• 12jun

    FOLHA.COM

    VATICANOO papa Francisco lamentou a existência do que chamou de “um lobby gay” existente na Cúria Romana durante um encontro privado com a direção da Confederação Latino-americana e Caribenha de Religiosas e Religiosos (Clar).

    “Hoje se fala de ‘lobby gay’ e é verdade, ele existe… é preciso ver”, disse, referindo-se a um esquema de chantagens internas denunciado no começo deste ano.

    “Na Cúria há gente santa, de verdade, há gente santa. Mas também há uma corrente de corrupção, também há, é verdade”, disse o religioso, no último dia 6.

    Um documento do grupo que resume a reunião confirma a fala de Francisco.

    O papa ainda disse que “a reforma da Cúria Romana é algo que pedimos a quase todos os cardeais nas congregações prévias ao Conclave [que o escolheu como Papa]. Eu também pedi isso”.

    O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmou que a audiência era privada e, portanto, não faria comentários.

    As primeiras notícias sobre um suposto lobby gay apareceram na revista italiana “Panorama” e no diário romano “La Repubblica”, pouco após o anúncio da renúncia do papa Bento 16.

    Os relatos, sem fontes declaradas, afirmavam que um grupo engajado em atividades homossexuais na Cúria deixavam a instituição sujeita a chantagem.

    Na época, o Vaticano considerou os relatos como difamatórios, “não aferidos, não aferíveis ou completamente falsos”.

    O relato da reunião foi publicado nesta terça pelo veículo chileno “Reflexión y Liberación”, que tem orientação progressista.

  • 10jun

    FOLHA.COM

    Altar em homenagem a Kevin Beltrán montado em sua casa

    Altar em homenagem a Kevin Beltrán montado em sua casa

    A morte do torcedor boliviano Kevin Espada completa hoje 112 dias e pode engrossar a lista de casos de homicídios não solucionados.

    Ontem, sete dos 12 torcedores que estiveram presos na Bolíviadesembarcaram no Brasil. Os outros cinco, afirmam os advogados da Gaviões da Fiel, devem ser soltos nos próximos dias.

    E o adolescente de 17 anos que apresentou-se em Guarulhos afirmando ter disparado um sinalizador pode nem sofrer processo no Brasil.

    “Não há autoria. A prova da materialidade é fato, infelizmente houve uma morte, mas acreditamos que a promotoria boliviana não vai conseguir demonstrar de quem foi a autoria desse sinalizador”, disse Ricardo Cabral, advogado da Gaviões, ontem, no aeroporto de Guarulhos, pouco antes da chegada dos sete corintianos.

    Cabral também defende o adolescente que apresentou-se à Vara da Infância e Juventude. E contou que o garoto não tem certeza se o disparo que matou Kevin foi aquele que partiu de suas mãos.

    “O menor pode até não ser processado pela Justiça brasileira. O próprio promotor boliviano não conseguiu angariar provas que comprovasse que aquele disparo atingiu Kevin”, disse o advogado.

    Na semana passada, o promotor Thales de Oliveira, responsável pelo caso, disse à Folhaque o depoimento do adolescente é insuficiente para se avançar o processo, e que ainda aguarda pela chegada de possíveis provas enviadas pela Justiça boliviana.

    Os sete corintianos –quatro da Gaviões e três da torcida Pavilhão 9– que retornaram ontem ao Brasil não têm pendências com a Justiça boliviana ou brasileira.

    Segundo Davi Gebara, também advogado da Gaviões, os outros cinco torcedores ainda presos serão soltos “em um futuro bem próximo”.

    “No entendimento da Justiça boliviana eles estão isentos de qualquer responsabilidade. O processo foi extinto e os 12 serão soltos.”

    Ontem, no aeroporto, cerca de 200 pessoas, entre parentes e torcedores do Corinthians, aguardavam pela chegada dos sete, celebrada com gritos, cantos e choro. O discurso dos sete corintianos foi o mesmo: alívio pela liberdade, mas agonia pelos outros cinco ainda presos em Oruro.

    “Estou aqui para lutar pela liberdade deles. A gente está aqui livre, feliz, mas incompletamente”, disse Tadeu Macedo Andrade, um dos sete.

  • 01jun

    PORTAL TERRA/EFE

    Possível localização da Ciudad Blanca, oculta por uma selva espessa na costa do Caribe de Honduras.

    Possível localização da Ciudad Blanca, oculta por uma selva espessa na costa do Caribe de Honduras.

     A Ciudad Blanca é uma lenda da qual muitos falam sem tê-la visto, cujos primeiros vestígios parecem ter sido detectados na espessa selva de Honduras por um grupo de arqueólogos que acreditam poder desvelar os segredos de uma antiga civilização pré-colombiana.

    Tecnologia de ponta como o escâner aéreo mediante laser, bem como o aporte de cientistas hondurenhos e estadunidenses fez possível a detecção, há duas semanas, do que parecem ser os restos dessa legendária cidade sagrada, descrita pela tradição oral indígena e inclusive em algumas resenhas dos conquistadores espanhóis como uma cidade impressionante.

    A Ciudad Blanca, que figura também em textos escolares como um dos lugares enigmáticos de Honduras, acredita-se que está oculta por uma selva espessa formada por imponentes árvores de 75 metros de altura, no setor da Mosquitia, na costa do Caribe de Honduras.

    Um “sistema de detecção aérea de luz e medidas de faixas” permitiu visualizar em um terreno de uns 1.500 quilômetros quadrados “vários rios no interior da selva e uma cidade imensa”, disse em uma entrevista com a Efe o gerente do Instituto Hondurenho de Antropologia e História (IHAH), Virgilio Paredes.

    Pode se tratar, assinalou o funcionário, da “Ciudad Blanca, concebida como as ruínas de uma população pré-colombiana, que está protegida por um impenetrável e úmido bosque tropical”.

    Para determinar com precisão “que cidade ou que cultura viveu” nesse lugar da Mosquitia, em dois meses começará uma exploração com o apoio de universidades e instituições sem fins lucrativos da Espanha, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido.

    A Mosquitia é uma região de grande riqueza natural conformada por lagoas, rios, diferentes tipos de bosques tropicais e que goza de uma das faunas e floras mais diversas do mundo.

    Localizada ao leste de Honduras,é habitada por cinco grupos étnicos: misquitos, tawahka, pech, garífunas e ladinos, e acolhe mais de 200 lugares arqueológicos.

    Precisamente o intrincado e afastado do lugar representa um grandíssimo desafio para os exploradores que pretendem descobrir os segredos que essa selva oculta e encontrar a legendária cidade pré-colombiana.

    Avançar um quilômetro nessas condições poderia levar anos, assegurou Paredes, depois de destacar que na Ciudad Blanca “o homem não pôs o pé” há séculos.

    O projeto de localizar e identificar essa cidade começou há dois anos precisou o servidor público, e acrescentou que o Governo do presidente hondurenho, Porfirio Lobo, criará uma fundação com fins de investigação para empreender a preservação do lugar.

    O arqueólogo estadunidense Steve Helkins, quem dirigiu a primeira parte da investigação, disse ao apresentar seus resultados a Lobo, no passado dia 15, que em La Mosquitia acharam vestígios de uma “cidade de grande magnitude”, e que sua descoberta poderia ser “a mais importante do século XXI”.

    Lobo expressou então que a descoberta “deve ser tomada com prudência”, para que em um futuro “seja revelado em sua totalidade e com certeza à comunidade internacional”.

    Algumas publicações dão conta de que o conquistador espanhol Hernán Cortes fez referência à Ciudad Blanca em 1526, em uma carta que enviou ao rei Carlos V na qual dizia ter sido informado sobre uma grande cidade, comparável como magnífica com Tenochtitlán, no México.

    Segundo os dados recolhidos por diferentes fontes, os indígenas denominavam esse lugar como Xucutaco (em Nahuat) e Hueitapalan (em maya), e Cortés renunciou a ir devido ao fato de a selva ser impenetrável.

    Acredita-se que a Ciudad Blanca foi abandonada por seus habitantes para mediados do século XVI, sem que se saiba com certeza as razões.

    Em 1544, segundo alguns escritos, o bispo espanhol Cristóbal de Pedraza assegurou ter atravessado a selva da Mosquitia e chegado a uma montanha de onde podia contemplar uma cidade indígena impressionante.

    Outras publicações indicam que o lugar esteve no esquecimento até 1939, quando o estadunidense Teodore Morde assegurou ter estado na Ciudad Blanca, da qual tomou evidências, no entanto não deu a localização temendo que fosse invadida por saqueadores de tesouros.

  • 31mai

    AFP

    O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, com a presidente argentina, Cristina Kirchner

    O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, com a presidente argentina, Cristina Kirchner (AFP)

    Artigos do decreto assinado em meados de maio pelo prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, do partido Proposta Republicana, que tinha como objetivo proteger a liberdade de imprensa no país, foram transformados em lei nesta quinta-feira.

    O projeto, que incluia o “Decreto de Necessidade e Urgência” (DNU, como era chamado) – uma reação às ameaças de Cristina Kirchner de intervir no Grupo Clarín – foi aprovado com 35 votos a favor, 15 contra e sete abstenções.

    O projeto foi elaborado pelo deputado Julio Raffo (Projeto Sul) em co-autoria com Fernando Sánchez (Coalizão Cívica) e Jorge Selser, Pablo Bergel, Virginia González Gass, Adrián Camps (Proyecto Sul) e Alejandro García (PRO).

    “É estabelecida uma clara e rigorosa proteção ao exercício da liberdade de expressão de ideias, informações, criações culturais e científicas, sugestões, críticas políticas e institucionais, religiões, assim como o acesso à informação e à cultura. Estão proibidas todas as formas censura vindas de autoridades da cidade ou de outras jurisdições “, diz um comunicado dos parlamentares.

    Macri, opositor ferrenho de Cristina, defende que todas as questões ligadas à liberdade de imprensa, aos veículos e aos jornalistas que pudessem ser alvo de perseguição sejam dirigidas ao Superior Tribunal de Justiça (TSJ) de Buenos Aires.

    Na semana passada, a pedido do governo, o juiz administrativo e tributário Otheguy Osvaldo chegou a tentar anular o decreto. Porém, era previsto que o texto seria votado 30 dias após a assinatura.

    Censura – Para o prefeito portenho, o governo de Cristina “não quer que exista mais a imprensa livre na Argentina” – tenta silenciar os jornalistas e os veículos de comunicação e quer que “todos dependam do governo”.

    “Há quem acredite que, na democracia, aquele que ganha uma eleição faz o que quer. Esse não é o espírito da democracia, mas do autoritarismo”, disse ele quando assinou o decreto, citando a Constituição argentina.

    A oposição argentina se uniu em defesa dos veículos de comunicação cada vez mais perseguidos por um governo em clara decadência.

    A líder do partido Coalizão Cívica (CC), Elisa Carrió, aderiu à ideia de Macri ao dizer que “o governo pretende dar um passo a mais no processo de concentrar veículos”.

    “Hoje a liberdade de expressão está gravemente ameaçada e a ponto de ser aniquilada”, disse.

     

     

  • 24mai

    FRANCE PRESSE

    Nicolás Maduro durante campanha eleitoral em Caracas

    Nicolás Maduro, presidente da Venezuela (Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

    Com a Venezuela dividida pelas acusações de fraude nas eleições de abril e ameaçado por cisões dentro da cúpula chavista, o pressionado presidente Nicolas Maduro veio a público nesta quarta-feira para incentivar a criação de um novo grupo armado ligado ao governo, as “milícias operárias”.

    “Ordeno avançar, o mais rápido possível, com o estabelecimento e a organização das milícias operárias bolivarianas como parte das milícias nacionais”, bradou Maduro em um ato na Universidade Bolivariana de Trabalhadores Jesús Rivero, em Caracas.

    Milícias – De clara inspiração fascista, a Milícia Nacional Bolivariana foi estabelecida por Hugo Chávez em 2009 para reunir e legitimar todos os grupos armados clandestinos que realizavam o trabalho sujo de intimidar os opositores do regime.

    O novo grupo proposto por Maduro faria parte desta milícia, que por sua vez é ligada às Forças Armadas venezuelanas, e seria composto principalmente por membros da classe trabalhadora em um esforço para “fortalecer a aliança operária-militar”.

    “As milícias serão ainda mais respeitadas se tiverem 300 mil, um milhão, dois milhões de trabalhadores e trabalhadoras uniformizados e armados, prontos para a defesa da soberania e da revolução”, destacou Maduro.

    Segundo estimativas, o atual efetivo da Milícia Nacional Bolivariana é de 130 mil homens.

    Golpe – O apelo do presidente acontece dias depois de a oposição venezuelana ter divulgado uma gravação que aponta uma conspiração dentro do governo contra Maduro.

    Em uma conversa com um agente do serviço secreto de Cuba, o popular apresentador de TV Mario Silva, personalidade ligada à cúpula chavista, acusa o chefe da Assembleia Nacional Diosdado Cabello de tramar um golpe contra o presidente venezuelano.

    Com bom trânsito no setor militar, Cabello teria a simpatia de parte das Forças Armadas, que estariam rachadas por divisões internas.

     

     

     

  • 21mai

    FRANCE PRESSE
    Reprodução de vídeo, mostra um suposto exorcismo realizado pelo papa Francisco ao colocar sua mão sobre a cabeça de uma criança deficiente após celebração da missa de Pentecostes, na praça São Pedro, no último domingo (19), o Vaticano nega a informação

    Reprodução de vídeo, mostra um suposto exorcismo realizado pelo papa Francisco ao colocar sua mão sobre a cabeça de uma criança deficiente após celebração da missa de Pentecostes, na praça São Pedro, no último domingo (19), o Vaticano nega a informação (AP)

    O canal dos bispos italianos TV2000 afirmou que o papa Francisco realizou um ritual de exorcismo em uma criança que assistia no domingo à missa de Pentecostes na Praça de São Pedro do Vaticano.

    Especialistas consultados pelo programa Vade Retro, do canal da Conferência Episcopal Italiana (CEI), analisaram a cena e confirmaram que a liturgia teria mesmo sido realizada pelo pontífice.

    No final da missa, Francisco se aproximou de um grupo de doentes, e o sacerdote que o acompanhava lhe disse algumas palavras que não puderam ser captadas pela gravação.

    O programa afirmou que a expressão do papa mudou, então, de maneira imprevista: “Francisco se mostrou pensativo, concentrado e estendeu as mãos sobre a cabeça do jovem, rezando intensamente”.

    Vídeo - Nas imagens é possível ver um dos garotos abrindo a boca e se movimentando de maneira interpretada pelo programa como anormal, enquanto o papa segue rezando com as mãos apoiadas em sua testa.

    “Os exorcistas que viram as imagens não têm dúvidas: tratou-se de uma prece de expulsão do demônio ou de um exorcismo”, garantiu a TV2000, que dedicará um programa na próxima sexta-feira “à batalha do papa Francisco contra o diabo e suas seduções”.

    A interpretação foi firmemente negada nesta terça-feira pelo porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi.

    “O papa não quis realizar nenhum exorcismo”, afirmou em um breve comunicado em resposta a jornalistas.

    “Como faz com frequência pelas pessoas doentes, ele simplesmente quis rezar por uma pessoa que sofre”, acrescentou.

    Depois disso, o diretor da TV2000, Dino Boffo, pediu desculpas pelo equívoco e lamentou a confusão.

    Exorcismo - A Igreja adota cautela e ceticismo em relação aos episódios de possessão. A desconfiança não significa relegar o combate ao demônio a um papel secundário.

    Admitir que o Mal existe e deve ser combatido significa também reconhecer o poder maior de Deus. A doutrina afirma que o demônio não é somente uma abstração filosófica, mas uma entidade que existe de fato e está em constante luta contra os desígnios divinos, ainda que só se manifeste como possessão em casos raríssimos.

    O exorcismo, uma prática muito antiga na igreja, é considerada pela Igreja Católica uma espécie de ciência. O padre que o realiza precisa ter atributos especiais.

    Somente um sacerdote que se destaque pela “piedade, ciência, prudência e integridade de vida” pode realizá-lo, e com autorização expressa do bispo a que responde.

    Os poucos padres que possuem esse poder particular dentro da instituição, têm o objetivo de expulsar a presença do demônio em uma pessoa, como Jesus fazia, segundo a tradição do Evangelho.

    A TV 2000 já havia afirmado que João Paulo II e Bento XVI exorcizaram fiéis na Praça São Pedro.

    O Papa Francisco, desde que foi eleito em 13 de março, dedica parte de seu tempo aos doentes, conversando e rezando junto a eles. O pontífice, que respeita as formas de devoção popular, regularmente faz referência à presença do demônio no mundo e no homem.

    Assista o polêmico vídeo:-

     

  • 18mai

    EFE
    Nicolás Maduro (esq), ao lado do ministro da Habitação, Ricardo Molina (centro), e do governador de Barinas, em ato de entrega de casas a beneficiários

    Nicolás Maduro (esq), ao lado do ministro da Habitação, Ricardo Molina (centro), e do governador de Barinas, em ato de entrega de casas a beneficiários (Palacio Miraflores/EFE)

    Já pensando na disputa presidencial de 2012, o coronel Hugo Chávez lançou em 2011 um programa que prometia distribuir casas para famílias carentes sem nenhum custo e, em alguns casos, mobiliadas.

    Mas o fardo de uma economia em frangalhos que o caudilho deixou para seu herdeiro político Nicolás Maduro parece estar pesado demais.

    E o bolivarianismo, a ideologia da linha populista autoritária propugnada por Chávez, vai sendo enterrada.

    Em um ato de entrega de casas no estado de Barinas, nesta quinta, o oficialista indicou que os beneficiados terão de pagar pelas residências que receberam.

    Maduro disse que só assim será possível continuar financiando o programa habitacional. “Como vamos sustentar o gasto e os investimentos nas moradias dos próximos anos? Faremos mágica?”, disse.

    Acrescentou também que famílias mais pobres podem ficar livres do pagamento ou efetuar uma contribuição “simbólica, de 100 bolívares (31 reais), 200 bolívares (62 reais)”.

    O objetivo, segundo ele, é que os beneficiários sintam “que não estão sendo presenteados, mas que estão conquistando sua casa com seu trabalho, seu suor”.

    O jornal espanhol El País, em artigo sobre a mudança de rumo no programa social venezuelano, lembra que faltou Maduro dizer se, com o pagamento, os beneficiários passarão a ser proprietários dos imóveis, já que, pelo esquema atual, os moradores recebem apenas um título que não permite a transferência do bem.

    Abastecimento – O consumo se manteve impulsionado na Venezuela, nos últimos anos, exatamente devido aos programas assistencialistas, que também criaram uma fiel base eleitoral que sustentou Chávez no poder.

    O país tem um histórico de inflação alta e o consumo ajudou o índice a se manter acima de 20% durante todos os 14 anos do governo do caudilho, segundo dados do Fundo Monetário Internacional.

    Neste período, o país que conta com as maiores reservas de petróleo do mundo, também enfrentou um doloroso processo de estatização, sucateamento da indústria e descontrole de gastos públicos.

    A conta agora terá de ser paga por Maduro, que já dá sinais de como vai tentar fechar o buraco.

    Além da ideia de cobrar dos beneficiários de programas assistenciais, na última semana, ele fez um giro pelos países do Mercosul para ‘passar o pires’ e fechar acordos para garantir que os supermercados na Venezuela tenham alimentos e itens de higiene pessoal para vender.

    O desabastecimento chegou a tal ponto que, na última segunda-feira, o governo anunciou a importação de 50 milhões de rolos de papel higiênico para enfrentar a escassez do produto.

     

  • 15mai

    VEJA.COM

    Miriam Quiroga

    Miriam Quiroga (Reprodução)

    A ex-secretária e amante de Néstor Kirchner, Miriam Quiroga, disse à Justiça argentina nesta terça-feira que ouviu o ex-chefe pedir a seus colaboradores que comprassem veículos de comunicação.

    Miriam compareceu a um tribunal em Buenos Aires escoltada por policiais e prestou depoimento por mais de quatro horas.

    Ela afirmou ter presenciado uma reunião de Kirchner com os empresários kirchneristas Cristóbal López e Rudy Ulloa Igor – que foi motorista do presidente antes de se tornar empresário.

    No encontro, Néstor Kirchner pediu claramente aos colaboradores: “comprem veículos”, contou. 

    Segundo o jornal Clarín, a ex-secretária mencionou reuniões do ex-presidente com outros dois empresários aliados, Lázaro Báez e Enrique Eskenazi, ex-dono da petrolífera YPF.

    Também prometeu entregar “agendas e cd’s” que comprovam as informações. Miriam virou testemunha na investigação sobre uma possível associação ilícita entre empresários e funcionários do governo, depois de uma entrevista concedida ao programa Periodismo para Todos (Jornalismo para Todos) – um dos poucos programas da TV aberta na Argentina que ainda ousam informar a população sobre as irregularidades do governo.

    No programa, ela contou que, quando trabalhava na Casa Rosada, via o presidente receber sacolas de dinheiro oriundo de operações ilegais.

    Segundo ela, Cristina Kirchner “sabia de tudo”. Citando fontes judiciais, o Clarín informou que este tema não foi abordado na audiência desta terça, porque é objeto de outro processo. 

    Lázarogate - Báez, pivô do escândalo apelidado de “Lázarogate”, compareceu inesperadamente à justiça em Santa Cruz nesta terça para rejeitar as acusações contra ele.

    “Como pessoa de bem que sou, vim da forma mais enérgica rejeitar essas afirmações”, disse. “Visto que minha honestidade, minha conduta empresarial e minhas relações foram colocadas em dúvida, venho me colocar à disposição desta jurisdição para poder dar explicações que possam esclarecer de uma vez por todas que eu não participei da realização de qualquer ato fora da lei”.

    Lázaro Báez, sócio do casal Kirchner em negócios imobiliários e dono de uma empreiteira que realizava obras públicas em Santa Cruz, província que é reduto político dos Kirchner, é acusado de lavagem de dinheiro, superfaturamento de obras públicas e evasão de divisas.

  • 14mai

    COLUNA DE ILIMAR FRANCO/O GLOBO

     


    O presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, está na Guatemala, onde amanhã fará exposição sobre a experiência da relação do Brasil com o Paraguai na hidrelétrica.

    Autoridades da Guatemala e de El Salvador estarão presentes, pois eles vão construir usina similar na fronteira.

    A Guatemala também planeja construir usinas com o México.

  • 10mai

    VEJA.COM

    Claudia Andrade, de Brasília
    Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, presenteia presidente Dilma Rousseff com uma imagem do falecido coronel Hugo ChávezNicolás Maduro, presidente da Venezuela, presenteia presidente Dilma Rousseff com uma imagem do falecido coronel Hugo Chávez (REUTERS/Ueslei Marcelino)

    Os resultados da eleição presidencial de 14 de abril estão sendo contestados pela oposição venezuelana, mas Nicolás Maduro não esperou para buscar apoio dos aliados Uruguai, Argentina e Brasil, em um giro pelos países do Mercosul.

    Nesta quinta-feira, em Brasília, Maduro foi recebido com honras militares por Dilma Rousseff, presenteada com uma imagem do caudilho Hugo Chávez.

    Maduro aproveitou seu giro para ‘passar o pires’ e garantir o abastecimento de alimentos e itens de higiene pessoal. Na Venezuela é comum faltar nos supermercados produtos como farinha e óleo de milho, açúcar, frango, papel higiênico, guardanapos, detergente. 

    Tentando se defender das críticas da oposição depois de vencer Henrique Capriles com pouco mais de 200.000 votos de diferença, ele disse que, ao longo dos anos de Hugo Chávez, a Venezuela realizou eleições e referendos que construíram um sistema eleitoral “quase perfeito”. 

    Ao longo de 14 anos no poder, o coronel usou a ferramenta democrática sempre a seu favor, manobrando para garantir resultados favoráveis e acabando com as instituições.

    Ele disputou o último pleito na condição de presidente interino, seguindo os passos de seu padrinho político, com presença constante nas redes de rádio e TV, enquanto ao adversário era relegado um espaço insignificante.

    A campanha presidencial de Maduro contou com a participação direta de Lula, que gravou um vídeo em apoio ao governista.

    Em retribuição, o venezuelano encontrou-se com o ex-presidente em Brasília – encontro longo – que atrasou ainda mais a agenda com Dilma.

    Em sua fala oficial à imprensa, não poupou elogios ao petista. Ressaltou a “sabedoria” de Lula e os “conselhos” que lhe deu no encontro.

    “Nós o vemos como um pai dos homens de esquerda, das mulheres de esquerda, dos homens e mulheres progressistas da América Latina. Que sorte que temos, dos três gigantes que iniciaram o processo (de unificação regional), Chávez, Néstor Kirchner e Lula, nos resta Lula. Nós, quando assumirmos a presidência do Mercosul, vamos assumir com essa missão de crescimento, de fortalecimento”, discursou Maduro.

    A entrada da Venezuela no bloco ocorreu a partir de um golpe contra o Paraguai, único país que se opunha à adesão.

    O processo que resultou no impeachment de Fernando Lugo, em junho do ano passado, respeitou a Constituição paraguaia, mas serviu como desculpa para a suspensão do Paraguai e consequente entrada da Venezuela.

    Um ano depois da suspensão do Paraguai, o Mercosul se prepara para assumir o comando temporário do bloco, no dia 28 de junho.

    Abastecimento – Assim como fez nos outros países que visitou, também com o Brasil o venezuelano fechou acordos para garantir o abastecimento em seu país.

    “Pedimos mais apoio ao Brasil para o desenvolvimento de uma revolução agroalimentar na Venezuela. Nós próximos anos, uma das grandes metas é produzir todos os alimentos que consumimos, e nos converter em uma potência produtora de alimentos. Vamos desenvolver um novo modelo, uma nova fórmula produtiva, com a ajuda do Brasil, de suas técnicas de produção”.

    Ele acrescentou que na Venezuela, “houve uma mutação com a chegada do petróleo. Mais que uma mutação, uma amputação. Amputaram a cultura produtiva do campo. Mas estamos recuperando”.

    Na Argentina, ao anunciar o convênio fechado com o governo de Cristina Kirchner para “garantir e fortalecer a reserva alimentar por três meses”, Maduro admitiu que a Venezuela enfrenta “problemas severos de abastecimentos”, mas os atribuiu não as falhas do governo em conduzir a economia, à incapacidade de conter a inflação, mas sim a “sabotagem econômica”.

    A agenda do Venezuelano na Argentina incluiu ainda um ato político em um ginásio lotado de kirchneristas, e falou em “renascimento de forças de direita fascistoides” que “ameaçam a democracia”.

    Oposição – Enquanto Maduro se reunia com Cristina Kirchner, opositores venezuelanos estavam no Congresso argentino para denunciar as irregularidades nas eleições de 14 de abril.

    Os parlamentares argentinos analisam uma série de projetos apresentados pelo governo de Cristina Kirchner como “democratização” do judiciário mas que, na verdade, em muitos aspectos cerceiam o trabalho dos juízes.

    “Se posso dar um alerta é: lutem pela autonomia judicial”, disse o deputado Leopoldo López ao jornal argentino Clarín.

    Na Venezuela, o Judiciário é dominado por chavistas, que endossam as decisões do Executivo.

     

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