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  • 11abr

    REINALDOREINALDO AZEVEDO, jornalista, é colunista da Folha e autor de um blog na revista ‘Veja’. Escreveu, entre outros livros, ‘Contra o Consenso’ (ed. Barracuda), ‘O País dos Petralhas’ (ed. Record) e ‘Máximas de um País Mínimo’ (ed. Record). 

    Alguns números da pesquisa Datafolha acenam com a possibilidade de derrota de Dilma. Nem tanto porque o eleitorado já descobriu a oposição, mas porque ainda não a descobriu.

    Só 1% dos entrevistados desconhecem Dilma –índice que chega a 25% com Aécio e a 42% com Eduardo Campos.

    Conhecem a presidente “muito bem” 57% –mas só 17% dizem o mesmo do tucano e 8% do peessebista. Não obstante, a rejeição ao trio é de 33%.

    É óbvio: muitos não votam em Dilma porque sabem quem é ela. Outros tantos não votam em Aécio e Campos porque não sabem quem são eles.

    E há 72% que querem um governo diferente deste que aí está. Os números perturbaram mais os “Teóricos da Metafísica do Corisco” do que os petistas.

    Quem são esses? É aquela gente que recita a música de Sérgio Ricardo de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha: “Mais fortes são os poderes do povo”, atribuindo a Lula e a seu PT o monopólio da representação popular.

    Tais analistas ainda não entenderam –ou a repudiam– a essência do regime democrático, que não se desdobra numa única direção nem num único sentido.

    Ao contrário: onde quer que a democracia tenha se fortalecido, o poder é pendular, ora pra lá, ora pra cá, em modelos, na prática, bipartidários.

    A eventual derrota de Dilma não implica uma regressão. O resultado, qualquer que seja ele, se garantidas as regras, fortalece o regime que permite a disputa e que, ora vejam!, forneceu ao PT as condições para derrotar seus adversários em 2002.

    O aspecto mais virtuoso de uma eleição é a conservação das instituições, não a agenda vitoriosa. Pinta-se um poste para que ele possa ser velho, não para que pareça novo. É Chesterton, não Azevedo.

    Mas quê… Bastou o fantasma da derrota assaltar a “Metafísica do Corisco”, e começou o coro “volta, Lula!”.

    Rui Falcão fez duas ameaças a Dilma. Indagado sobre a irreversibilidade da sua candidatura, mandou ver: “Irreversível, só a morte”. Toc, toc, toc.

    Se a Soberana quiser, tenho arruda aqui. Deve pôr um galhinho atrás da orelha e rezar três ave-marias. A presidente, que já chamou Nossa Senhora de “deusa” –pondo fim ao monoteísmo cristão–, não vai repudiar a heterodoxia.

    A gente também é meio macumbeiro, né? Em entrevista à Folha, o mesmo Falcão falcoou: “Mas a candidata continua liderando, continua ganhando no primeiro turno, por que você vai mudar?”. Ele estabeleceu as condições para que continue candidata.

    Lula, claro!, está mais assanhado do que lambari na sanga. Em entrevista à autointitulada, e sincera, categoria dos “blogueiros sujos”, avisou que não será candidato, o que corresponde a dizer que o seria se quisesse.

    Dilma é o estorvo tolerado pela gerência. Um dos, vá lá, entrevistadores ainda sugeriu que, só para confundir os adversários, ele não fizesse tal anúncio: “Deixa eles pensarem…”.

    Seguidores são sempre mais estúpidos do que seu líder. Os abduzidos, na hipótese de que não sejam sicários, são úteis porque, ao emprestar à causa as suas certezas absolutas, podem fazer o trabalho sujo como se fosse missão.

    A crença cega é a morte da convicção.

    Lula volte a disputar se quiser –o problema seria o que fazer com o cadáver adiado de Dilma, para juntar (Deus me perdoe!) Falcão com Fernando Pessoa.

    O que acho asquerosa é a ilação de que pleito sem ele não é verdadeiramente democrático.

    Nos meus estudos sobre o regime militar, esbarrei na pena de então solertes defensores da ditadura –e hoje não menos solertes teóricos do “corisquismo”– a justificar assim o Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964, que cassava mandatos e suspendia direitos políticos por até dez anos:

    era “a revolução que legitimava o Parlamento, e não o Parlamento, a revolução”. É plágio do Marx de “O 18 Brumário”, mas tudo bem.

    Pois é… Cinquenta anos depois, em abril de 2014, chega a ser escandaloso ter de lembrar que é a democracia que legitima Lula, não Lula, a democracia. 

    Publicado por jagostinho @ 15:21



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