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  • 17jul

    BLOG DO NOBLAT 

     

    Lula (Foto: Felipe Rau / Estadão Conteúdo / AE)

    A manifestação de Lula, na sequência imediata de sua sentença condenatória, segue à risca a recomendação de Lênin a sua militância: “Acuse-os do que você faz; xingue-os do que você é”.

    Lula acusa Sérgio Moro de ter politizado a sentença. Na verdade, é ele, Lula, que quer politizá-la para, transfigurado em perseguido político, livrar-se da pecha de primeiro ex-presidente condenado por crime comum.

    Quer substituir o Código Penal pelo Eleitoral – e quer impor essa metamorfose no grito.

    Diz mais: que não há provas. Como pouca gente lerá as mais de duzentas páginas da sentença – e menos ainda a compreenderão -, vale-se disso para dar a interpretação que lhe convém.

    Quer fazer crer que está sendo condenado pela delação de Leo Pinheiro, e que a prova de sua inocência estaria no fato de que o imóvel não está em seu nome.

    Omite o óbvio: que está sendo processado, entre outras coisas, por ocultação de patrimônio.

    O fato de a OAS ter incluído o imóvel como garantia de um empréstimo não invalida a ocultação, já que a inclusão foi mera formalidade. Não seria preciso abrir mão dele.

    Lula e seu advogado fingem ignorar todas as circunstâncias, depoimentos, documentos, testemunhos – e a articulação lógica de tudo isso – para distorcer o que lá está.

    Moro não adjetiva sua sentença – claramente substantiva – e dela exclui qualquer conteúdo ideológico.

    Atém-se aos fatos. E é até moderado ao não pedir a prisão cautelar, mesmo vendo (e tendo) motivos para pedi-la.

    A prova de que sua liberdade é problemática é o uso político, falso e ofensivo que dela faz.

    E esse é outro ineditismo: o condenado acusar o juiz de um crime, que a tanto monta uma sentença com fins políticos, que já estaria decidida independentemente dos autos.

    É uma acusação grave, gravíssima. Lula testa os seus limites – e quem deve dá-los é o Judiciário, ainda silente.

    Ao lançar-se candidato, pouco importa a Lula sua viabilidade eleitoral.

    O que importa é que, condenado em primeira instância, dispõe, no emaranhado da lei processual brasileira, de incontáveis recursos e chicanas para adiar o desfecho, período em que investirá na versão de perseguição política.

    O suposto patrimônio eleitoral de Lula é altamente questionável.

    Há nove meses, nas eleições municipais, não conseguiu eleger seu enteado vereador em São Bernardo do Campo.

    E o PT só elegeu prefeito numa capital, Rio Branco, perdendo 75% das prefeituras que detinha em todo o país.

    Na mais recente pesquisa do Instituto Paraná, no Rio de Janeiro, um de seus redutos mais festejados, perde por larga margem para Bolsonaro, de 22% a 17%. E ganha na rejeição: 45%.

    Não por acaso, apenas ele e Bolsonaro já se declararam candidatos à Presidência. Não se sabe quem mais os confrontará – 2018, na vertigem da crise em curso, está ainda muito longe.

    O que parece óbvio é que o PT não investe mais em eleições ou na própria democracia.

    Convém-lhe, mais que nunca, o “quanto pior, melhor”.

    E é o que a militância tem dito, quando avisa que vai “tocar fogo no país” e que vai transformá-lo “num inferno” (como se já não o tivesse feito).

    O “Fora, Temer”, nesses termos, cai como uma luva. Convém não esquecer que o primeiro eleitor de Temer foi exatamente Lula, que o impôs como companheiro de chapa de Dilma Roussef.

    Não é a primeira (nem será a última) vez que, em nome do pragmatismo irresponsável, muda de lado.

    Se Temer cair, virá, na sequência, o “Fora Maia” e o “Fora Eunício”, tendo Lula como porta-voz.

    Só a bagunça geral e a perspectiva de quebra da ordem institucional atenderão a ânsia do partido por um recomeço, no qual terá o apoio dos aliados bolivarianos, que, não por acaso, vivem o mesmo pesadelo de situação-limite.

    Todos estão unidos no Foro de São Paulo, berço estratégico comum.

    O esforço para que o Brasil não vire uma Venezuela tem, neste momento, a implacável oposição de Lula e sua corte: PT, partidos-satélites e movimentos ditos sociais.

    No bojo da bagunça, querem passar o trator não apenas sobre a Lava Jato, mas sobre o país.

    A sorte está lançada.

    Façam suas apostas.



    Publicado por jagostinho @ 11:03



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