que indicava ser possível baratear a reforma da sede do Judiciário”.

    Bingo!!! Clayton Camargo, de fato, está envolvido em algo errado.

    Mas quem for adiante na leitura de toda a matéria dos jornalistas Guilherme Voitch e Katia Brembatti vai achar estranha a desconexão entre as manchetes, os textos de chamada e os conteúdos dos textos da matéria, aliás, bem equilibrados, e, com algum senso crítico, concluir que o editor do jornal tem alguma coisa contra o desembargador Camargo e que vai além das suspeitas em relação à licitação da reforma do prédio.

    É bem verdade que faltou na matéria a informação de que as decisões sobre o projeto de reforma no principal prédio do Judiciário cabe a uma comissão formada por 7 (sete) desembargadores, que tem na sua retaguarda outra retaguarda de servidores (engenheiros, técnicos, diretores …) e que desembargador e presidente de tribunal não inventa ou  muda técnicas de construção em tribunal algum. Mas isso não chega a comprometer.

    No corpo da matéria há um “box” com o título AR-CONDICIONADO ESCOLHIDO TEM PRÓS E CONTRAS.

    Nele é possível ver que em relação a isso o que existe é apenas uma divergência sobre qual será o melhor sistema de ar condicionado para funcionar no prédio a ser reformado e que entre um e outro existem vantagens e desvantagens e, ainda, segundo o especialista ouvido pela reportagem, a diferença de preço é algo difícil de mensurar.

    Há também na matéria uma passagem sobre diferenças no BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), cuja compreensão está fora do alcance do leigo e a matéria nada trouxe para que a compreensão fosse possível.

    A matéria faz referência a um texto dos engenheiros do Tribunal sobre o fato do BDI incidir sobre fatores que não deveriam incidir.

    Não foram ouvidos especialistas no tema. O que se sabe é que o BDI será linear de 25,65%. Nada mais. O leitor que se dane. Ou melhor, Clayton Camargo e Raul Baglioli Filho que se danem.

    Mas nem tudo está perdido. Os jornalistas fizerem um outro “box”:

    “COMPARATIVO Reforma do TJ custará mais do que o dobro da obra do Palácio Iguaçu”.

    Novamente, parece que o editor quer derrubar os jornalistas. O conteúdo da matéria em nada reflete a chamada.

    Então vale reproduzir o conteúdo do texto, que, na verdade, é um dos poucos que realmente merece leitura atenta em toda a matéria:

    “Praticamente só vão sobrar as estruturas de concreto caso o plano de reformar todo o Palácio da Justiça seja levado adiante.

    A obra prevê a substituição de todas as esquadrarias que deverão ser de alumínio, e a troca do piso, do forro, do cabeamento de energia elétrica e da rede de informática.

    Além disso, um estacionamento subterrâneo, com 7 mil metros e para mais de 200 veículos, deve ser construído (OPS!!! Na obra do Palácio Iguaçu teve isso?) 

    O prédio deve ter um restaurante na cobertura e um setor de atendimento médico. Luminárias e elevadores serão revitalizados.

    Estão previstas passarelas ligando o Palácio ao prédio anexo. O prédio é histórico – foi concluído em 1953 e precisa seguir uma série de regras para preservação do patrimônio.

    As luminárias e o mármore branco do térreo deve ser restaurados (OPS!!! não é uma reforma qualquer!). Basta!

    Para sustentar as chamadas, absolutamente desconexas com os textos da matéria, a Gazeta vai no passado do ex-diretor de engenharia, Raul Baglioli Filho.

    O homem não tem nenhuma condenação. Mas esteve na administração de Belinati em Londrina. Pronto!

    No histórico, a matéria refere que na construção do prédio anexo também foi alvo de “suspeita” e que no ano passado o CNJ determinou a suspensão da obra do Fórum de Curitiba.

    Alguém foi processado, condenado? O que Clayton Camargo e Raul Baglioli têm com isso? Nada, mas a informação foi para a matéria. Qual a razão?

    Na verdade, a própria matéria cuida de revelar que as questões envolvendo a reforma do prédio são corriqueiras em qualquer obra pública ou privada, que podem ser resolvidas sem maiores dificuldades, e que estão muito longe de representar qualquer tentativa de avançar sobre o patrimônio público, como esclarece o sócio da empresa responsável pelo projeto (isso mesmo tem uma empresa, não foi o Presidente do Tribunal quem fez o projeto!).

    Mas manchetes que o editor da matéria que a Gazeta do Povo veiculou nesse domingo sobre a reforma do prédio do Palácio da Justiça demonstra que o jornal perdeu a capacidade de produzir matérias isentas sobre o Desembargador Clayton Camargo.

    Lamentável na medida em que se trata do maior jornal do Paraná.



    Publicado por jagostinho @ 09:12



Os comentários NÃO representam a opinião do Blog do Jota Agostinho. A responsabilidade é EXCLUSIVA do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

Deixe um comentário

Por favor, atenção: A moderação de comentário está ativa e pode atrasar a exibição de seu comentário. Não há necessidade de reenviar o comentário.