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  • 17out

    COLUNA DE MÁRCIO COIMBRA – GAZETA DO POVO

     

    “Bolsonaro, o anticandidato que vai chegar ao poder”

     

    Boneco de Jair Bolsonaro com fuzil e faixa presidencial: a personificação do anticandidato. Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

     

    Jair Bolsonaro surgiu neste ciclo eleitoral encarnando a figura do anticandidato, uma postura que não esteve presente apenas na campanha eleitoral.

    Pelo menos desde que o petismo chegou ao poder, o deputado tem mostrado o mesmo comportamento.

    Quando Lula estava no auge, era uma voz isolada que emitia sinais de protesto contra as políticas do governo.

    Agora que a onda virou a seu favor, tornou-se o principal representante da nova direita brasileira.

    A figura do anticandidato veio acompanhada pelo discurso antissistema, algo que mexeu muito com o eleitorado neste ciclo.

    Resultado da Lava Jato e seus desdobramentos, que escancaram as práticas nada republicanas dos governos petistas, a população pedia mudança.

    Queria uma nova forma de fazer política e estaria disposta a renovar de forma profunda o sistema apodrecido.

    Bolsonaro, antipetista, encarnou a indignação contra a onda de corrupção que emanava das hostes lulistas.

    O eleitor assistia com prazer um representante do homem comum, com erros e acertos, dar voz ao seu sentimento de renovação e indignação.

    O momento é propício. Vivemos o ocaso da Nova República e do modelo social adotado pelo poder constituinte de três décadas atrás.

    O Brasil, saído do regime militar, absorveu um sistema de proteção e assistência social que estrangulou a capacidade de investimento dos governos e sufocou a iniciativa privada com altos impostos.

    O resultado não poderia ser outro senão a desorganização social e o aumento da criminalidade. Esgotado este ciclo, a população votou por reformar este modelo.

    Costumo dizer que a cada três décadas o país flerta com a renovação do sistema político. Acontece assim desde o advento da República.

    O modelo atual encarou seu primeiro sismo com as manifestações de 2013 e desde então começou a amadurecer a ideia de reforma do mundo político.

    O ápice deste processo ficou evidente com a profunda renovação que o eleitor impôs ao Parlamento e com a elástica margem de votos obtidos por Bolsonaro que por muito pouco não levou a vitória no primeiro turno.

    Bolsonaro não foi o único a escutar o brado das ruas, mas foi aquele que melhor forneceu corpo ao movimento, dando forma e voz a uma parcela indignada de uma população que clama por mudanças profundas no sistema político.

    Dificilmente o eleitorado mudará o curso natural de suas intenções.

    A tendência das pesquisas mostra que o voto segue firme em seu propósito de sacudir as estruturas da política nacional.

    “Diante da vitória iminente de Bolsonaro, estamos também prestes a encarar a mudança do modelo político atual.

    O novo Parlamento aliado a um governo de corte conservador tende a realizar mudanças na estrutura política nacional iniciando um novo ciclo que deve durar mais três décadas.

    O mandato robusto fornecido pelas urnas fornecerá legitimidade para mudanças sensíveis que podem colocar em xeque especialmente o modelo de presidencialismo de coalizão.

    Possivelmente veremos uma governabilidade calcada em novas estruturas e liderada por uma bancada de direita, que somando liberais e conservadores atinge 60 deputados, mas que pode facilmente alcançar os 80 parlamentares com as adesões esperadas em função da cláusula de barreira que começará a varrer da política as legendas de aluguel.

    Bolsonaro conduziu uma anticampanha ao adotar as redes sociais como instrumento de comunicação com o eleitor e cruzar o país mais perto do povo do que da política.

    Temos, portanto, um anticandidato, a bordo de uma anticampanha com uma pauta antissistema. Isto era música para os ouvidos do eleitor desencantado, irritado e indignado com a corrupção, o petismo e os políticos tradicionais.

    Ninguém soube escutar melhor o som das ruas e dar voz a uma parcela da população que se tornou maioria.

    Por tudo isso, Bolsonaro está diante de uma vitória maiúscula, mas que, além do júbilo, traz uma carga enorme de responsabilidade.



    Publicado por jagostinho @ 11:44



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