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  • 28nov

    GAZETA DO POVO

    JOSE PIO MARTINSJOSÉ PIO MARTINS  *

    O filósofo escocês Thomas Carlyle, que era mais um historiador e professor, viveu nos anos difíceis de 1795 a 1881.

    Carlyle viveu 86 anos, uma raridade para aquela época, tempo suficiente para assistir à passagem da humanidade de uma vida rural regada a pobreza e doença para a explosão de produtividade provocada pela Revolução Industrial.

    Esta significou a transição para novos métodos de manufatura, entre 1760 e 1830, cuja essência foi a substituição da produção artesanal pela introdução de máquinas, novos produtos químicos, evolução na fabricação de ferro, mais eficiência energética e a expansão no uso da máquina a vapor.

    A Revolução Industrial traçou uma linha divisória na história e modificou profundamente quase todos os aspectos da vida cotidiana da época.

    O crescimento sem precedentes na produção por habitante e a elevação da renda média foram dois eventos que, de repente, descortinaram a possibilidade de a humanidade sair do estado natural de pobreza.

    Até então, a vida humana era uma luta sofrida para atender as três necessidades mais simples: alimento, abrigo e repouso.

    Esta é a questão essencial: o simples ato de comer duas vezes ao dia era, até 180 anos atrás, uma verdadeira proeza, que exigia de todos, inclusive das crianças, trabalho duro, extenuante e sob condições precárias.

    A Revolução Industrial e o capitalismo mostraram ao homem que essa tragédia de sofrimento e dor podia ser superada.

    As possibilidades derivadas da explosão produtiva do novo modo industrial foram tantas e tão grandiosas que pensadores começaram a exigir a redução do sofrimento humano que já vinha do velho sistema feudal e se tornou mais visível nas fábricas nascentes.

    Foi justamente a evolução econômica resultante da Revolução Industrial e do capitalismo que permitiu a Karl Marx erigir críticas pesadas e bem fundamentadas à exploração do trabalho infantil e das mulheres.

    Em 1848, Marx lançava seu Manifesto Comunista, no qual condena as mazelas do capitalismo.

    Porém, Marx não era bobo e reconheceu que o grande aumento da produtividade/hora do trabalho somente foi possível pela incorporação do progresso tecnológico e do modo de produção capitalista.

    Atualmente, no Brasil, é longa a lista de pessoas e políticos (geralmente desprovidos de instrução formal em economia) que acham ser possível fazer a felicidade de todos apenas tirando de alguns (os que produzem) e dando a outros (os desprovidos).

    Mas não nos iludamos: não são apenas os desprovidos que pedirão seu sustento à sociedade.

    Os demais – o funcionário público mal pago, o burocrata de alto salário, os políticos, os ricos, os empresários –, todos tentarão tirar algo da sociedade, e o farão atirando-se contra o tesouro público, cuja única fonte de renda é o imposto retirado de todos.

    O esporte preferido dos políticos é prometer mais benefícios e mais distribuição, sem perguntar de onde virá a produção.

    Foi justamente por perceber, depois de estudar economia, que a bondade humana não basta para a superação da pobreza (pois um povo não come o que não produz) que Carlyle caiu em tristeza e disse que a economia é uma ciência melancólica.

    Sem aumento da produção, nenhuma ação política é capaz de prover as necessidades básicas de alimento, moradia, educação, saúde e segurança.

    Até Karl Marx (que era muito melhor que os marxistas) reconheceu isso, em sua obra A Ideologia Alemã, ao dizer que “enquanto não houver aumento da produtividade capaz de gerar abundância, a luta pela redistribuição será apenas uma briga pela die alte Scheisse [a velha merda]”.

    *  José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.

    Publicado por jagostinho @ 14:51



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