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  • 09nov

    VEJA.COM/Marcelo Sakate

    O espaço de manobra da presidente reeleita é restrito. Para que seu novo mandato tenha sucesso, ela precisa, paradoxalmente, esquecer os dogmas de seu partido e suas próprias convicções econômicas e executar o projeto do adversário que derrotou nas urnas

    PALÁCIO DA ALVORADA - 28 de outubro, dois dias depois de reeleita

    PALÁCIO DA ALVORADA – 28 de outubro, dois dias depois de reeleita      (Ueslei Marcelino/Reuters)

    Mateus, o evangelista, registrou em um tom que soa mais como ameaça do que mesmo conforto: “Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra”.

    Dilma pediu votos e os recebeu e, agora de volta a sua sala no Palácio do Planalto, guardada por três imagens de Nossa Senhora Aparecida, encontrou o que buscou com tanta volúpia na campanha eleitoral: o segundo mandato.

    Antes mesmo que ele comece, porém, a presidente está sentindo os primeiros efeitos de pedir mal, como alertou outro apóstolo, Paulo.

    Dilma viu Aécio Neves, o candidato que ela derrotou, ser recebido em triunfo em Brasília, aclamado como líder, enquanto ela se isolou no Palácio, com a melancolia de quem não tem o que comemorar verdadeiramente por, talvez, não ter perguntado a si mesma antes, não “como” ganhar as eleições, mas “por quê” e “para quê”.

    Reeleita, ela ainda não tem as respostas, e, por isso, depois de abertas as urnas, a presidente parece fechada em um labirinto.

    Seu espaço de manobra é restrito. De um lado, a economia colhe resultados ruins que, em grande parte, ela mesma plantou.

    De outro, os problemas políticos são maiores, com desconfianças insufladas em seu próprio partido, o PT, e ambições magnificadas entre os aliados.

    Para retomar o comando político, Dilma terá de ceder na economia, liberando as energias do mercado, cortando gastos, aliviando o peso do Estado sobre os ombros dos brasileiros.

    No fundo, ela tem de esquecer os dogmas de seu partido e suas próprias convicções econômicas e executar o projeto que ela derrotou nas urnas — o do seu adversário Aécio Neves.

    Na semana passada, a presidente, em entrevista aos principais jornais do país, acenou com a promessa de ajustes: “Vamos fazer o dever de casa. Vamos apertar o controle da inflação.”

    O Banco Central, logo depois da eleição, elevou a taxa básica de juros, a Selic, para 11,25% ao ano, justificando a decisão com a ameaça de que a alta nos preços superasse os limites da meta oficial.

    Até outro dia, a então candidata afirmava que eram os tucanos que “plantavam inflação para colher juros”.

    Na sexta-feira, a Petrobras reajustou o preço da gasolina e do óleo diesel, em outra medida impopular que, apesar de urgente, foi jogada convenientemente para depois das eleições.

    Esses ajustes, que poderiam ser classificados de “estelionato eleitoral”, apesar de a presidente rejeitar tal classificação, eventualmente podem sinalizar um mea-culpa, o reconhecimento de que o quadro econômico não é na realidade tão favorável quanto aquele apresentado anteriormente.

    Dado o volume de desequilíbrios acumulados, entretanto, esses ajustes são ainda tímidos e insignificantes para restabelecer a confiança dos empresários e dos investidores, e sem essa confiança negócios deixam de ser feitos, projetos não saem do papel e a economia não cresce de maneira saudável e sustentável.

    Publicado por jagostinho @ 11:44



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Uma resposta

WP_Cloudy
  • LEO Disse:

    Voltei Jota, para alegrar todos os comissionados que estão apavorados com a perspectiva de ficar sem o 13º; eles que não se preocupem, tio ¨rossoni agressor de professores¨ diz que vai pagar todo mundo, enquanto betinho salga aquele corpitxo lindo e depilado; falou que só falta vender mais algumas ações da copel, da sanepar, vai pegar uma grana do Paraná fomento e todo mundo ficará feliz ! Estou assustado com a preocupação da veja, com o ISOLAMENTO da querida presidentA; será que a melhor revista de informações do país ( minha assinatura ja cortei ) não morre de inveja e não desejaria este isolamento pro bundinha cheirador?

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