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  • 07fev

    VEJA.COM

    Testemunha-chave relata propinas de até 10% na BR Distribuidora

     

    Ex-funcionária da área financeira da Arxo Industrial do Brasil afirmou ainda que ‘foi diversas vezes enviada para levar pacotes ou malas contendo dinheiro’

     

    Apreensões da 9ª fase da Operação Lava Jato

    Apreensões da 9ª fase da Operação Lava Jato (Polícia Federal/Divulgação)

    Uma ex-funcionária da área financeira da Arxo Industrial do Brasil – novo alvo da Lava Jato no esquema de corrupção na Petrobras – afirmou ao Ministério Público Federal que constatou saques em espécie de até 7 milhões de reais para pagamentos suspeitos que perduraram na BR Distribuidora mesmo depois da descoberta da existência de cartel de empreiteiras e pagamentos de propinas a políticos na estatal petrolífera.

    A BR Distribuidora é subsidiária da Petrobras, responsável pela rede de postos de vendas de derivados.

    “Em 24 de setembro de 2014, o senhor Sérgio (Maçaneiro, diretor Financeiro da Arxo) fez a retirada do caixa da empresa um total de 7.088.304,57 reais, para a realização de pagamentos suspeitos”, afirmou ela ao apontar quatro movimentações suspeitas, registradas por ela.

    A Arxo, com sede em Santa Catarina, fornece tanques aéreos e subterrâneos e caminhões tanques para a BR Distribuidora.

    A ex-gerente financeira trabalhou na empresa de janeiro de 2012 e novembro de 2014. Nesse período, a testemunha afirma ter presenciado pagamentos de propina de 5% a 10% e registrou boa parte das movimentações suspeitas.

    “Para obter os contratos, a Arxo receberia informações privilegiadas da Petrobras e efetuaria o pagamento de vantagem indevida de 5 a 10% do total do contrato a empregados da referida empresa (BR Distribuidora)”, informou a ex-funcionária.

    A figura central dessa nova frente de investigação procurou a força-tarefa do Ministério Público Federal em 15 de janeiro.

    Ela apontou e reconheceu o operador da propina no caso dos contratos da Petrobras, Mário Goes.

    “Mário Goes seria o intermediador das propinas, conforme reconhecimento fotográfico efetuado pela testemunha e identificação de seu nome na contabilidade informal da empresa (“GOIS”)”, registrou o MPF ao pedir a prisão preventiva do acusado.

    Foi por meio dele que a Lava Jato estabeleceu a conexão entre o esquema investigado nas Diretorias de Serviço, Abastecimento e Internacional, que arrecadaria propina para os partidos da base do governo — PT, PMDB e PP.

    Goes foi um dos operadores de propina do ex-diretor de Serviços Renato Duque, segundo apontou o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco, que era seu braço direito e fez delação premiada com a Lava Jato.

    A ex-funcionária afirmou ainda que, nos dias anteriores à vinda dele (Mário Goes), procediam-se todas as movimentações na empresa para gerar dinheiro em espécie.

    “Inclusive a depoente auxiliava a colocar o dinheiro em envelope, sendo que algumas oportunidades viu que Goes saia da empresa com um envelope debaixo do braço”.

    Segundo a testemunha, o suposto operador ligado a Duque e Barusco foi visto por ela pela última vez no ano passado. Goes foi o único a ter prisão preventiva decretada e está foragido.

    A ex-gerente financeira montou para a força-tarefa da Lava Jato um quadro da divisão de tarefas no esquema de propina envolvendo a Petrobras, que teria atuado até 2014.

    Os sócios-dirigentes da Arxo Gilson João Pereira e João Gualberto Pereira Neto coordenavam o pagamento da propina. Os valores seriam entregues “a cada dois ou três meses, a Mario Goes, na própria Arxo”.

    “Eventualmente, o dinheiro seria levado pelo diretor financeiro Sérgio Ambrósio Marçaneiro até Mario Goes no Rio de Janeiro”, contou a ex-funcionária.

    Em detalhes ela apontou a “responsável pela movimentação das contas da empresa” que “teria conhecimento da propina”, indicou o “programa contabilidade Proteus da empresa, com registro, no caixa 2, das movimentações ilícitas” e os funcionários responsáveis por ele.

    Ela também encaminhou a lista de notas frias emitidas pela empresa para justificar a propina.

    Propina e medo – As revelações da ex-gerente, que espontaneamente procurou a força-tarefa da Lava jato e foi ouvida no dia 15 de janeiro, apontam um esquema de propina em outras áreas, sonegação fiscal e medo de ameaças.

    A testemunha afirmou ainda que “foi diversas vezes enviada a lugares que não na empresa, inclusive na Receita Federal de Florianópolis, para levar pacotes ou malas contendo dinheiro”. “Sempre acompanhada de um policial civil, na função de segurança.”

    A ex-gerente afirmou ter sido ameaçada.

    “Devido a questionamentos referentes a pagamentos em espécie a pessoas que não faziam parte da folha de pagamento de funcionários ou fornecedores, fui advertida a ficar calada, como continuei a questionar, passei a ser ameaçada de morte.”

    Lavanderia – Com base nas revelações da testemunha e com apoio da Receita Federal, a Lava Jato chegou às empresas usadas para “disfarçar os pagamentos” de propina com “notas fiscais frias”:

    RPK Comercial Eireli- ME, Transportadora Cedense Ltda., Linkcom Comercial Ltda., Metalsinter Indústria e Comércio de Filtros e Sintetizados Ltda., RTN – Consultoria e Representações, MTX Equipamentos, PL Costa Serviços Administrativos Ltda. e AFB Sistemas Ambientais e Informática Ltda – ME.



    Publicado por jagostinho @ 09:13



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