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  • 21jul

    GAZETA DO POVO

    Requião apresenta relatório sobre a Venezuela e provoca revolta no plenário

     

    Documento atesta que comissão de senadores encontrou no país um clima que “caminha para a normalidade” a poucos meses das eleições

     

    Senador Roberto Requião ao lado de Lilian Tintori, esposa do opositor Leopoldo Lopez, em visita à Venezuela - Foto: - JORGE DAN LOPEZ/REUTERS

    Senador Roberto Requião ao lado de Lilian Tintori, esposa do opositor Leopoldo Lopez, em visita à Venezuela – Foto: – JORGE DAN LOPEZ/REUTERS

    Um dia depois de a Controladoria Geral da República da Venezuela anunciar que a deputada Maria Corina Machado estaria inabilitada politicamente por 12 meses, portanto fora do pleito parlamentar de dezembro próximo, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) e a senadora Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM) apresentaram à Mesa do Senado um relatório atestando “clima de normalidade” no país.

    O documento de 91 páginas é resultado da visita de uma comissão brasileira que se encontrou com representantes do governo Nicolás Maduro e da oposição.

    O anúncio revoltou senadores opositores que, semanas antes, ficaram presos no aeroporto e foram impedidos de cumprir a agenda pretendida de reuniões e visita a presos políticos contrários ao governo de Maduro.

    Além de Maria Corina, a deputada mais votada da Venezuela, a CGR da Venezuela já inabilitou por um ano o ex-prefeito Daniel Ceballos, que continua preso.

    A mesma sanção atingiu também Vicenzo Scarano. Os dois eram candidatos nas eleições de dezembro ao Parlamento.

    Na sexta-feira o órgão inabilitou também o líder opositor e ex-governador do estado de Zualia, Pablo Pérez, de exercer cargos públicos pelos próximos dez anos.

    O ex-prefeito de Caracas, Antônio Ledezma e o líder maior da oposição, Leopoldo López, continuam presos e não julgados.

    Bate-boca

    Ao comunicar ao plenário que estava entregando o relatório da comissão por ele chefiada a Venezuela, o senador Roberto Requião disse que — ao contrário da comissão liderada pelo senador Aécio Neves(PSDB-MG) e pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) — haviam chegado a noite em Caracas e, sem nenhum problema se dirigiram ao hotel, e falaram diretamente com todos os grupos de oposição e do Governo Maduro.

    No encontro com o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, braço direito de Maduro, Requião contou que, quando falaram das prisões, foram informados que o ex-Presidente Chaves havia anistiado todos os opositores e que eles posteriormente levantaram um movimento que devia ir às ruas e só voltar quando caísse o governo.

    O movimento, disse Requião, foi responsável por 43 mortes .

    “Voltamos, apresentamos este relatório e podemos, com tranquilidade, dizer que a questão venezuelana deve ser resolvida por eleições. E a Venezuela terá, em janeiro, a possibilidade de um recall, desde que seja requerido pela oposição, que é quando a população vota e, com seu voto, pode derrubar, inclusive, um governo”, disse.

    “As prisões foram determinadas pelo Ministério Público ou o equivalente de lá e são tratadas judicialmente. Foi o que nós vimos na Venezuela, sem nenhuma dificuldade de acesso”, relatou Requião.

    “Essa Venezuela que Vossa Excelência visitou não é o mesmo País que visitamos”, retrucou o senador Sérgio Petecão (PSD-AC).

    No debate, o senador Aloysio Nunes disse que havia, entre as duas comissões que foram a Venezuela, uma diferença de visões sobre a realização das eleições para resolver uma crise política : é preciso que as eleições sejam livres e isso não seria possível com líderes da oposição presos.

    Ele disse então que a gravidade da situação era demonstrada pelo caso da inabilitação da deputada María Corina Machado, uma das representantes da oposição que se encontrou com o Senador Requião.

    “A deputada foi cassada de uma maneira arbitrária. Em menos de duas horas seu mandato foi cassado, ela foi espancada no plenário da Assembleia Nacional venezuelana, foi espancada lá dentro, e foi expulsa do plenário. É uma das líderes da oposição. Pretendia e pretende participar das eleições”, ponderou Aloysio Nunes.

    Também integrante da comissão impedida de sair do Aeroporto de Caracas, o líder do Democratas, Ronaldo Caiado (GO), disse que lhe causava estranheza o teor do relatório apresentado por Requião relatando normalidade na Venezuela.

    “É com muita tristeza que eu vejo hoje alguns senadores colocarem aqui um relatório de apoio ao que está existindo na Venezuela, de uma maneira desrespeitosa aos senadores que foram lá agredidos, aos senadores que não tiveram como transitar mais do que um quilômetro fora do aeroporto, que ficaram retidos, em um processo de total agressão a todos aqueles que desejavam, sim, cobrar do governo que tivéssemos uma pauta para as eleições, como também que desse condições de dignidade ao Leopoldo López, que a cada momento corria risco de morte com mais de 30 dias em uma greve de fome”, reagiu Caiado.



    Publicado por jagostinho @ 12:28



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