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  • 18jul

    COLUNA DE AUGUSTO NUNES – VEJA.COM

    Sensacionalistas são os fatos, informa a capa de VEJA que é a cara do Brasil

     

     

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    Surpreendidos pela heterodoxia da capa da edição desta semana, alguns leitores talvez desconfiem por alguns segundos que VEJA sucumbiu às tentações do sensacionalismo.

    A profusão de cores, o gigantismo das letras, o uso do ponto de exclamação como borduna do idioma, o sotaque escandaloso do noticiário ─ não são poucas as semelhanças com a primeira página dos tablóides ingleses que lideram essa ramificação nada confiável da imprensa.

    Possíveis equívocos são desfeitos pelo esclarecimento resumido no círculo azul que enfeita a testa de Eduardo Cunha.

    A capa recorreu a elementos do jornalismo sensacionalista para sublinhar a verdade perturbadora: sensacionalistas são os fatos!

    Sensacionalista é o Brasil destes tempos estranhos, provam os quatro assombros que se aglomeram em tão poucos centímetros.

    No canto superior esquerdo, um ex-presidente abalroado por um modestíssimo Fiat Elba reaparece na cena do crime tripulando carrões de matar de inveja a lista inteira dos bilionários da Forbes.

    O quarentão que subiu a rampa do Planalto fingindo caçar marajás é agora o quase setentão que pode deixar o Senado na traseira de um camburão.

    Na área central, o presidente da Câmara dos Deputados acossado por desdobramentos da Operação Lava Jato procura sair das cordas desferindo socos e pontapés na Polícia Federal, no governo e em quem mais aparecer pela proa.

    “Tem um bando de aloprados no Planalto”, acusa o acusado (em maiúsculas). Não só no Planalto, convém ressalvar. Nem custa lembrar que há muita lógica por trás dessa loucura aparente.

    Foi por se julgarem condenados à perpétua impunidade que os aloprados ignoraram os limites do atrevimento.

    As coisas estão mudando porque foram longe demais, atestam os destaques que dividem o rodapé.

    No lado esquerdo, o convite para uma incursão pela doce vida de figurões do Brasil lulopetista é ilustrado por fetiches especialmente apreciados pelos novos ricaços.

    O lado direito registra o desembarque de Lula no mundo real.

    Nos últimos 12 anos, o ex-presidente que só pensa nos pobres mas é muito mais generoso com amigos milionários agiu como se fosse tão inimputável quanto um bebê de colo ou um napoleão-de-hospício.

    A fantasia foi rasgada por um inquérito aberto pelo Ministério Público Federal.

    Em países normais, um espanto de tais proporções ocorre a cada dez anos.

    Nos trêfegos trópicos, uma só semana produziu quatro enormidades que, conjugadas, compõem o retrato sem retoques do país neste inverno de 2015.

    A capa de VEJA tem cara de ficção.

    Lastimavelmente, é a cara do Brasil.



    Publicado por jagostinho @ 10:26



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