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  • 26maio

    REINALDOREINALDO AZEVEDO, jornalista, é colunista da Folha e autor de um blog na revista ‘Veja’. Escreveu, entre outros livros, ‘Contra o Consenso’ (ed. Barracuda), ‘O País dos Petralhas’ (ed. Record) e ‘Máximas de um País Mínimo’ (ed. Record).

    O PT ensaiou uma reação quando veio a público a avalanche de malfeitorias óbvias na Petrobras: convocou o coração verde-amarelo da nação.

    Tudo não passaria de uma conspiração dos defensores da “privataria”, interessados em doar mais essa riqueza nacional ao “sagaz brichote”, para lembrar o poeta baiano Gregório de Matos, no século 17, referindo-se, em tom de censura, aos ingleses e a seu espírito mercantil.

    Não colou! A campanha não pegou. A acusação soou velha, do tempo em que a ignorância ainda confundia capitalismo com maldade.

    Desta vez, parece, os larápios não vão usar o relincho ideológico como biombo. Até porque, e todo mundo sabe disto, ninguém quer nem vai vender a Petrobras.

    Infelizmente, ela continuará a ser nossa, como a pororoca, o amarelão e o hábito de prosear de cócoras e ver o tempo passar –para lembrar o grande Monteiro Lobato, o pai da campanha “O petróleo é nosso”.

    A intenção era certamente boa. Ele não tinha como imaginar o tamanho do monstro que nasceria em Botocúndia.

    Há nas ruas, nas redes sociais, em todo canto, sinais claros de enfraquecimento da metafísica petista. Percebe-se certo cansaço dessa estridência permanente contra os adversários, tratados como inimigos a serem eliminados.

    Se, em algum momento, setores da sociedade alheios à militância política profissional chegaram a confundir esse espírito guerreiro com retidão, vai-se percebendo, de maneira inequívoca, que aquilo que se apresentava como uma ética superior era e é apenas uma ferramenta para chegar ao poder e nele se manter.

    A arte de demonizar o outro, de tentar silenciá-lo, de submetê-lo a um paredão moral seduz cada vez menos gente. Ao contrário: há uma crescente irritação com os estafetas dedicados a tal tarefa.

    Se, antes, nas redes sociais, as críticas ao petismo eram tímidas, porque se temia a polícia do pensamento, hoje, elas já são desassombradas. E se multiplicam. Os blogs sujos viraram caricatura. A cultura antipetista está em expansão. E isso, obviamente, é bom.

    Notem: não estou a fazer previsões eleitorais. Não sei se Dilma será ou não reeleita; não me importa se o PT fará mais parlamentares ou menos; mais governos de Estado ou menos.

    Quem me lê deve supor o meu gosto para cada uma dessas possibilidades. Ainda que o partido venha a ter o melhor desempenho de sua história, terá começado a morrer mesmo assim.

    Refiro-me, à falta de expressão mais precisa, a uma “agitação das mentalidades” que costuma anunciar as mudanças realmente relevantes.

    Pegue-se o caso do PT: não nasceu em 1980. Surgiu alguns anos antes, de demandas geradas por valores a que a política institucional, as esquerdas tradicionais e o nacionalismo pré-64, que remanescia, já não conseguiam responder.

    À diferença do que ele próprio deve pensar, Lula não inventou o PT. O espírito do tempo é que inventou Lula.

    “Ah, mas a oposição não tem projeto!” A cada dia, fica mais evidente que essa história de “projeto” é conversa para embalar idiotas.

    Não é preciso parir a novidade a cada eleição. Ao contrário: o espírito novidadeiro costuma traduzir um vazio de ideias.

    Estancar a ladroagem nas estatais é uma boa proposta. Parar de flertar com a inflação é uma boa proposta. Desmontar o aparelhamento do estado é uma boa proposta. Estabelecer parcerias com o setor privado, em vez de comprar a sua adesão com subsídios e renúncia fiscal, é uma boa proposta.

    E nada disso compõe, exatamente, um “projeto”. A propósito: qual é o do PT?

    Se querem, para o bem do país, tirar Dilma do trono, seus adversários devem se ocupar menos de encontrar a “pedra filosofal da oposição” do que de lembrar que estão a falar com um povo, na média, decente, a cada dia menos tolerante com bandidos que prometem a nossa salvação.

    Espero que Aécio Neves e Eduardo Campos descubram, finalmente, a força dos indivíduos e de seu senso de moralidade.

    São eles que criam o espírito do tempo.

    E que formam o povo. 

    Publicado por jagostinho @ 12:11



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Uma resposta

WP_Cloudy
  • Valmor Stédile Disse:

    DILMA PODE DETONAR PECHA DE POSTE CRAVADA EM SUA TESTA

    Quanto à reportagem do repórter Robson Bonin da revista Veja – transcrita no site http://tribunadaimprensa.com.br/?p=85377#comment-145553 de autoria por -, questiono o que será pior na história contada: o Palácio do Planalto promover reportagens para inviabilizar assombroso movimento “Volta Lula”, ou o ex-presidente negando de mãos juntas que pretenda voltar enquanto alimenta o golpismo por baixo dos panos?

    Acho, francamente, que sendo candidata pelo PT a presidente Dilma Rousseff poderá surpreender na campanha porque defenderá seu governo em campo aberto, devendo passar por situações em que precisará se diferenciar do antecessor. Isto porque enfrentará uma disputa bem difícil contra pelo menos dois outros candidatos fortes.

    Se Lula entrar no páreo no lugar da atual presidente, por outro lado, é possível que nem disputa tenhamos por artificialismos midiáticos e de marketing ou porque tanto Aécio Neves (PSDB) quanto Eduardo Campos (PSB) foram diretamente beneficiados por ele em eleições anteriores. No estado de Minas Gerais até “aliança branca” ocorreu, os tucanos frouxaram na eleição presidencial e lulistas praticaram uma oposição consentida.

    O Brasil caminhou entregando de tudo nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva, um governante sucedeu o outro mas nada reparou e continuou o entreguismo. Dilma até começou muito bem, destoando do padrinho eleitoral logo no início de seu governo com a chamada Operação Faxina, mas depois o ex-presidente a enquadrou e as coisas vieram mais ou menos como antes. Quem sabe tenha faltado condições objetivas ou coragem a ela para se insurgir naquele momento.

    As cúpulas dirigentes do PSDB acharam pouco o governo petista privatizar 51% dos aeroportos e o alto comando do PT não fez nada contra o governo tucano haver privatizado 100% da Companhia Vale do Rio Doce. E por vai… No poder o presidente Lula abriu a Amazônia para grupos estrangeiros e até autorizou o Celso Amorim a subscrever na ONU resolução que confere autonomia e possibilidade de autodeterminação das Nações indígenas. Isto-É… ou será, o Brasil em pedaços!

    A diferença de resultados das ações desses dois personagens, no exercício do poder, está apenas no tempo. Se um (o petista) tivesse assumido a Presidência antes faria a obra do outro (o tucano)…

    FHLula, FHC e Lula, Lula e FHC andam à beirada do amor mútuo e nem é preciso conhecer o que cada um fez e deixou de fazer ou, afinal, como se entrelaçam nos bastidores da República ou em champanhe no exterior, basta acessar o texto de Paulo Ghiraldelli, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ… Acessem http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2013-11-09/fhc-e-lula-lula-e-fhc–na-beirada-do-amor-mutuo.html

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