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  • 21nov

    REINALDO AZEVEDO 2REINALDO AZEVEDO/FOLHA DE SÃO PAULO

    A máfia é uma organização criminosa privada que busca se apoderar do Estado, infiltrando-se na política, na polícia e na Justiça. O alvo são os negócios. No Brasil, assistimos a algo um pouquinho diferente.

    Primeiro a “organização” se encarregou de dominar aparelhos influentes: universidades, movimentos sociais, imprensa etc., promovendo a guerra cultural, de modo a subverter valores comezinhos.

    Depois veio o domínio do aparelho de Estado, por meio de eleições. A exemplo da máfia tradicional, o alvo também eram os negócios.

    É claro que me refiro ao PT. Os tolos tendem a baratear a crítica, inferindo que se trata de um juízo conspiratório a acusar a existência de um órgão inteligente a orientar as etapas de uma conquista.

    Nunca vislumbrei no petismo uma inteligência nem superior nem inferior. Não se trata de uma inteligência, mas de uma natureza.

    Qual natureza? A da justificação do mal –e, nesse particular, os petistas são, sim, legítimos herdeiros do marxismo como existiu.

    É preciso quebrar ovos para fazer omelete, na metáfora que Nadejda Mándelstam, mulher do poeta dissidente Ossip Mándelstam, empregou para definir o stalinismo.

    Para os companheiros, só existe uma pergunta virtuosa: “Tal ação fortalece o PT?” Se a resposta for “sim”, inexiste solução moralmente errada.

    O partido se lançou no mercado de ideias como socialista. Simulava certa honestidade de propósitos. E percebeu que o capitalismo no Brasil, dado o tamanho do Estado, comporta uma espécie de ente de razão a orientar seus desígnios.

    Na terra da pororoca, da jabuticaba e da penca de estatais, a ordem capitalista repudia a destruição criadora em favor da construção sem imaginação de potentados estado-dependentes, que se tornam intermediários da extorsão, que pesa, de fato, nos ombros do povo.

    Quanto mais se robustece o poder estatal, mais influentes se tornam os corruptos. Aí a OAB e o STF –com a possível exceção de Gilmar Mendes–, tiveram uma ideia asnal: banir o mercado do financiamento de campanhas eleitorais e meter ainda mais Estado na história.

    Por alguma razão estranha ao cérebro humano, os doutores acham que, caso se proíbam as doações LEGAIS, terão fim as doações ILEGAIS e o sobrepreço de obras.

    A imprensa embarca quase toda nessa porque jornalistas não costumam ser íntimos de lógica e matemática, dois saberes reacionários.

    É preciso recuperar a cadeia virtuosa da civilização que importa: menos Estado, menos corrupção, menos pobreza, mais liberdade.

    Ou é isso, ou o PT ainda se orgulhará de 100 milhões de pessoas no Bolsa Família, enquanto R$ 21 bilhões da Petrobras desaparecem no ralo da sem-vergonhice.

    E mais descarados são os que usam a cara matéria-prima dos jornais para explicar a metafísica dos safados.

    Nesta segunda, a partir das 18h30, lanço na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, o livro “Objeções de um Rottweiler Amoroso”.

    Apareçam lá. É uma publicação do selo editorial Três Estrelas, da Folha.

    Não importa o cachorro que tentaram fazer de você, mas o que você fez do cachorro que tentaram fazer de você.

    “I waited so long for this moment/ Susanna, Susanna,/ She says I think I’d better go/ She says goodbye and I say… NO!/ Susanna, I’m crazy loving you.”

    Afinal, um rottweiler amoroso!

    Publicado por jagostinho @ 11:37



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