Publicidade


      Red Apple Cosméticos

      CPV - Centro Paranaense da Visão

      Hospital Cardiológico Costantini

      Hotel Carimã

Twitter @blogdojota


  • 25ago

    FOLHA.COM

    Na manhã de sexta-feira (22), o economista Eduardo Giannetti da Fonseca estava animado com o resultado de pesquisas feitas pelo PSB e por instituições do mercado financeiro que sugeriam crescimento das preferências eleitorais da candidata do partido à Presidência, a ex-senadora Marina Silva.As pesquisas indicam que a candidata, que ele conheceu na campanha eleitoral de 2010, firmou-se em segundo lugar na disputa presidencial deste ano e tem condições de derrotar Dilma Rousseff (PT) no segundo turno.

    A possibilidade de vitória tende a alimentar especulações sobre a função reservada para Giannetti, que se define como uma pessoa “sem ambições políticas”, num futuro governo.

    Mas ele diz que não tem interesse em ser o próximo ministro da Fazenda.


    Jorge Araujo/Folhapress  
    O economista Eduardo Giannetti em seu apartamento em São Paulo
    O economista Eduardo Giannetti em seu apartamento em São Paulo

     

    “Sou um colaborador, um conselheiro, não uma pessoa de perfil executivo”, diz. Em entrevista à Folha, ele afirma que, se for eleita, Marina procurará pessoas do PT e do PSDB para formar sua equipe de governo e garantir apoio a seus projetos no Congresso.

    Para Giannetti, até os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso poderiam colaborar.

    “Se [José] Sarney, Renan [Calheiros] e [Fernando] Collor [de Mello] vão para a oposição, com que se governa e com quem se negocia?

    É com Lula e FHC.” Ele afirma que tentaria levar até para a cozinha do governo membros de siglas rivais.

    “O PSDB é um partido de muitos técnicos e pouca liderança”, disse.

    “O PT também tem técnicos de excelente qualidade, que trabalharam no primeiro mandato de Lula, e a gente adoraria trazê-los. Nossa ideia é governar com os melhores na política e na gestão de políticas públicas.”

    *

    Folha – Se Marina for eleita, o sr. terá um cargo no governo?

    >>>   Eduardo Giannetti – Não um cargo executivo. Me vejo como um conselheiro, alguém que pode ajudá-la na escolha dos quadros que vão assumir funções executivas. Mas não é o meu caso.

    Essas pessoas vão aparecer na campanha eleitoral?

    >>>   Espero que sim. É uma conversa que não vem de hoje, nem de ontem. É uma conversa de muitos anos. O Brasil não tem falta de quadros competentes. O que falta é liderança e valores na política. E é isso que Marina traz.

    Quais são as mudanças na economia que Marina vai apresentar na campanha?

    >>>   O governo Dilma se meteu em tamanha confusão que teremos que insistir em algo que deveria estar superado: restabelecer o tripé macroeconômico [câmbio flutuante, meta de inflação e disciplina fiscal].

    O Brasil tinha construído um acordo em torno desses princípios. [O tripé] foi estabelecido no segundo mandato de FHC e não só foi confirmado, mas reforçado por Lula em seu primeiro governo.

    Agora, a gente está com inflação alta, artificialmente controlada, e com o câmbio supervalorizado, o que é um caminho ruim e que prejudica a nossa indústria.

    Além disso, estamos com um deficit em conta corrente [nas trocas com o exterior] de 3,2% do PIB, o que nos coloca de volta na vulnerabilidade externa do primeiro mandato de FHC.

    E isso com o menor crescimento da era republicana, excetuando [os governos de] Floriano Peixoto e Collor.

    É um quadro muito ruim. Não nos leva à beira do precipício, mas não dá horizonte para a sociedade brasileira.

    Como a independência do Banco Central se encaixa aí?

    >>>   Um dos elementos do tripé é a autonomia do BC. Há sérias dúvidas de que ela esteja valendo no governo Dilma.

    Enquanto prevalecia a autonomia, havia um acordo tácito de que o Executivo não interferiria nas decisões do BC buscando o cumprimento do centro da meta [de inflação].

    Essa autonomia pode ser reforçada quando se formaliza a independência do BC.

    Ou seja, presidentes e diretores têm mandatos fixos e não estão sujeitos a ordens do presidente.

    Mas é preciso pensar com cuidado o desenho institucional deste modelo.

    Há um esboço?

    >>>   Não é o caso de predefinir os elementos centrais. Tem que ter regras para indicação e eventual destituição, se os dirigentes do Banco Central não atenderem seu mandato.

    Pode parecer uma coisa linda abstratamente e é um caminho corretíssimo, mas tem que tomar cuidado para garantir que a independência resulte no que se espera.

    Vamos imaginar que o governo Dilma, para tranquilizar os mercados, resolva implementar uma independência do BC. E indique um aventureiro para o cargo. Vamos ficar amarrados a isso?

    O governo Dilma cometeu uma grave barbeiragem na condução da política do BC, que foi deixar claro, no início do mandato, que a inflação no teto da meta [de 4,5%, com tolerância até 6,5%] estaria de bom tamanho.

    Se diz que o teto está bom, ele vira o novo centro. Foi o que aconteceu. E aí o governo, na base do desespero, começou a entrar no corpo a corpo com a inflação, algo que eu não esperava ver de novo na minha vida.

    A controlar os preços das tarifas públicas, da gasolina, usar o câmbio… A gente já deveria ter virado essa página.

    Será preciso uma nova Carta ao Povo Brasileiro, como a que Lula apresentou na campanha de 2002 para vencer as desconfianças dos investidores?

    >>>   Não creio. Não há temor em relação a Marina como havia com o PT. Agora, qualquer reforço de credibilidade e de confiança é bem-vindo.

    E o que fazer com quem a considera uma pessoa inflexível?

    >>>   Não existe democracia sem negociação. A questão são os limites, até onde se transige. O projeto de Marina a diferencia muito de Dilma e Aécio.

    Ela quer construir uma nova governabilidade, que não é baseada na barganha de pedaços do governo para obter apoio no Congresso.

    Eduardo Campos tinha dito, e Marina está alinhada com isso, que no seu governo Sarney, Renan e Collor iriam para a oposição.

    E com quem se governa e se negocia? Com Lula e Fernando Henrique.

    Temos todo o interesse em ter os dois como aliados de projetos que interessem ao país.

    FHC tem compromisso com a estabilidade econômica, nós também.

    Lula tem compromisso com a inclusão social, nós também.

    Vamos trabalhar juntos. Acho possível. Se a democracia brasileira tem razão de ser, é para que isso possa acontecer.

    Embora Marina se apresente como uma alternativa a petistas e tucanos na política, muito do que ela defende na economia representa uma volta à rota proposta pelo PSDB.

    >>>   Recuperar o arcabouço macroeconômico é pré-condição para que coisas importantes possam ser feitas. Onde está o problema do brasileiro comum?

    Na condução, na delegacia, no posto de saúde, na sala de aula. É aí que o Brasil tem que agir com desembaraço e coragem.

    O deficit brasileiro hoje é de cidadania. A escalada do consumo não resolveu esse problema. Em certo sentido, ela até o agravou.

    É preciso reduzir ou reformular os programas sociais?

    >>>   Eles são intocáveis. O gasto aumentou porque o governo deu isenções de impostos. O governo Dilma deu algo em torno de R$ 250 bilhões de isenção tributária para setores escolhidos.

    O incentivo do BNDES para um grupo seleto de empresas é maior do que o gasto com o Bolsa Família.

    O PSB propõe reduzir a meta de inflação para 4% em 2016 e 3% em 2019. O governo diz que isso geraria desemprego.

    >>>   Não há relação negativa entre estabilidade e desemprego. Meta de inflação é como guerra de trincheira.

    Se você fica receoso em adotar as medidas para manter a inflação em 4,5% e aceita flexibilizá-la para 6,5%, a guerra continua igual, a única coisa que acontece é que você saiu de 4,5% para 6,5%.

    O que é preciso é credibilidade e fazer com que as expectativas convirjam para onde você deseja, e 3% é melhor do que 4%.

    Poderia haver demissões?

    >>>   O custo de não fazer é maior que o de fazer. A geração de empregos despencou, a indústria está demitindo.

    Qual é o custo de fazer?

    >>>   É aceitar que as tarifas públicas ficaram defasadas, o que causa distorções em outros setores da economia, e que os gastos públicos terão que ser melhor controlados.

    Economistas dizem que será necessário ou reduzir gastos ou aumentar impostos.

    >>>   Aumentar impostos nem pensar.

    Significa cortar gastos?

    >>>   Significa ser muito criterioso nos gastos e entender onde eles vêm crescendo. A regra de ouro é que os gastos correntes não podem crescer mais do que o PIB.

    Significa rever isenções tributárias. O governo mexeu discricionariamente em impostos com base na pressão de setores empresariais para obter benefícios, não só de impostos como o IPI, mas também nas tarifas de importação.

    Com a economia retomando o crescimento e com os gastos públicos crescendo menos do que o PIB, no tempo, podemos corrigir isso. Não haverá um choque fiscal maluco, uma bala de prata. É um caminho de correção.

     

    RAIO-X

    EDUARDO GIANNETTI

    IDADE

    57 anos

    FORMAÇÃO

    Graduado em economia e em ciências sociais pela USP; PhD em Economia pela Universidade de Cambridge (Inglaterra)

    ATUAÇÃO

    Foi professor em Cambridge, na USP e no Insper. É colunista da Folha. Escreveu os livros “Vícios privados, benefícios públicos?” (1993), “Autoengano” (1997),”Felicidade” (2002) e “A ilusão da alma” (2010) 

    Publicado por jagostinho @ 18:57



Os comentários NÃO representam a opinião do Blog do Jota Agostinho. A responsabilidade é EXCLUSIVA do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

Deixe um comentário

Por favor, atenção: A moderação de comentário está ativa e pode atrasar a exibição de seu comentário. Não há necessidade de reenviar o comentário.