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  • 28abr

    VEJA.COM

    dilma x lula

    Por Daniel Pereira e Adriano Ceolin, na VEJA.com:

    A presidente Dilma Rousseff enfrenta um momento inédito de fragilidade.

    Além de ter problemas na economia, como o crescimento baixo, a inflação persistente e o desmantelamento do setor elétrico, ela perdeu apoio popular e força para barrar, no Congresso, iniciativas capazes de desgastá-la.

    A aprovação ao governo caiu a um nível que, segundo os especialistas, ameaça a reeleição. Partidos aliados suspenderam as negociações para apoiá-la na corrida eleitoral.

    Já os oposicionistas conseguiram na Justiça o direito de instalar uma CPI para investigar exclusivamente a Petrobras.

    Acuada, Dilma precisa mais do que nunca da ajuda do PT, mas essa ajuda lhe é negada.

    Aproveitando-se da conjuntura desfavorável à mandatária, poderosas alas petistas pregam a candidatura de Lula ao Planalto e conspiram contra a presidente.

    O objetivo é claro: retomar poderes e orçamentos que foram retirados delas pela própria Dilma.

    A seis meses da eleição, o PT está rachado entre lulistas e dilmistas — e, para os companheiros mais pragmáticos, essa divisão, e não os rivais Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), representa a maior ameaça ao projeto de poder do partido.

    Com carreira política construída na resistência à ditadura militar e posteriormente no PDT, Dilma nunca teve alma petista.

    Ao assumir a Presidência, ela herdou boa parte da cúpula do governo Lula, como ministros, dirigentes de estatais e até a então chefe do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha.

    O governo era de continuidade mesmo nos nomes escalados para comandar o país. O plano de Dilma era dar uma feição própria à sua gestão de forma gradativa, reduzindo a influência do antecessor ao longo do tempo.

    Antonio Palocci, seu primeiro chefe da Casa Civil, ilustrou a estratégia: “No primeiro ano de mandato, será um governo Lula-Dilma. No segundo, um governo Dilma-Lula. No terceiro, será Dilma-Dilma”.

    Esse cronograma, no entanto, foi atropelado pelos fatos. Já em 2011 a presidente foi obrigada a demitir seis ministros acusados de corrupção e tráfico de influência — quatro deles egressos do governo anterior.

    Dilma se mostrava intransigente com os malfeitos, ao contrário de Lula, acostumado a defender políticos pilhados em irregularidades.

    Com a chamada faxina ética, ela atingiu recordes de popularidade e conseguiu força para tirar das mãos de notórios esquemas partidários setores estratégicos da administração. Nem mesmo o PT foi poupado nessa ofensiva.

    O partido perdeu terreno em fundos de pensão e na Petrobras, que teve sua diretoria reformulada em 2012.

    A faxina ética era acompanhada da profissionalização da gestão. Com essas mudanças, muitos petistas estrelados, como o mensaleiro preso José Dirceu, perderam influência.

    Havia um distanciamento crescente entre a presidente e a engrenagem partidária, mas Lula mantinha o PT unido e silencioso.

    Ele alegava que a “mídia conservadora” — ao exaltar as demissões promovidas pela sucessora, com o intuito claro de atacá-lo — ajudava Dilma a conquistar eleitores que historicamente tinham aversão ao PT.

    Ou seja: a comparação entre os dois beneficiava o partido. Se alguns petistas registravam prejuízos em casos isolados, o conjunto estava sendo fortalecido.

    Esse discurso manteve a companheirada sob controle até 2013, quando a popularidade da presidente despencou devido à inflação e às manifestações populares de junho.

    Petistas, então, passaram a criticar Dilma, conspirar contra ela no Congresso e defender a candidatura de Lula.

    A cizânia interna se desenhava, mas ainda era incipiente e restrita aos bastidores.

    Esse dique foi rompido pelo escândalo da Petrobras.

    Hoje, o PT testemunha uma batalha pública e cruenta entre a soldadesca dos dois presidentes.

    Palocci não previu, mas o último ano de mandato também tem seu epíteto: governo Dilma versus Lula.

    Publicado por jagostinho @ 13:56



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