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  • 16jul

    BEM PARANÁ

    Ney_BemParana_ValquirAureliano

    No início do ano, o deputado estadual Ney Leprevost (PSD) surpreendeu ao romper com o grupo político do governador Beto Richa (PSDB), depois que a administração estadual decidiu mexer com o fundo de aposentadoria e pensão dos servidores públicos do Paraná.

    Ao mesmo tempo – apesar de seu partido integrar a base da presidente Dilma Rousseff no plano nacional – manteve-se como uma das principais vozes críticas à administração federal e ao PT.

    É justamente como “franco-atirador” – livre dos compromissos com os grupos políticos que comandam hoje os governos federal, estadual e municipal – que Leprevost se sente pronto para apresentar-se como pré-candidato à prefeitura de Curitiba nas eleições de 2016.

    Até porque, na sua avaliação, com o desgaste sofrido nacionalmente tanto pelo PT, quanto pelo PSDB no plano estadual, e pelos baixos índices de aprovação do atual prefeito, Gustavo Fruet (PDT), a eleição na Capital paranaense estaria aberta a nomes novos, que saibam se colocar como alternativa aos eleitores decepcionados com a política tradicional.

    Bem Paraná – Há pouco menos de um ano do início da campanha eleitoral, qual a avaliação que o senhor faz do cenário da disputa em Curitiba?
    >>>   Ney Leprevost – O cenário da eleição para prefeito de Curitiba está completamente aberto, na minha opinião. Hoje é um cenário indefinido.

    É evidente que você tem, como sempre, o prefeito (Gustavo Fruet) na condição de favorito, em que pese uma elevada desaprovação à sua gestão.

    E tem nomes novos que podem se colocar no páreo com chances de vitória. O prefeito ter ou não alguma possibilidade de vencer vai depender de duas coisas.

    Em primeiro lugar dele melhorar muito a gestão, porque existem reclamações – que não são poucas – em relação à saúde pública; em relação às ruas que estão esburacadas, à manutenção das praças, parques, espaços públicos.

    Você vê que Curitiba está até certo ponto mal cuidada.

    BP – As pesquisas mostram um descontentamento generalizado com a administração, mesmo que se poupe a figura pessoal do prefeito, é isso?
    >>>   Leprevost – Exatamente. Até porque ele tem um nome respeitado, foi um bom deputado federal, é uma pessoa que até que se prove em contrário, não tem envolvimento com a corrupção revelada até agora nos mais diversos setores.

    E ele é uma pessoa agradável, respeitador. Mas a gestão é muito criticada. É considerada, pelas pessoas que acompanham mais de perto, ineficiente.

    BP – O atual prefeito alega que herdou muitas dívidas do antecessor e enfrenta uma crise econômica nacional.
    >>>   Leprevost – Mas já passou um bom tempo. Já dava tempo de ter melhorado. Esse argumento de ‘herança maldita’ serve para ganhar tempo no primeiro ano.

    Depois as pessoas querem resultados práticos. Por outro lado, me parece que um dos erros cometidos foi abrir mão de técnicos que estavam há muito tempo na prefeitura e que entrava prefeito, saía prefeito, estavam em uma posição importante.

    Você não pode abrir mão, por exemplo, de um Luiz Fernando Jamur (ex-secretário Municipal de Governo), para mencionar um nome.

    Mesmo ele tendo sido uma pessoa de confiança do prefeito Luciano Ducci (PSB).

    Dizia-se antigamente que a máquina da prefeitura de Curitiba andava sozinha. Essa máquina parou de andar sozinha.

    Me parece que um dos motivos foi a exclusão de técnicos que faziam essa máquina andar. Eles conheciam Curitiba como a palma da mão.

    BP – As acusações de corrupção contra o PT – aliado do prefeito – também podem influir na eleição?
    Leprevost – Sim. Uma outra coisa que atrapalha o prefeito e deve ser explorado pelos outros candidatos é o vínculo estreito com o PT. As pesquisas mostram que o curitibano tem uma das maiores rejeições do País ao PT.

    Pré-candidatura

    “Vou disputar prefeitura nem que chova canivete”

    Bem Paraná – Como o vê a possibilidade do prefeito se descolar do PT para disputar a reeleição?
    >>>   Ney Leprevost – Eu acho que é uma possibilidade que o grupo dele estuda. Mas até que ponto isso prejudicaria a cidade em relação aos investimentos federais que ele está pleiteando?

    Deve ser esse o grande enigma que ele enfrenta no momento.

    BP – E os outros possíveis candidatos?
    >>>   Leprevost – O Ratinho Júnior (PSC) seria um candidato forte até pela votação que fez na eleição passada de prefeito.

    Ele me garantiu que não é candidato a prefeito, que é candidato a governador (em 2018). O Luciano Ducci ficou um período curto na prefeitura, conseguiu fazer algumas obras de relevância, mas está umbilicalmente ligado ao (governador) Beto Richa (PSDB).

    O que, com certeza, atrairá a ira dos professores contra a candidatura dele.

    E o (deputado estadual Maurício) Requião Filho (PMDB) fala bem, é articulado. O pai dele (senador Roberto Requião) é um homem forte, poderoso, que influencia uma parcela significativa dos eleitores.

    Sem dúvida é um candidato respeitável.

    BP – O senhor já foi cotado anteriormente para disputar a prefeitura, mas não se confirmou. Porque diria que agora é diferente?
    >>>   Leprevost – Na eleição passada eu estava cotado para ser candidato a vice do Luciano (Ducci). Nós pertencíamos a um grupo político que vinha há muitos anos administrando a cidade e era liderado pelo Beto Richa.

    Na ‘hora h’ houve uma opção, até onde eu sei mais por parte do próprio Beto do que do próprio Luciano pelo (deputado federal) Rubens Bueno (PPS) ser o vice.

    Com isso acabei ficando fora. Quando apoiei o Luciano mesmo estando fora da vice, eu declarei diante de três mil pessoas que na outra eleição, ganhando o Luciano ou não, nem que chovesse canivete, eu iria disputar a prefeitura de Curitiba. E mantenho essa disposição.

    Perfil

    “Tenho vínculo forte com a cidade”

    Bem Paraná – Porque o senhor acredita que está pronto para ser prefeito desta vez?
    >>>   Leprevost – Eu tenho um vínculo forte com a cidade. Fui o vereador mais votado de Curitiba. Fui também o deputado estadual mais votado de Curitiba.

    Nessa última eleição tive quase 50 mil votos aqui. Trago essa experiência. Também já passei por experiência administrativa, fui secretário de Estado.

    Agora hoje estou rompido politicamente, não pessoalmente, com esse grupo. Que é um grupo que, na minha opinião, deixou de corresponder as expectativas da população de um tempo pra cá.

    BP – O que foi decisivo para esse rompimento?
    >>>   Leprevost – Começou quando o governador mandou um projeto no final do ano passado para a Assembleia que taxava em 11% os aposentados.

    Eu votei contra. Ele expressou uma insatisfação – não diretamente a mim, mas a aliados políticos meus.

    Depois veio o episódio do Paraná Previdência. Ele queria mexer na Paraná Previdência, eu fiz um pronunciamento contra.

    Aí houve o rompimento político. E daí na questão dos professores, quando ele colocou dois mil policiais bombardeando os professores, gastando R$ 900 mil em bombas eu acabei cometendo um ato um tanto imprudente de ir até lá fora junto como os deputados Tadeu Veneri (PT), Rasca Rodrigues (PV) e Chico Brasileiro (PSD).

    Tentamos nos postar em frente ao Batalhão de Choque para parar o ataque e eu ali senti na pele o que os professores estavam sentindo.

    O uso desproporcional da força, a forma violenta como o governo estava agindo e voltei muito exaltado, indignado para o plenário. Ali o sangue correu. Ali houve o rompimento definitivo.

    BP – O senhor não teme ser cobrado pelo fato de ter apoiado a eleição e a reeleição do governador e ter feito parte desse grupo todo esse tempo?
    >>>   Leprevost – Não, porque eu pensei como quase todos os paranaenses. Eu achei que o Beto Richa era naquele momento o melhor candidato.

    Ele tinha a aprovação, tanto que ganhou no primeiro turno. Se eu errei, errei junto com a grande maioria das pessoas que foram votar.

    E o Beto foi um prefeito de Curitiba que teve uma boa aprovação, e diga-se de passagem, quando prefeito tinha um ótimo relacionamento com os professores.



    Publicado por jagostinho @ 09:11



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