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  • 23dez

    DIRETO AO PONTO – AUGUSTO NUNES – VEJA.COM

     

    O vídeo desmonta a vigarice protagonizada por Barroso para barrar o impeachment

     

     

     

    Sempre caprichando na pose de quem recitava de fraldas artigos e incisos da Constituição, o ministro Luís Roberto Barroso resolveu mostrar, na sessão em que o Supremo Tribunal Federal embaralhou o processo de impeachment, que usa as horas livres do recesso para decorar normas que regulamentam as atividades dos demais Poderes.

    Conseguiu apenas confirmar que, para impedir o desmoronamento da argumentação mambembe, é capaz de sonegar informações essenciais e mentir publicamente.

    ─ Alguém poderia imaginar que o Regimento Interno da Câmara pudesse prever alguma hipótese de votação secreta legítima ─ concede o doutor em tudo na abertura do vídeo de 1min57.

    ─ Eu vou ao Regimento Interno da Câmara dos Deputados e quando vejo os dispositivos que tratam da formação de comissões, permanentes ou temporárias, nenhum deles menciona a possibilidade de votação secreta.

    ─ Vossa Excelência me permite? ─ ouve-se o cerimonioso aparte de Teori Zavascki.

    ─ Pois não ─ autoriza o professor de impeachment.

    ─ Salvo engano meu, há um dispositivo, sim, do Regimento Interno, artigo 188, inciso III ─ prossegue Teori.

    ─ Diz que a votação por escrutínio secreto far-se-á para eleição do presidente e demais membros da Mesa Diretora, do presidente e vice-presidente de comissões permanentes e temporárias, dos membros da Câmara que irão compor a comissão representativa…

    Teori faz uma pausa para virar a página. Barroso, que acompanha a leitura que está terminando, tenta interrompê-la:

    ─ Sim, mas olha aqui…

    ─ … e dos cidadãos que irão integrar o Conselho… ─ continua Teori.

    As sobrancelhas simetricamente arqueadas e o balanço dos cílios enfileirados avisam que Barroso está sobressaltado com a aproximação do perigo.

    Então, confisca a palavra e recomeça a leitura do inciso III, cuja reprodução no vídeo do Portal Vox escancara a pilantragem togada:

    para esconder a fraude, o juiz esperto amputa as quatro palavras que completam o texto: E NAS DEMAIS ELEIÇÕES.

    Animado com a rendição sem luta do confuso Teori, Barroso declama outra falácia:

    ─ Considero portanto que o voto secreto foi instituído por uma deliberação unipessoal e discricionária do presidente da Câmara no meio do jogo.

    Conversa fiada. O Brasil decente é que considera uma infâmia o que Barroso fez.

    Foi uma deliberação pessoal e discricionária de um servidor público pago pelo povo para defender a lei.

    Foi coisa de vigarista.



    Publicado por jagostinho @ 09:11



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