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  • 04jul

    VEJA.COM

    Moro: ‘A Justiça, quando tarda muito, não é completa’

     

    Juiz afirmou que é preciso reforma para que o sistema passe a funcionar de maneira eficaz.

    Ele defendeu a importância de tornar processos públicos

     

    O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo julgamento das ações em torno da Lava Jato, é um dos palestrantes desta sexta-feira do 10º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)
    Sérgio Moro: prisões na Lava Jato são exceção(Nelson Antoine/Frame/Folhapress)

     

    O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato em primeira instância, classificou nesta sexta-feira as prisões efetuadas no âmbito da operação como exceções – e defendeu a importância de tornar públicas as informações contidas nos processos, sobretudo nos casos que envolvem crimes contra a administração pública.

    Durante palestra no 10º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo, o magistrado também fez criticas à morosidade do Judiciário brasileiro, e afirmou:

    “A Justiça, quando tarda muito, não é uma completa Justiça”.

    Moro afirmou que casos como o da Lava Jato e o julgamento do mensalão não podem chamar a atenção como raros exemplos de bom funcionamento do Judiciário.

    “O sistema tem de funcionar como regra. Deve haver uma reforma para que esses casos não sejam exceções”, afirmou.

    “Nossos sistema é muito lento,ineficiente e moroso”, disse o juiz. “É ainda mais ineficiente em relação ao crime de colarinho branco”, prosseguiu.

    “Precisamos mudar o sistema legal do país”.

    O juiz falou das críticas que recebe em relação a quantidade de prisões que decreta.

    Segundo ele, manter investigados na carceragem da PF em Curitiba não é um procedimento corriqueiro da investigação.

    Moro afirmou que analisa as prisões que ocorreram até aqui na Lava Jato como exceções neste processo.

    Ele disse ainda que as decisões são sempre fundamentadas e salientou que, como juiz de primeira instância, está “na base do sistema” – há possibilidade de recursos, lembrou.

    O juiz também falou dos ataques pessoais que sofre de setores insatisfeitos com os rumos da Lava Jato.

    “Não sou uma besta-fera”, disse o magistrado. “Me assusta o baixo nível do debate”.

    O magistrado negou que haja “vazamento seletivo” de informações. Segundo ele, tornar os processos públicos é um dever constitucional.

    “Processos que envolvem crimes contra a administração pública devem ser mais públicos ainda, para que haja escrutínio da ação da Justiça”, afirmou.

    Segundo o magistrado, informação é poder, e esse poder deve ser democratizado. O juiz também criticou a existência de foro privilegiado a políticos com mandato.

    “Os governantes têm mais responsabilidade que os governados”, disse.

    Questionado sobre o argumento de que os efeitos da Lava Jato estão comprometendo a saúde financeira das empreiteiras, o que pode ocasionar desemprego, o juiz recorreu a um ditado:

    “O policial que encontra o corpo não é culpado pelo homicídio”.

    E prosseguiu: “O custo da solução é alto, mas qual seria o custo da continuidade dos atos criminosos?”.



    Publicado por jagostinho @ 13:17



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3 Respostas

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  • Lourdes Disse:

    Que Deus ilumine e as forças do bem protejam este homem e sua família, pois seu trabalho é um exemplo pro mundo. Vida longa Moro.

  • Renato Faustino Disse:

    O Juiz Moro é um patriota. Que bom seria se tivessemos no Judiciário brasileiro mais Moros. Mas, com Tófoli e outros omissos e coniventes quase sempre o resultado final decepciona os brasileiros.

  • Narbal Disse:

    Mesmo sendo espécime rara Moro é o início de um novo Brasil com uma nova justiça.

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