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  • 24jun

    DIÁRIO DO PODER

    PAULO ROBERTO REVELA ACERTO COM DIRETOR DA ODEBRECHT PARA NEGOCIAR PROPINAS
    ALEXANDRINO NEGOCIOU PROPINA EM NOME DA ODEBRECHT, DIZ DELATOR

    ALEXANDRINO, CUJA PRISÃO FOI PRORROGADA, É PRESIDENTE DA ODEBRECHT INTERNACIONAL. (FOTO: LUCIANA PREZIA/ESTADÃO CONTEÚDO)

    O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa detalhou em depoimento prestado ontem à Polícia Federal o pagamento de propina de US$ 5 milhões por ano pela petroquímica Braskem – empresa que tem a Odebrecht como sócia da Petrobrás – intermediado pelo diretor demissionário da Construtora Norberto Odebrecht Alexandrino Ramos de Alencar.

    Primeiro delator da Operação Lava Jato, ele revelou que o doleiro Bernardo Freiburghaus, acusado de operar propina para a empreiteira, foi quem cuidou dos depósitos em contas secretas mantidas na Suíça.

    Alexandrino Alencar trabalhou na Braskem de 2002 a 2007, quando foi transferido para a holding da Odebrecht.

    Até a noite de anteontem, ele era diretor de Relações Institucionais da empreiteira.

    Após a empreiteira confirmar a demissão do diretor, sua prisão temporária de cinco dias foi prorrogada por mais um dia pelo juiz Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato em Curitiba.

    Segundo Costa, ele, Alexandrino Alencar e o ex-deputado José Janene (morto em 2010) negociaram o pagamento das propinas da Braskem em um hotel na capital paulista.

    De acordo com o delator, o esquema de propinas teria perdurado de 2006 a 2012 com a atuação de Freiburghaus no exterior.

    “Um percentual deste montante (propina) era destinado a sua pessoa (Paulo Roberto Costa), tendo recebido valores junto a suas contas mantidas na Suíça por meio do operador Bernardo Freiburghaus”, relatou Costa no seu depoimento.

    Freiburghaus, que mora na Suíça, é tratado pelos investigadores como peça-chave para a descoberta do suposto envolvimento da Odebrecht no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás.

    Ele é considerado foragido pela força-tarefa e foi apontado por pelo menos três delatores como o responsável pelas movimentações da empreiteira fora do País.

    O próprio Alexandrino Alencar, em depoimento a investigadores anteontem, admitiu que tratou de doações da Braskem ao PP em encontros com Janene, o doleiro Alberto Youssef e Costa em hotéis de São Paulo.

    De acordo com o executivo, as “tratativas” foram interrompidas após Janene ser citado no escândalo do mensalão, que veio à tona em 2005.

    Alexandrino Alencar, contudo, nega que tenha tratado de propinas nas reuniões.

    Ele afirmou que cuidava de doações eleitorais da empreiteira e admitiu que, a partir de 2007, participou de reuniões na casa de Janene, em São Paulo, para “tratar de assuntos políticos, inclusive quanto a quem a Odebrecht iria apoiar politicamente”.

    Ainda segundo o executivo, as doações ao PP e a “alguns candidatos”, que ele não detalhou, em 2008 e 2010 foram definidas a partir desses encontros.

    O executivo já admitiu que o “carregador de malas” de Youssef Rafael Ângulo Lopez foi à sede da Odebrecht umas “quatro ou cinco” vezes.

    Com bom trânsito entre políticos, Alexandrino Alencar acompanhou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagens internacionais a serviço da Odebrecht.



    Publicado por jagostinho @ 10:26



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