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  • 11dez

    UOL – NOTÍCIAS

     

    Quatro desafios da oposição venezuelana após vitória nas eleições

     

     

    • Luis Robayo/AFP

      Membros da oposição na Venezuela, incluindo Lilian Tintori (ao centro), mulher do líder Leopoldo Lopez, atualmente preso, comemoram os resultados das eleições em Caracas

      Membros da oposição na Venezuela, incluindo Lilian Tintori (ao centro), mulher do líder Leopoldo Lopez, atualmente preso, comemoram os resultados das eleições em Caracas

     

    A surpresa não foi apenas para os chavistas: muitos opositores na Venezuela não esperavam que tantos eleitores estivessem dispostos a votar por mudança.

    Mas quase dois milhões de pessoas trocaram o partido governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) pela aliança opositora MUD (Mesa de Unidade Democrática), comparando as eleições parlamentares do último domingo com o pleito de cinco anos atrás.

    O resultado deu à oposição um apoio contundente, que terá que administrar com habilidade em meio a um cenário econômico complicado, caso não queria acabar castigada, como ocorreu com o chavismo.

    A oposição obteve dois terços da Assembleia Nacional, o Parlamento unicameral do país. Com essa maioria, pode rearranjar o jogo político.

    Mas terá pela frente um governo que controla, ou ao menos influencia fortemente, os outros Poderes do Estado – eleitoral, judicial, cidadão e, claro, executivo.

    E que não parece querer dar o braço a torcer.

    Na última terça-feira, por exemplo, o governo anunciou que o Parlamento, que o governismo controla até 15 de dezembro, espera empossar uma nova cúpula no TSJ (Tribunal Superior de Justiça), com a qual poderia bombardear várias iniciativas da nova maioria de oposição.

    Esse não é o único tipo de obstáculo que pode atrapalhar a festa da oposição, mas esta tem agora mais poder para evitar ou até aproveitar essas situações.

    Confira quatro dos desafios mais importantes que a oposição tem pela frente na Venezuela.

    1. Entender o resultado

    Analistas concordam que a oposição venceu menos por suas propostas e mais pelo “voto castigo” de milhões de venezuelanos contra o governo.

    Nesse sentido, o desafio da oposição é converter essa base eleitoral – que de certa maneira não é sua – em força política própria. Ou ao menos não afastá-la.

    Pesquisas mostram que a maioria dos venezuelanos votou assim porque está cansada da situação econômica, que a cada dia consome salários e economias, e impõe filas diárias para comprar produtos básicos.

    Mas a solução da crise, dizem economistas, passa por medidas impopulares – como uma desvalorização da moeda ou o fim dos subsídios à gasolina ou aos produtos da cesta básica – que podem cobrar a conta da oposição.

    Por isso, um desafio é conseguir que o governo assuma – ou ao menos divida – os custos do ajuste.

    2. Negociar com Maduro

    Outro desafio para a oposição, imposto também pelos problemas econômicos, é negociar com o governo de Nicolás Maduro.

    Se todas as propostas que a oposição defende no Orçamento forem vetadas por Maduro ou pelo TSJ, pode haver uma situação de paralisia institucional que impediria a adoção de soluções rápidas para problemas mais urgentes.

    Esse cenário não convém a ninguém, sobretudo à oposição, que não quer perder a maioria.

    Com poucas exceções, as declarações de opositores e chavistas desde a eleição já mostram sinais de choque.

    A desconfiança entre os setores é profunda e histórica.

    E ainda que o desafio de negociar se imponha a ambos, a oposição não pode esperar sentada por um convite de Maduro: terá que convencê-lo da necessidade de diálogo.

    3. Não se dividir

    O caráter variado e heterogêneo da oposição venezuelana não é segredo para ninguém.

    “Sempre há a possibilidade de divisão, é algo inerente à condição de aliança da MUD”, diz Pedro Pablo Peñaloza, experiente jornalista político, ao lembrar que a MUD não é um partido, mas uma reunião de várias forças.

    Internamente, os resultados de domingo foram vistos como uma derrota para a ala da oposição que buscava mudança por meio de protestos.

    Esse setor terá agora que se reinventar, se retratar ou se submeter à ala majoritária que aposta na via eleitoral.

    A oposição terá que negociar entre suas várias frentes, que não possuem as mesmas prioridades nem ideologias.

    Por exemplo: há um setor da oposição, como o partido Vontade Popular, que prioriza a liberação de políticos presos, como o seu líder, Leopoldo López.

    Mas outros partidos da aliança já disseram que o voto que receberam foi principalmente para resolver a crise, mais do que liberar políticos, e por isso a prioridade, dizem, é impulsionar novas leis econômicas.

    O partido do governo fará de tudo para aprofundar as divisões da oposição, que terá saber se esquivar para se manter ativa e funcional.

    4. Buscar um líder

    Com dois terços da Assembleia, a oposição pode propor um referendo em 2016 que pode revogar o mandato de Maduro.

    Tomar tal decisão seria apostar tudo em uma cartada. Mas a oposição também poderia promover uma reforma que reduza o mandato ou limite a reeleição.

    Para os dois casos, que precisariam ser submetidos às urnas, a oposição precisa de um líder.

    Essa figura teria que representar a mudança e, ao mesmo tempo, não gerar desconfiança na maioria dos venezuelanos, que desejam manter conquistas sociais que atribuem a Hugo Chávez.

    Os líderes mais populares da oposição não estarão agora na Assembleia: Leopoldo López está preso, María Corina Machado foi inabilitada para concorrer, Henri Falcón e Henrique Capriles são governadores das Províncias de Lara e Miranda, respectivamente.

    Os venezuelanos costumam buscar um herói, um messias que resolva seus problemas.

    E a oposição, se quiser produzir mudança, terá que oferecer esse líder



    Publicado por jagostinho @ 16:21



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