Publicidade


      Red Apple Cosméticos

      CPV - Centro Paranaense da Visão

      Hospital Cardiológico Costantini

      Hotel Carimã

Twitter @blogdojota


  • 02nov

    BLOG DO JOSIAS DE SOUZA/UOL

    Seis dias depois da abertura das urnas do segundo turno, pipocaram manifestações em pelo menos três capitais. A maior delas, em São Paulo, reuniu cerca de 2.500 pessoas.

    Pediram o impeachment de Dilma Rousseff. Alguns chegaram a defender a volta dos militares.

    PT e PSDB ainda não se deram conta. Mas patrocinaram em 2014 um processo de deseducação política que fez alguns brasileiros recuarem à fase pré-1964.

     

    O cantor Lobão participa de protesto na avenida Paulista, região centro-sul de São Paulo, contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). O grupo pede o impeachment de Dilma e o fim do PT (Partido dos Trabalhadores)

    O cantor Lobão participa de protesto na avenida Paulista, região centro-sul de São Paulo, contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). O grupo pede o impeachment de Dilma e o fim do PT (Partido dos Trabalhadores)

    Se a última campanha presidencial evidenciou alguma coisa foi que PT e PSDB consideram-se um ao outro desprovidos de senso moral. Discutiram mais a textura da lama de cada um do que planos para o país.

    A brigalhada entre os partidos ateou fogo às redes sociais. Atiçados por robôs e militantes remunerados, grupelhos anônimos destilaram na web uma histeria que saltou da tela do computador para se converter na principal marca da campanha.

    A ameaça de perder o poder e suas benesses fez com que o PT levasse às fronteiras do paroxismo a tática do ‘nós contra eles’. Rendido à marquetagem de João Santana, o partido fez da política um mero ramo da publicidade.

    O verbo da eleição foi desconstruir. Conjugando-o, Dilma prevaleceu sem se precupar com a autoconstrução. Derrotado por um placar apertado, o PSDB levou ao tapetão do TSE um pedido de auditoria das urnas sem pé nem cabeça.

    Eleita, Dilma vive a antecipação de 2015. Começa a colocar em prática a agenda econômica de Armínio Fraga, o ex-futuro-ministro da Fazenda de Aécio Neves.

    Para tentar deter uma inflação que a candidata dizia estar sob controle, o Banco Central elevou os juros. Para tapar o rombo nas contas públicas que o marketing disfarçava, a Fazenda prepara um ajuste fiscal de gelar os ossos.

    Eliminou-se o último exemplo que pais e mães poderiam dar aos filhos. Que dizer na hora das refeições de agora em diante? Não minta, meu filho. Olha que você acaba morando no Palácio da Alvorada!

    E pensar que ainda nem vieram à luz os depoimentos dos delatores premiados da Petrobras.

    Quanto ao PSDB, sempre foi um oposicionista capaz de tudo, menos de se opor. De repente, questiona na Justiça Eleitoral o resultado da eleição sem apresentar uma mísera prova de fraude.

    De uma legenda de oposição, espera-se que embarace o governo na base da fiscalização e cobrança, não na mão grande.

    O que o PSDB insinuou com sua petição ao TSE foi o mero desejo de puxar o tapete da presidente.

    Mal comparando o tucanato faz agora o que o petismo fazia, por meio da CUT, em 2001.

    Naquele ano, a máquina sindical do PT desfilava a faixa ‘Fora FHC’ em manifestações pelo país.

    O ‘Fora Dilma’ é a banalização dessa mesma retórica golpista.

    Pode interessar a muita gente, menos aos dois partidos que se servem da normalidade institucional para monopolizar as disputas presidenciais há duas décadas.

    Por sorte, a democracia brasileira é mais sólida do que o miolo mole de petistas e tucanos.

     Em tempos de Comissão da Verdade, o atalho dos quarteis caiu em desuso.

    Ainda assim, o flerte com a ruptura institucional é um abuso desnecessário. Melhor aposentar essa retórica de fim do mundo que ganha as ruas.

    A moderna política brasileira já viveu um Apocalipse. Deu-se na época de Fernando Collor.

    Ficou demonstrado que a saída passa pelas vias institucionais, não pelo golpe.

    O asfalto é sagrado. Merece mais respeito.

    Publicado por jagostinho @ 09:34



Os comentários NÃO representam a opinião do Blog do Jota Agostinho. A responsabilidade é EXCLUSIVA do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

Deixe um comentário

Por favor, atenção: A moderação de comentário está ativa e pode atrasar a exibição de seu comentário. Não há necessidade de reenviar o comentário.