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  • 04ago

    LAURO JARDIM/VEJA

    Médici

    (Ag. Nacional/VEJA)

    Uma década após deixar o poder, um amargurado Emílio Garrastazu Médici disse ao repórter A.C. Scartezini, que insistentemente tentava en­trevistá-lo: “Eu sou o arbítrio, sou a ditadura. A ditadura não fala”.

    Médici morreu sem dar um depoimento sobre os cinco anos em que governou o Brasil, entre 1969 e 1974 — um tempo em que o país testemunhou, de um lado, crescimento econômico acelerado, entre 9% e 14% ao ano, e, de outro, o período mais sombrio da ditadura militar.

    O ex-presidente, contudo, reservou uma surpresa aos que o imaginavam um governante sem apreço pela preservação de pedaços significativos da história do Brasil.

    Médici guardou um arquivo que soma 32 caixas de manuscritos, num total de 700 documentos.

    Há também oitenta álbuns com recortes de jornais e mais 300 fotos avulsas.

    É maior, por exemplo, do que os acervos deixados por Eurico Dutra, Costa e Silva e João Goulart.

    AFP/VEJA

    Dilma não era prioridade

    Um documento interno produzido em 1970 pelas cúpulas das organizações guerrilheiras ALN, VAR-Palmares e Ala Vermelha, que chegou às mãos dos militares e foi parar no arquivo Médici, mostra que a hoje presidente Dilma Rousseff não era tão valiosa para os seus companheiros de luta armada.

    A certa altura das quatro páginas mimeografadas intituladas “Considerações dos objetivos de uma operação de sequestro”, fala-se que o “valor de troca” do prisioneiro deveria ser definido “pela sua importância dentro do país e do sistema imperialista internacional”.

    O texto define quais guerrilheiros presos teriam prioridade na troca de sua liberdade por um sequestrado. O nome de Dilma, militante da VAR-Palmares e presa em São Paulo naquele ano, consta de uma lista de 29 presos, mas não aparece entre os dezenove “companheiros (a quem) deve-se dar preferência”, de acordo “com critérios de importância política (…)”.

    ​Esse material está guardado desde 2004 em várias gavetas de metal no 11º andar da sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), no Rio de Janeiro.

    Foi doado naquele mesmo ano por Roberto, o filho mais novo de Médici, um ano após a morte de Scylla, sua mãe e mulher do ex-presidente.

    Cerca de 80% dos documentos dizem respeito aos cinco anos de Médici na Presidência, uns 15% ao período anterior à sua posse e o restante aos tempos longe do poder.

    A partir da semana que vem, o acervo poderá ser conhecido duplamente.

    Seja por pesquisadores a quem o IHGB vai abri-lo, seja nas 31 páginas dedicadas a um extrato dele no livro Brasiliana IHGB.

    Publicado por jagostinho @ 09:39



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