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  • 01fev

    Companheiros e Companheiras,

    Envio matéria de autoria de Carlos Lopes, Vice-Presidente do PPL, publicada no jornal Hora do Povo, edição de 30 de janeiro de 2015 a 03 de fevereiro de 2015.

    Mario Bacellar Filho

    Presidente do PPL/PR

    HORA DO POVO JANEIRODilmistas e tucanos deixaram o Sudeste sem água e sem luz

    Estavam tão preocupados em encher os bolsos que faltou tempo para as obras que iriam encher as represas

    Desde 2009, sem que houvesse falta de chuvas, o governo sabia que a geração das hidrelétricas, principal setor do sistema elétrico, não estava acompanhando o aumento do consumo – a defasagem entre a variação de uma e de outro aumentava a cada ano.

    Portanto, se não fosse tomada alguma providência, a crise energética viria inapelavel-mente.

    Dilma, a quem esteve entregue o setor desde o início do governo Lula, nada fez – e nem as hidrelétricas iniciadas por Lula foram até hoje completamente terminadas.

    Em São Paulo e no Rio, a população se defronta com o colapso dos serviços de água e energia.

    Os tucanos paulistas deixaram milhões sem uma gota de água encanada – não houve, desde que estão no governo, qualquer obra que expandisse o abastecimento.

    Os reservatórios são os mesmos de há 30 anos e a perspectiva é ter água duas vezes por semana.

    Parceria dilmista-tucana põe estados do Sudeste no caosSem luz e sem água. Obras que resolveriam o problema estão paradas ou muito lentas

    Disse a presidente Dilma, em seu paulificante discurso na reunião ministerial de terça-feira que os problemas de energia e de “água (…) e de forma muito específica na região Sudeste” se devem ao “pior regime de chuvas de que se tem registro histórico no Brasil”.

    Apesar de ser uma tremenda estudiosa de coisa nenhuma, que fala pelos cotovelos sobre aquilo de que não tem a menor ideia, não é possível que algum assessor não a tenha avisado que 2014 não foi o pior ano, desde que se tem registro, quanto ao regime de chuvas.

    Nos anos de 1953, 1954, 1955, 1964 e 1971 choveu menos que em 2014. Em São Paulo, choveu menos em 1934, 1936, 1937, 1938, 1939, 1941, 1943, 1953, 1954, 1955, 1964 e 1969 (dados do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP).

    Portanto, ela está mentindo. Quer transferir para a natureza ou para Deus – ou para São Pedro, que seja – uma culpa que é sua. Mas isso é um sacrilégio.

    Por mais que Deus esteja furioso com ela e seu governo – razões não faltam -, não teria porque punir o povo brasileiro. Ele não provocou o “pior regime” de chuvas. O pior regime é mesmo o da senhora Rousseff.

    RACIONAMENTO

    A solidariedade de Dilma com os tucanos paulistas é porque ela e eles são muito parecidos: depois de Alckmin jurar, antes das eleições, que não haveria racionamento de água, agora a Sabesp, a companhia estadual de águas, anunciou que “estuda” fornecer água por apenas dois dias na semana – e já restringiu o fornecimento diário a seis horas.

    Não vai ter racionamento. O que vai ter é falta d’água.

    Lembramos de duas ou três gerações de cariocas que chamavam água de “precioso líquido”, por razões óbvias. Mas, é claro, hoje é diferente.

    Infelizmente, não é não. Desde segunda-feira, mais um dos quatro reservatórios que abastecem o Rio foi declarado sem “volume útil”. É o segundo a esgotar seu “volume útil” em uma semana.

    E, no Rio, os reservatórios que abastecem a cidade de água são, também, reservatórios de hidrelétricas, ou seja, abastecem-na, também, de energia.

    Como isso apareceu agora? É claro que não foi de repente. Mas, como disseram vários jornalistas, “nem se falou em água ou energia na campanha eleitoral”, enquanto os reservatórios secavam.

    Estamos diante de uma regressão gigantesca – não somente quanto à energia e à água, mas, moral. Houve até um sujeito que descobriu que a última campanha da senhora Rousseff estabeleceu um “novo paradigma” para as campanhas eleitorais – ou seja, a falta de vergonha, a ocultação da verdade, a mentira grosseira, e o uso desbragado do poder financeiro, agora são “paradigmas”…

    Na quinta-feira, 22 de janeiro, o sistema de abastecimento de água na maior cidade do país entrou em colapso. Milhões de pessoas ficaram, por dias, sem uma gota de água encanada.

    Pior, graças ao atual ministro das Cidades, o austero Kassab, quando prefeito de São Paulo, os caminhões-pipa foram proibidos de trafegar antes da meia-noite pelas ruas da capital paulista.

    Se nos bairros de classe média foi o caos – e cheirava mal esse caos -, nos bairros populares beirava-se o Inferno sem que ninguém, ou ao menos a maioria, tivesse pecado tanto para merecê-lo. O que estendeu-se pelas demais cidades da Região Metropolitana e no interior.

    Quanto à energia, ela já parece estar em colapso no Brasil todo – basta chover para desaparecer, e, às vezes, não precisa chover.

    Em São Paulo, o governo federal sustenta uma empresa estrangeira que, devido aos tucanos, tomou a estatal do setor sem gastar dinheiro.

    Desde outubro, aliás, a AES Eletropaulo está sob investigação do Ministério Público por“abusividade ao fazer o corte não programado de energia em regiões nas quais o corte programado também ocorreria (“cortes programados” e “cortes não programados”? A que ponto chegamos…), ultrapassando o limite legal de interrupção [o que] evidencia violação ao princípio da boa-fé objetiva, que rege as relações contratuais e as de consumo”.

    Como disseram vários especialistas, é um estelionato culpar a falta de chuvas por essa esculhambação geral: “O sistema de chuvas funciona de acordo com ciclos da natureza. Esses ciclos de secas e enchentes – chamados ciclos hidrológicos – ocorrem naturalmente. Nosso sistema de abastecimento de água, portanto, deveria ser sido feito de forma a prevê-los e superá-los.

    Não é o que aconteceu”, declarou o professor Júlio Cerqueira César Neto, um dos mais conceituados especialistas na área.

    “O governo não investiu na ampliação de mananciais, são os mesmos de 30 anos atrás. Nesse período, a população cresceu em 10 milhões de pessoas, saltou de 12 milhões para 22 milhões. O nosso problema não é falta d’água. É falta de investimento para ampliar o sistema como foi feito anteriormente com o Cantareira e que nos deixou em 1985 numa situação de abastecimento de gente civilizada” (cf. HP, 28/03/2014).

    A mesma coisa aconteceu com a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, após a privatização de Fernando Henrique, que ele foi obrigado a parar após o apagão de 2001 – mas que foi mantida e remendada pela então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, em 2004.

    Em excelente artigo publicado recentemente pelo Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (ILUMINA), o engenheiro Roberto Pereira D’Araujo, escreve:

    “Evidentemente, se tivéssemos mais usinas, mesmo sem reservatórios, o esvaziamento de cada uma seria menor. Portanto, (…) o sistema está subdimensionado” (grifo no original).

    Porém, nenhuma hidrelétrica, nesse governo, é terminada. Iniciadas no governo Lula, Santo Antonio, Jirau e Belo Monte ainda não ficaram prontas, exceto no programa de TV da candidata Dilma Rousseff.

    Fora dele, os atrasos se arrastam por longos anos, como o clube do bilhão arrastou as obras em Abreu e Lima.

    Para que terminar? Para não ter pretexto de pegar alguns bilhões no BNDES ou por superfaturamento? Ninguém estranhará, depois do que aconteceu na Petrobrás, que se possa desconfiar de coisas parecidas em outros lugares.

    SISTEMA

    Há muitos anos, disse o presidente Juscelino Kubitschek: “Nunca deixei uma obra pela metade. O que projeto, faço”.

    É verdade. Como ficou provado ao longo de mais de uma década de agruras, Juscelino era não somente um homem honrado, como detestava camarilhas corruptas.

    Deve ser por isso que, além de Brasília e outras inúmeras obras, iniciou e terminou Furnas e Três Marias, aumentando em 56% a capacidade de geração elétrica do país.

    No entanto, como mostra D’Araujo, desde 2009 o sistema hidrelétrico tornou-se, cada vez mais, insuficiente para o consumo do país, sem que houvesse “crise hídrica” alguma. Nem assim essas outras hidrelétricas ficaram prontas ou foram construídas outras.

    Os mesmos dados esclarecem porque o remendo de Dilma no modelo tucano pareceu funcionar: “A aparente folga no período 2001-2007 foi proporcionada em grande parte pela retração do mercado ocorrida após o racionamento [de 2001].

    Quanto às perspectivas para o futuro:

    “O dado de dezembro de 2014 mostra uma reserva equivalente a pouco mais de 1 mês de consumo. Portanto, o risco de racionamento é real, pois as nossas térmicas só podem atender cerca de 30% da carga.

    Bastaria o grupo hidráulico e outras fontes não conseguirem atender o resto para termos um racionamento. (…) Níveis baixos de reservatório afetam a capacidade das usinas hidráulicas gerar sua potência nominal, necessária na hora da ponta do consumo.

    Portanto, o apagão de 19/01 está completamente relacionado à situação da reserva baixa” (grifos do autor).

    CARLOS LOPES



    Publicado por jagostinho @ 12:06



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