• 08ago

    ELIZEU & AMIGO


    Um homem muito rico e seu filho tinham grande paixão pelas artes, e tinham de tudo em sua coleção.
    Mas o jovem precisou ir para guerra, e morreu em batalha, quando resgatava outro soldado.

    O pai recebeu a notícia e sofreu profundamente a morte de seu único filho.

    Depois de algum tempo, um jovem bateu à sua porta com uma grande tela em suas mãos e disse:

    “O senhor não me conhece, mas eu sou o soldado por quem seu filho deu a vida, ele estava me levando a um lugar seguro, mas foi atingido, e morreu… Ele falava muito do senhor e de seu amor pelas artes.”

    Então o rapaz estendeu os braços e disse: “Eu sei que não é muito, mas creio que seu filho gostaria que o  senhor recebesse isto.”
    Era um retrato pintado pelo jovem soldado.

    Ele agradeceu, e ofereceu-se para pagar-lhe pela pintura. “Não, disse o jovem, eu nunca poderei pagar o que seu filho fez por mim!  Essa pintura é um presente.”

    O pai colocou a tela à frente de suas grandes obras de arte, e sempre que alguém visitava sua casa, ele mostrava o retrato do filho, antes de mostrar sua famosa galeria.

    Mas depois de algum tempo o homem morreu, e haveria um leilão de todas as obras de arte que lhe pertenciam.

    O leiloeiro bateu seu martelo para dar início ao leilão: Começaremos o leilão com a tela “O FILHO”.

    Quem oferece o primeiro lance? – perguntou. Houve um grande silêncio…


    Então alguém disse: “Queremos ver as pinturas famosas! Esqueça esta!”

    O leiloeiro insistiu: “Alguém oferece algo por essa pintura?”

    Finalmente, uma voz: “Eu fico com ela.” Era o velho jardineiro da casa.  Sendo um homem muito pobre, não pode oferecer muito.

    Então o leiloeiro soltou seu martelo e disse: “Sinto muito damas e cavalheiros, mas o leilão chegou ao seu final.”

    “Mas, e as pinturas?” perguntaram os interessados.

    “Eu sinto muito, quando me chamaram para fazer o leilão, havia um segredo no testamento do antigo dono. Não seria permitido revelar esse segredo até esse exato momento. Somente a pintura “O FILHO” seria leiloada; aquele que a comprasse, herdaria absolutamente todas as suas posses, inclusive as pinturas famosas. “O homem que comprou “O FILHO” fica com tudo!”

    Deus entregou seu único e amado filho, para morrer por nós numa cruz. E assim, como o leiloeiro, a mensagem hoje é: “Quem ama o Filho tem tudo com o Pai, e herdará suas riquezas.”

    “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?” (Romanos 8:32)

  • 03jun

    CRÔNICA DE UBIRATAN LUSTOSA

    - Tem pão velho pra dar?

    Assim algumas pessoas paupérrimas pediam esmola quando eu era guri e morava na Praça Ouvidor Pardinho, perto da Igreja do Imaculado Coração de Maria.

    Ali nasci, me criei e vivi até que um dia, já casado, fui morar na Rua Piauí onde fiquei por muitos anos.

    - Tem pão velho pra dar?

    Nem sempre a gente tinha. Criados com os rígidos princípios herdados dos nossos ancestrais italianos, muito cedo aprendêramos a economizar e raramente havia sobras. Nada de desperdício. Caso não se comessem todos os pães, com as sobras eram feitas as torradas, farinha de rosca e pudins. Tudo era aproveitado.

    Doía o coração ver crianças pedindo esmola e nem sempre poder ajudar.
    A vida era bem diferente. Quem pedia é porque precisava mesmo e quem não ajudava é porque não podia

    Em tudo havia temperança. Ainda menino, muitas vezes participei dos mutirões realizados por parentes para construir ou ampliar as suas casas. Os adultos, quase todos com aptidões como carpinteiros, pedreiros, etc., faziam a parte pesada.

    Cabia pra gente que era criança desentortar pregos usados que eramreaproveitados. Às vezes a gente errava a martelada. Os dedinhos ficavam marcados e doloridos por algum tempo, mas não se fugia das tarefas orgulhando pais e mães com nossa determinação. Economia era a palavra de ordem.

    Havia um grande brio nas pessoas humildes. Nada se pedia ou esperava de governos. Com muito controle das despesas ajuntava-se dinheiro para comprar um terreno e nele se fazia uma casinha de madeira onde a família ia morar.

    Depois, mais algum tempo de economia para estocar material e futuramente fazer uma casa maior, de alvenaria. Tudo reunindo os parentes e amigos em mutirões da mais nobre solidariedade.

    Quem queria trabalhar encontrava serviço. Não se ganhava muito, mas dava para viver com decência mantendo a parcimônia.]

    Na miséria apenas se encontravam aqueles que haviam sido vítimas de alguma infelicidade. Vagabundagem era coisa rara. Por isso doía ouvir o pedido humilde:

    - Tem pão velho pra dar?

    Nem sempre a gente tinha, mas tinha uma família briosa que nada pedia ou esperava de governos, trabalhando duro e fazendo da honestidade o seu preceito.

    Sim, eram outros tempos.

    (Do site www.ulustosa.com)

   

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