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  • 21ago

    RENOVA MÍDIA  / CARLOS JÚNIOR

     

    A revelação de uma declaração de uma das lideranças do PCC de que a facção criminosa tinha um “diálogo cabuloso” com o PT parece ter causado espanto em muita gente.

    Até mesmo o dito áudio comprobatório foi colocado em xeque, lançados mil e um questionamentos acerca de sua veracidade.  

    Porém, o áudio é real e a dita revelação bombástica não deveria ter surpreendido ninguém.

     A relação e a defesa do crime organizado e do banditismo por parte das esquerdas é um fenômeno mundial e amplamente documentado; importantes intelectuais esquerdistas já colocaram os criminosos como classe revolucionária e, portanto, útil à pregação utópica. 

    Mas o fator de maior relevância para uma melhor compreensão do problema tratado no artigo é o seguinte: alguém no Brasil já tratava da união promíscua da esquerda com o banditismo em sua versão tupiniquim. E era ninguém mais ninguém menos que Olavo de Carvalho. 

    A coisa é mais ou menos dessa forma: Karl Marx usou a dialética de Hegel para tentar explicar a história da humanidade, e que para ele a dialética que movia o mundo era a luta de classe.

    Para o dito cujo, o estágio da dialética histórica era o conflito entre proletários e burgueses, o que seria sucedido pela revolução do proletariado e o consequente ápice da humanidade. 

    O marxismo foi então utilizado na Revolução Russa pelos comunistas russos. Mas já aí surge um problema.

    Com o advento da Primeira Guerra, os marxistas pensaram que os trabalhadores iriam abandonar as fábricas e iriam aproveitar o estado de coisas da guerra para fazer a revolução.

    O que aconteceu foi justamente o contrário: o proletariado em peso foi lutar na guerra por suas respectivas pátrias, com a família e a religião como bens irrevogáveis a defender. 

    Com o fiasco do proletariado como classe revolucionária, os marxistas deveriam procurar uma outra classe para assumir o seu lugar, uma vez que os trabalhadores eram apegados demais às velhas tradições e o capitalismo iriam proporcioná-los uma vida mais confortável.

    E aí que surge Herbert Marcuse. Em seu livro ”O homem unidimensional”, Marcuse afirma que a nova classe revolucionária seria composta por pessoas a margem da lei: bandidos, assassinos, prostitutas e desordeiros em geral. 

    Desde então, de marxistas ortodoxos a progressistas liberais, de Hobsbawm a Barack Obama, a esquerda política passou a defender a classe do crime, alegando que ela é vítima da sociedade opressora e das péssimas condições socioeconômicas, sendo a ação do Estado e a prometida revolução as soluções para o problema.  

    Se todo esse processo aconteceu no mundo inteiro e influenciou as esquerdas de diferentes países, aqui no Brasil não foi diferente.

    Por décadas a esquerda brasileira fez apologias ao banditismo social, criando heróis como Lampião e Carlos Marighella, sempre reverberando a narrativa do crime como legítima expressão das desigualdades sociais.

    A subida da esquerda ao poder seria a solução para todos os problemas da sociedade, sendo ela a única redentora dos bandidos supostamente vítimas da opressora exclusão social. 

    Tantas apologias ao banditismo não poderiam resultar em outra coisa. A ascensão do crime e o aumento da violência em todo o país não podem estar separados do apoio que a esquerda deu ao crime.

    Olavo de Carvalho foi um dos primeiros a denunciar tal fenômeno. Em um brilhante artigo intitulado ”Bandidos e letrados, Olavo expôs com a precisão de sempre as causas do problema:

    ” Humanizar a imagem do delinquente, deformar, caricaturar até os limites do grotesco e da animalidade o cidadão de classe média e alta, ou mesmo o homem pobre quando religioso e cumpridor dos seus deveres — que neste caso aparece como conformista desprezível e virtual traidor da classe —, eis o mandamento que uma parcela significativa dos nossos artistas tem seguido fielmente, e a que um exército de sociólogos, psicólogos e cientistas políticos dá discretamente, na retaguarda, um simulacro de respaldo “científico”. 

    Olavo foi mais longe e detectou a raiz do surgimento do crime organizado: ” Mas a colaboração desses senhores dialéticos para o crescimento da criminalidade no Rio foi bem mais longe do que a simples preparação psicológica por meio da literatura, do teatro e do cinema: foram exemplares da sua espécie que, no presídio da Ilha Grande, ensinaram aos futuros chefes do Comando Vermelho a estratégia e as táticas de guerrilha que o transformaram numa organização paramilitar, capaz de representar ameaça para a segurança nacional.

    Pouco importa que, ao fazerem isso, os militantes presos tivessem em vista a futura integração dos bandidos na estratégia revolucionária, ou que, agindo às tontas, simplesmente desejassem uma vingança suicida contra a ditadura que os derrotara: o que importa é que, ensinando guerrilha aos bandidos, agiram de maneira coerente com os ensinamentos de Marcuse e Hobsbawn — então muito influentes nas nossas esquerdas —, os quais, até mesmo contrariando o velho Marx, exaltavam o potencial revolucionário do Lumpenproletariat.” 

    A esquerda fez dos criminosos a classe revolucionária por natureza. Normalizou o crime e até mesmo o incentivou.

    Não foi a ícone das feministas tupiniquins que disse ver uma lógica no assalto? Não foi a máquina de passar vergonha psolista que tomou as dores de bandidos assassinos? O que Olavo de Carvalho fez foi diagnosticar o óbvio. 

    O áudio de uma das lideranças do PT apenas escancarou a óbvia relação da esquerda com o crime organizado. Uma ligação antiga. Não só relações pessoais, mas uma defesa podre e imunda de quem não merece defesa.  

    Publicado por jagostinho @ 17:04



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