Publicidade


      Red Apple Cosméticos

      CPV - Centro Paranaense da Visão

      Hospital Cardiológico Costantini

      Hotel Carimã

Twitter @blogdojota


  • 08nov

    FELIPE MOURA BRASIL – VEJA.COM

     

    Disputa acirrada confirma distância entre mídia e “povão”

     

    Blog compara análise da eleição de 2006 no Brasil às do duelo entre Hillary e Trump

     

    Hillary Trump

    Novembro de 2006.

    Após a reeleição de Lula, João Santana dá uma entrevista à Folha de São Paulo.

    Questionado sobre os momentos importantes de recuperação da imagem do então presidente depois do escândalo do mensalão em 2005, o marqueteiro da campanha vitoriosa cita duas entrevistas de Lula a programas da TV Globo e comenta o seguinte:

    “O mais interessante é que a mídia achou que Lula foi mal nessas entrevistas. Os eleitores acharam que ele foi bem. É fascinante que a leitura da mídia seja tão diferente [da] de um amplo setor da sociedade.

    A percepção da mídia raramente se distancia do que é o segmento social dela, que é a classe média.”

    Santana atribui a isto o alegado divórcio de interpretações entre a mídia e o chamado povão:

    “Dificilmente [a mídia] se liberta desses condicionantes. Ao contrário. Ela revigora essa percepção. É, ao mesmo tempo, vício e defesa”.

    Novembro de 2016, dez anos depois.

    O candidato Donald Trump, do Partido Republicano, chega ao dia da eleição presidencial dos Estados Unidos com chances de vencer a disputa, ora considerada “acirrada” pela mesma mídia que, durante toda a corrida, decretou várias vezes o fim de sua campanha por achar que ele foi mal em declarações e atitudes.

    Nem o favoritismo e os supostos 3 ou até 4 pontos de vantagem de Hillary Clinton, do Partido Democrata, mudam o fato de que a competitividade de Trump na reta final contraria as previsões midiáticas (excetuando-se, entre outros gatos pingados, as análises deste blog, que, sem cravar quem venceria, sempre refutou a tese de que ele já estava fora de jogo).

    O motivo é simples: o divórcio de interpretações entre a mídia e um enorme grupo da versão americana de “povão” – os eleitores brancos sem curso superior, que, embora ganhem mais que os brasileiros correspondentes, viram sua remuneração cair durante o governo Obama.

    Esses eleitores não frequentaram nenhuma das universidades americanas que, de acordo com uma pesquisa nacional de 2007 feita por dois acadêmicos esquerdistas, Neil Gross e Solon Simmons, tinham 9 professores de esquerda nas ciências sociais e humanas para cada professor conservador; e, em campos como antropologia e sociologia, 30 para cada um.

    Esses eleitores não fazem a leitura dos fatos com as mesmas predisposições e preconceitos que jornalistas formados por esses professores e/ou parceiros e informantes diretos da campanha de Hillary, como aqueles mencionados nos e-mails do marqueteiro da candidata, John Podesta, vazados pelo WikiLeaks.

    Esses eleitores não tomam o uso de um linguajar sem mesuras em conversa privada de vestiário como prova cabal da imoralidade de ninguém.

    Esses eleitores tampouco se enquadram nas principais categorias humanas tratadas pelo Partido Democrata (ou pelo PT) como de vítimas da sociedade que precisam do dinheiro dos impostos alheios por meio do Estado inchado para vencer na vida, como negros, mulheres, gays, muçulmanos e imigrantes latinos.

     

    Trump ultimo ato

    Último ato de campanha de Trump

    Ao contrário, esses eleitores com frequência são tachados como os próprios opressores racistas, misóginos, homofóbicos, islamofóbicos e xenófobos – ou “brancos raivosos”, como nos e-mails de Podesta e nas palavras de Michael Moore; ou mais resumidamente “deploráveis”, como disse Hillary em público – que ameaçam os grupos alvejados pela esquerda americana em sua propaganda de vitimização.

    (Uma propaganda eficaz, diga-se, a despeito dos esforços contrários de negros como Thomas Sowell e Ben Carson, mulheres como Ann Coulter e a muçulmana Raheel Raza, ou gays como Milo Yiannopoulos.)

    É natural, portanto, que Trump, com promessas de trazer de volta os empregos de manufatura que lhes permitiram sustentar suas famílias, tenha mantido a liderança ao longo do ano entre os eleitores brancos sem curso superior e que as últimas pesquisas nacionais o apontem à frente de Hillary com a ampla margem de 59% contra 30% – uma vantagem maior que os 57% contra 35% que o também republicano Mitt Romney teve neste grupo nas últimas pesquisas de 2012.

    Com essa margem, Trump compensa quatro anos de migração do voto de hispânicos e de eleitores brancos com nível superior a favor dos democratas.

    Mas obviamente o caminho do republicano para a vitória é mais complicado que o de Lula em 2006, até porque ele depende de que sua base vá votar em peso.

    Nate Cohn resume no New York Times o que faria a eleição pender para um lado ou para outro, considerando a não obrigatoriedade de voto nos EUA:

    “Na última semana, uma análise da votação antecipada deixou claro que a participação eleitoral será mais do que suficiente para que um democrata vença uma eleição presidencial.

    A participação latina será alta. A participação negra talvez não atinja os mesmos níveis de 2012, mas não será tão baixa a ponto de alguém culpar a participação negra por uma derrota de Hillary.

    Mas a força de Trump entre a classe trabalhadora branca lhe dá uma verdadeira chance de vitória, uma possibilidade que muitos desconsideravam até o último verão.

    Ele poderia conquistar votos de colégios eleitorais sem vencer o voto popular através de vitórias apertadas em swing states do meio-oeste ou do norte como Wisconsin e New Hampshire, onde os democratas dependem de apoio entre eleitores da classe média baixa.

    A força de Trump neste grupo pode até ser suficiente para que ele vença na Flórida, onde o abundante apoio a Hillary entre eleitores latinos quase condenaria um republicano.”

    Independentemente do imprevisível resultado, a resiliência de Trump ancorada neste grupo confirma que a percepção (para não dizer torcida) da mídia está longe de ser a mesma de parte considerável da sociedade e que ninguém pode acertar a análise de um quadro eleitoral durante a campanha sem considerar este fenômeno.

    O Rio de Janeiro é um bom exemplo: Marcelo Freixo, do PSOL, era o preferido da mídia, mas Marcelo Crivella, do PRB, foi eleito prefeito com o voto sobretudo evangélico do “povão”.

    A diferença é que Crivella, ao contrário de Trump, liderou com folga desde o começo da campanha, então a mídia não tinha como subestimar a força de sua base.

    Na verdade, boa parte dos jornalistas se sentia, e ainda se sente por causa disso, até mais predisposta a denegri-la.



    Publicado por jagostinho @ 09:25



Os comentários NÃO representam a opinião do Blog do Jota Agostinho. A responsabilidade é EXCLUSIVA do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

Deixe um comentário

Por favor, atenção: A moderação de comentário está ativa e pode atrasar a exibição de seu comentário. Não há necessidade de reenviar o comentário.