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  • 29out

    Companheiros e Companheiras,

    Envio abaixo matéria de autoria de Carlos Lopes, vice-Presidente do PPL, publicada no jornal Hora do Povo, edição de 29 e 30 de outubro de 2014 (já disponível na internet), que analisa o resultado do 2º turno da eleição presidencial.

    Mario Bacellar Filho

    Presidente do PPL/PR

    *

    HORA DO POVO

    p1

     

    Abstenções, nulos e brancos somaram 37 milhões

    88,3 milhões de eleitores negam o voto à Dilma

    Presidenta obtém segundo mandato com 54,5 milhões de votos, que representam apenas 38,2% do eleitorado

    O desastroso governo de Dilma fez com que a maioria do eleitorado (61,84%) rejeitasse a candidata oficial.

    Apesar do apoio de Lula e até da mídia golpista – vide a “Globo” e a “Folha” – Dilma ficou apenas a 2,5 pontos percentuais acima de Aécio.

    Enquanto o eleitorado aumentava +5,17%, a diferença em relação à Aécio – um telhado de vidro ambulante que não era apoiado nem pela cúpula de seu próprio partido – caiu -71,27% em relação à diferença com Serra no segundo turno de 2010.

    Em relação à Lula contra Serra e Alckmin, a diferença de Dilma foi cinco a seis vezes menor. Terminada a eleição, o governo anuncia mais um ajuste recessivo, desses que boçais tucanos ou neotucanos acham imprescindível – para favorecer bancos e multinacionais.

    61,84% do eleitorado do país rejeitou a candidata Dilma

    Disputa eleitoral foi bem acirrada. Governo desastroso fez Dilma se atrapalhar diante de um candidato inexpressivo

    O único prodígio do segundo turno das eleições presidenciais foi a promoção, pela candidata oficial, de um político insignificante – cujas convicções (?) reacionárias são uma espécie de pilotis para sustentar um descomunal telhado de vidro – a quase vencedor das eleições (quase escrevemos, “que os Céus tenham piedade do Brasil”, mas a outra candidatura não merece comentário diferente).

    Como foi possível que um candidato que não era apoiado nem pela cúpula do seu próprio partido (aquele excipiente em torno de Fernando Henrique), nem pelo eleitorado de seu próprio Estado, nem pela mídia golpista – que, da “Globo” à “Folha”, nos últimos dias antes do pleito, fez um tour de force como não se via há muito para recolocar Dilma no Planalto – e que não tinha liderança, digamos assim, nem em seus recônditos familiares, ficasse a apenas 2,5 pontos percentuais de uma candidata que estava na Presidência, tinha o apoio da mais popular liderança política do país, etc., etc. & etc.?

    SOMA

    Como é que, nessas condições, com um concorrente desse jaez, nada menos que 61,84% do eleitorado se recusou a votar numa candidata que, segundo a sua propaganda, fez um governo tão maravilhoso que foi quase a soma de Getúlio, JK, Rodrigues Alves e Ernesto Geisel?

    Segundo alguns dilmistas – os mais tapados, certamente – seria muito grosseiro responder: o sufoco da candidata aconteceu porque tudo isso é mentira.

    Sempre há os que, como no poema de Rimbaud, por delicadeza preferem desperdiçar a vida. Sobretudo quando a verdade vai contra os seus pequenos interesses ou contrariam seus avinagrados preconceitos.

    Embora, é outra verdade que eles reclamam da falta de “delicadeza” dos outros, mas não acham que devem ser “delicados” ao mentir…

    Se é assim, deixemos de lado essa conversa esquisita. Voltemos aos números.

    Dilma foi sufragada por apenas 38,16% dos eleitores. Conseguiu fazer com que eleitores que nada tinham de tucanos ou aecistas votassem em Aécio simplesmente porque não queriam ela.

    Uma escolha, em nossa opinião, equivocada – afinal, em que Aécio, para o Brasil, seria melhor que Dilma?

    Mas essa é a única explicação possível para os 51.041.155 votos de Aécio nesse segundo turno, apenas 3.459.963 menos do que Dilma, que teve 54.501.118.

    Em suma, com as abstenções, votos nulos e em branco (37.279.085), nada menos que 88.320.240 de eleitores, de um jeito ou de outro, rejeitaram Dilma.

    Olhemos, por um instante, a diferença de votos entre os dois candidatos. Ou seja, utilizemos, só por pouco tempo, o antidemocrático critério da legislação eleitoral, que não considera válido o eleitor (mais do que o voto) que não optar por um ou outro.

    No segundo turno de 2002, Lula ficou 19.422.625 votos acima de Serra; em 2006, também no segundo turno, Lula deixou Alckmin 20.751.864 de votos atrás; mesmo a própria Dilma, em 2010, conseguiu chegar 12.041.141 de votos na frente de Serra.

    Na eleição do último domingo, Dilma ficou com 3.459.963 a mais do que Aécio.

    Serra ou Alckmin, do ponto de vista reacionário – aquele da mídia e do setor financeiro estrangeiro – eram candidatos muito melhores que Aécio.

    Porém, a diferença de Dilma para Aécio foi mais de três vezes menor que a que ela mesmo obteve em 2010, apesar do eleitorado ter crescido apenas +5,17%.

    Em percentagens: o eleitorado, desde 2010, aumentou +5,17%, porém, a diferença de Dilma caiu -71,27% em relação a Aécio (2014) do que fora em relação a Serra (2010).

    E apenas mencionaremos que a distância de Dilma para Aécio foi seis vezes menor que a de Lula para Alckmin em 2006 – e mais de cinco vezes menor que a diferença entre Lula e Serra em 2002.

    É óbvio que isso é o resultado de um governo desastroso – e que a reeleição de Dilma é algo tão melancólico que, depois de uma explosão inicial com um registro entre o histérico e o maníaco, seus apoiadores tendem (e têm razão de não perder o senso de realidade) a um comportamento algo borocochô.

    Certamente, é possível derrubar adversários através da difamação, aproveitando-se de uma legislação que concede uma desigualdade tão grande no tempo de propaganda na TV e no rádio, que impede a simples exposição de ideias de um (ou mais de um) dos lados com mínima paridade.

    Mas não é possível fazer com que o povo vote em quem ele não quer votar, exceto muito limitadamente, e por relativamente pouco tempo (a verdade expressa, em frase famosa, por Lincoln, numa época em que não havia TV, continua perfeitamente válida:

    Pode-se enganar a todos durante algum tempo; pode-se, mesmo, enganar a alguns durante todo o tempo; mas não é possível enganar a todos durante todo o tempo“).

    Dilma conseguiu se reeleger por exclusão, mas não conseguiu convencer à maioria de que fez um bom governo, nem mesmo um governo sofrível – ou um governo para o qual sejam válidas quaisquer atenuantes fantasiosas.

    Ela chegou ao final do governo com um país muito, mas muito pior, do que aquele em que tomou posse: desde o zero de crescimento da economia (se não for negativo) até a produção industrial francamente negativa (já regredimos para o nível da produção industrial de 2007 e continuamos caindo) ou as contas externas caminhando para a quebra (não é apenas o déficit, que já está em 3,7% do PIB, o que é uma expressão dos outros problemas: por exemplo, a destruição da indústria nacional fez com que ficássemos, no comércio exterior, mais dependentes das commodities – soja e minério de ferro, principalmente – no momento em que seu preço desaba no mundo todo: o preço do minério de ferro, entre janeiro e setembro, já caíra 17,9% e, o da soja, mais de 30%, em relação ao mesmo período do ano passado – v. os dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil e da Funcex).

    ELEITORADO

    Esse desastre não é algo de difícil percepção: a maioria do eleitorado já percebeu, e não há marketagem que possa transformar essas mazelas gravíssimas em seu oposto, quando as pessoas sentem a verdade, mesmo quando ainda não a compreenderam inteiramente.

    Pois, nem bem esfriaram os fogos de artifício, já o governo da senhora Rousseff anuncia um “ajuste” – aquela contração criminosa dos gastos públicos, com aumento de juros, desvio (quer dizer, “superávit primário”) de dinheiro público para os rentistas, arrocho salarial e outros atentados contra a Nação e o povo – para o início do próximo ano.

    Os norte-americanos chamam isso de “fiscal tightening” (ou seja, “aperto”, em vez de “ajuste”, fiscal). Têm razão, só restando dizer que o aperto é sempre – e tão somente – para os trabalhadores, a classe média e o empresariado nacional produtivo.

    Para bancos, multinacionais e alguns parasitas internos da economia (existem, dentro do Brasil, 60 mil famílias cuja atividade econômica central é amealhar juros astronômicos, enquanto 65 milhões de outras famílias pagam, de uma forma ou de outra – inclusive através dos impostos -, esses juros).

    O fato de que sucessivas “equipes econômicas”, cada uma mais boçal que a outra, fazem um “ajuste” desse tipo atrás do outro, há 30 anos, com o único resultado de pilhar a economia nacional e sacrificar o povo, não comove, pelo visto, a presidente reeleita.

    CARLOS LOPES

    Publicado por jagostinho @ 13:41



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