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  • 31out

    FOLHA.COM

    Enquanto eleitos montam suas equipes e antigos aliados tentam se entender após atritos na campanha, a eleição ainda não acabou em Içara, no sul de Santa Catarina.

    Num caso único no país, uma urna na cidade quebrou e não foi possível recuperar 287 votos do primeiro turno.

    De 8.755 urnas trocadas no Brasil neste pleito, apenas nessa houve esse problema, segundo a Justiça Eleitoral.

    Tentou-se de tudo dentro do previsto na lei eleitoral: transferiram a memória da urna para outras quatro urnas reservas, que não funcionaram.

    Trocou-se a memória da urna com defeito –nada.

    Alpino
    Urna que quebrou e perdeu 287 votos pode mudar eleição em SC. Natural de Içara, onde houve a pane, candidato a deputado não se reelegeu por 38 votos
    Natural de Içara, onde houve a pane, candidato a deputado não se reelegeu por 38 votos

     

    O impasse atrasou o fechamento da seção em duas horas –cerca de 60 eleitores desistiram e foram embora.

    Partiu-se então para a votação com cédula. Outros 43 eleitores votaram e tiveram os votos computados.

    Mas, como não foi possível recuperar os eletrônicos, a junta responsável pela seção 458 da 79ª Zona Eleitoral anulou os 287 votos anteriores.

    O episódio provavelmente passaria despercebido se não fosse por um detalhe.

    O deputado estadual Dóia Guglielmi (PSDB), que não se reelegeu por apenas 38 votos, é natural de Içara e teve uma média de exatos 38 votos nas outras três seções da escola da urna pifada (32 numa seção, 40 e 42 nas outras).

    Quem acabou eleito pela coligação foi o ex-deputado federal Dr. Vicente (PSDB), que tem base eleitoral no outro extremo do Estado e teve apenas três votos em Içara, onde Guglielmi foi o mais votado (obteve 4.489 votos, ou 15% do total da cidade).

    Resultado: representando a coligação PSDB-PEN, um advogado indicado pelo derrotado recorreu à Justiça Eleitoral e pediu uma perícia na urna.

    Se não for possível encontrar os votos fujões, solicitou de antemão a anulação da eleição naquela seção.

    No último dia 15, a juíza eleitoral Bárbara Thomaselli acatou o pedido e mandou fazer a perícia.

    “Tudo leva a crer que a contagem de todos os votos modifique sua situação [de Guglielmi]”, escreveu.

    Nesta semana, o Tribunal Regional Eleitoral de SC ratificou a decisão e aprovou uma audiência pública para realização da perícia na urna –que desde então está lacrada.

    Determinou ainda que técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acompanhem a audiência para, se preciso, tentar a última cartada: a decriptografia da urna –recuperação de dados previamente criptografados (ou seja, serão “desembaralhados”).

    Como o TSE não havia confirmado a participação até quinta (30), a data da audiência continuava em aberto.

    Enquanto isso, o deputado eleito Dr. Vicente não sabe se prepara a mudança de Jaraguá do Sul para a capital.

    “É uma situação desconfortável e estranha”, disse ele à Folha, pelo fato de sua própria coligação ter recorrido.

    Em nota, o PSDB-SC negou “qualquer atitude para privilegiar um candidato em detrimento de outro”.

    Disse que irá acatar a decisão judicial.

    Guglielmi não respondeu à Folha.

    Numa rede social, um correligionário compartilhou: “Anulação de 287 votos em Içara, baita sacanagem…. tem que ver isso”.

    Publicado por jagostinho @ 12:28



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