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  • 09ago

    FOLHA DE LONDRINA

     

    Paulo Briguet

    Paulo Briguet

     

    Velho documento mostra pedido de desculpas ao filho de um militante de organização criminosa

     

     

    Prezado Senhor,

    Venho aqui publicamente pedir desculpas por ter ofendido a memória do seu pai. O fato de ter um alto cargo não me dá o direito de lançar dúvidas sobre as circunstâncias em que seu progenitor faleceu.

    Sim, seu pai era membro ativo da famigerada SA, a organização nazista que cometeu tantos crimes de sangue. Mas é necessário reconhecer que esse pormenor nada vale diante da dor de um filho que não conheceu seu pai.

    Poder-se-ia conjecturar sobre como seria o seu pai, caso não tivesse sido morto na época da ditadura. Quem sabe, ao sair da prisão, ele reconhecesse todos os erros e crimes cometidos pela sua organização criminosa, tornando-se um bom homem, trabalhador e devotado à família.

    Mas tudo isso pertence ao terreno das possibilidades. Nunca saberemos quem era o seu pai, no fundo da alma. O senhor tem, portanto, o benefício da dúvida; algo que eu jamais deveria contestar.

    É sabido que os membros da SA foram expurgados pelos companheiros nazistas, que o consideravam traidores de Hitler.

    O próprio Führer participou da execução do chefe da SA, Ernst Röhm, em 30 de junho de 1934. Outros 85 militantes morreram naquele expurgo. Ao dizer que seu pai estava entre eles, eu posso ter cometido um equívoco.

    O senhor sustenta, com base em relatos de testemunhas, que ele teria sido assassinado pelas tropas inimigas da nação. De qualquer modo, essa não é uma questão de natureza ética, mas informativa.

    Trata-se apenas de saber se ele foi morto pelos companheiros ou pelos inimigos. A dor do filho sem o pai é a mesma.

    Quando seu pai ingressou na SA, certamente já conhecia o caráter da organização, e estava informado sobre os crimes cometidos por seus membros, que vitimaram pessoas inocentes.

    Foi uma decisão pessoal. Não digo que ele tenha cometido assassinatos, mas participava de uma organização que não apenas os cometia como também os recomendava.

    Depois do adulto, o senhor — também por livre opção — filiou-se a uma organização partidária de cunho criminoso, responsável por inúmeros roubos, desmandos e vidas ceifadas.

    Essa organização levou nosso país à ruína, e tornou necessário o esforço sobre-humano de reconstruí-lo, no qual a maioria dos cidadãos se vê agora empenhada.

    O senhor, no entanto, tem feito esforços no sentido contrário: quer impedir as reformas decisivas para o nosso futuro. Persegue e calunia todos aqueles que tentam encontrar um novo rumo para a nação.

    Chegou ao ponto de chamar um dos homens mais respeitados do país de “chefe de quadrilha” e não mede consequências para retirar da cadeia o homem que realmente merece tal denominação.

    Filho de um nazista, o senhor quer ver no poder uma organização criminosa de caráter muito semelhante ao da velha SA.

    Entende-se por que o senhor se apega às tragédias do passado, como a morte de seu pai: é uma tentativa desesperada de ocultar as suas farsas do presente.

    De qualquer modo, peço perdão se confundi os tempos.

    Atenciosamente,

    Um Cidadão.

    Publicado por jagostinho @ 09:18



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