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  • 22nov

    ESTADÃO

     

    “Nos descobrimos uma República de bananas”, diz ministro Barroso, do STF

     

    • Nelson Jr/STF/Arte UOL

    O Brasil como uma “república de bananas devastada pela desonestidade e pela incorreção” foi o cenário descrito por Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, em um discurso ácido na abertura de um seminário na Sede da Procuradoria-Geral da República.

    Barroso demonstrou preocupação com movimentos políticos para frear investigações da Justiça e suavizar leis que podem punir a corrupção. “Há militantes em toda parte no abafa”, afirmou o ministro.

    “Sei que há muito choro e ranger de dentes, mas é porque nós estamos mudando o País”, disse.

    Ele se referia às revelações de escândalos de corrupção e as prisões de agentes públicos e privados desde a Ação Penal 470 e atualmente com a Operação Lava Jato.

    Segundo ele, esses foram “marcos da mudança de atitude” em relação à corrupção.

    “Não deixam de ser uma ‘Proclamação da República’ para dizer que o direito vale para todos”, disse.

    Barroso afirmou que a “corrupção não tem partido, ideologia; é um mal em si e não deve ser politizada”.

    “Há uma certa mentalidade se disseminando de que o problema é a corrupção dos outros, e que agora, que já me livrei da corrupção dos de quem eu não gosto, nós vamos fazer uma composição geral”, disse.

    “Não dá para achar que a corrupção dos outros é grave e daqueles que eu gosto não tem problema. Aí não é combate à corrupção, mas reserva de mercado”, afirmou o ministro.

    Barroso disse que “a ausência de direito penal efetivo criou um país cheio de ricos e delinquentes”.

    E em momento em que se discute, no Senado, o abuso de autoridade, o ministro defendeu o aprimoramento do sistema penal acusatório.

    “Ninguém, nem o Supremo nem o Ministério Público, deseja o estado policial. Desejamos um estado democrático, com o devido processo legal, amplo direito de defesa!”.”

    O que não desejamos é um processo de faz de conta que não termina nunca e é feito para não terminar, para que o crime compense”, afirmou.

    Na cobrança por “moralização da Justiça”, incluiu também os advogados.

    Afirmou que há “advogados de primeira linha interpondo recursos descabidos atrás de recursos descabidos”, a fim meramente de atrasar os processos.

    O momento do Brasil é de inflexão, nas palavras de Barroso.

    Ele utilizou uma cena do filme Match Point, de Woody Allen, para ilustrar.

    “Há uma cena no início do filme em que a bola bate na rede e não se sabe onde ela vai cair, e isso vai ser decisivo no final. A bola pode cair do lado em que podemos fazer um novo país, ou no lado em que sempre foi”.



    Publicado por jagostinho @ 11:16



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