• 14jun

    repassando6

    ARTIGO DE JOSÉ PIO MARTINS/GAZETA DO POVO

    O economista norte-americano Arthur Okun (1928-1980) é considerado o criador do “índice de miséria”, um indicador que resulta da soma da taxa de inflação com a taxa de desemprego.

    Okun sabia que tanto a inflação quanto o desemprego são doenças econômicas graves, porque ambos têm efeito devastador sobre o bem-estar da população, com enorme potencial de causar pobreza – ou empobrecimento – das pessoas.

    Mas o que Okun buscava? Não é muito fácil descobrir a partir de qual porcentual a inflação, isolada, se torna um mal grave, nem a partir de qual porcentual o desemprego, sozinho, se torna uma doença social séria.

    Também não é tão simples saber qual a inflação e o desemprego que, convivendo simultaneamente, se transformam em um mal social realmente problemático. Arthur Okun tentou entender essas questões.

    Acredita-se que, atingindo até 5% da população economicamente ativa (aquela em condições de trabalhar), o desemprego é normal e não causa maiores complicações.

    Essa taxa refere-se àquelas pessoas momentaneamente desempregadas por estarem mudando de profissão, de cidade ou se transferindo de um trabalho a outro.

    Os manuais chamam isso de “desemprego fricativo”, pois resulta de fricção entre as vagas existentes e os trabalhadores desempregados em cada função e em cada região.

    Mas acima de 5% o desemprego começa a preocupar, porque não é mais fricativo.

    Até 4% ao ano a inflação é tolerável. Acima disso, ela começa a corroer mais fortemente o poder de compra dos salários e piora o padrão médio de vida.

    Se a inflação ficar em 4% e o desemprego em 5%, a soma de ambos (que dá 9) não causa, segundo Okun, maiores estragos sociais.

    Fazendo combinações com os dois índices, Okun chegou à conclusão de que acima de 12 o estrago no bem-estar social é grande e suficiente para desorganizar qualquer economia e criar tensões políticas.

    Okun queria descobrir também quanto o produto interno deveria crescer para que a taxa de desemprego caísse um ponto porcentual.

    O mundo mudou e não se sabe, hoje, se os valores são os mesmos, mas ele constatou que o produto teria de aumentar 3% para diminuir o desemprego em um ponto porcentual.

    Porém, quanto maior for o grau de maquinização e de tecnologia aplicada à produção, maior é o aumento no produto necessário para reduzir o desemprego.

    O caso da agricultura é um bom exemplo. A safra agrícola pode ser aumentada de um ano para outro com pouco acréscimo de trabalhadores, pois o mundo tende para uma agricultura sem gente e mecanizada.

    Quando a taxa de desemprego é baixa e a inflação é alta (mais ou menos o que começa a acontecer no Brasil), os bancos centrais podem aumentar os juros como meio de reduzir a inflação.

    A sintonia fina tentada pelos bancos centrais é elevar os juros até o ponto em que eles promovam redução da inflação sem aumentar o desemprego.

    Ao inverso, se o desemprego está alto e a inflação é baixa, a saída é reduzir os juros e os tributos a fim de estimular o investimento e a produção.

    Quando o desemprego e a inflação estão altos – portanto, atingido o “índice de miséria” –, o Banco Central fica sem instrumentos para combater os dois males.

    Esse é o quadro que, se tiver juízo, a presidente Dilma tentará evitar a todo custo, sob pena de sua popularidade ir para o espaço em curto prazo. O PIB já caiu. A inflação já subiu. Apenas o desemprego não é grave… ainda.

    José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.

  • 11jun

    G1 – PR

    Custo dos combustíveis também caiu, segundo levantamento (Foto: Reprodução/TV Integração)

    Custo dos combustíveis também caiu, segundo
    levantamento (Foto: Reprodução/TV Integração)

    O custo de vida para os curitibanos aumentou 0,44%, conforme o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

    De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pelo Ipardes, o resultado ficou abaixo do registrado em abril, que foi de 0,52%.

    De janeiro a maio, o IPC, que mede a inflação na cidade, já acumula alta de 2,77%.

    Três grupos de preços pesquisados foram os que mais influenciaram o aumento no custo de vida, conforme o Ipardes.

    Dentre eles, ”saúde e cuidados pessoais” foi a área que teve o principal impacto no consumo em Curitiba.

    O índice para essa categoria subiu 2,03% em maio, influenciada por aumentos nos preços de planos de saúde, hospitalização e obstetrícia e medicamentos, como anti-hipertensivo, antibiótico e anti-infeccioso.

    Os alugueis também ficaram maiores. Segundo o levantamento, o custo subiu 0,79%, em Curitiba.

    Junto a outros itens, como pacotes turísticos nacionais, que ficaram 9,91% mais caros e com as tarifas de água e esgoto, que subiram 3,52%, ajudaram o setor de despesas pessoais a acumular alta de 1,41%.

    Comunicação foi a terceira área que ajudou a aumentar a inflação de maio. Os valores no setor subiram, em média, 0,62%, puxados principalmente pela alta no preço do telefone fixo residencial.

    A inflação no setor só não foi maior porque os preços dos aparelhos de telefone celular tiveram queda média de 10,79%.

    “Vestuário” e “artigos de residência” também ficaram mais caros. Porém, nesses casos, o nesses casos, a alta foi menor que a apresentada em abril.

    Preços mais baixos

    O transporte, porém, foi um dos pontos que apresentou queda de preços. Conforme o Ipardes, o índice recuou 0,50%.

    Entre os fatores que ajudaram a queda está a redução dos preços dos combustíveis.

    Da mesma forma, alimentação e bebidas tiveram nova queda de preços.

    O Ipardes afirma que essa tem sido uma tendência nos últimos meses nesse setor, cujos preços reduziram 0,11%, em média.

    Um dos destaques nessa área é o preço do peito de frango, que ficou 9,44% mais barato.

     

  • 10jun

    FOLHAINVEST

    Problemas financeiros na terceira idade são comuns. Um levantamento do SPC (Serviço de Proteção do Crédito) mostra que, em abril, 26% dos registros de inadimplência eram de pessoas com mais de 65 anos.

    Segundo a instituição, esse é um comportamento que vem se repetindo nos últimos meses por razões como a redução na renda depois da aposentadoria e o aumento dos gastos que o idoso tem com saúde.

    Em entrevista em vídeo ao Folhainvest, a educadora financeira Cássia D’Aquino afirma que é preciso definir objetivos para essa fase da vida e não apenas poupar pensando que os gastos aumentarão por causa de doenças.

    “Ninguém gosta de pensar no envelhecimento. Talvez se pensarem em algo mais divertido como ‘para onde eu quero viajar quando estiver bem velhinho’ as pessoas se sintam mais estimuladas a poupar”, diz.

    Assista ao vídeo.


     

  • 01jun

    REUTERS

    DÓLARO dólar comercial fechou em alta de 1,36%, a R$ 2,142 na venda nesta sexta-feira (31), mesmo depois de o Banco Central ter atuado no mercado para tentar segurar a alta.

    É o maior valor de fechamento em mais de quatro anos, desde o dia 5 de maio de 2009, quando o dólar valia R$ 2,149, em meio ao auge da crise econômica mundial.

    Em maio, o dólar subiu 7,04%, a maior alta mensal desde setembro de 2011 (quando a moeda aumentou 18,15%). Na semana, a alta foi de 4,38%.

    A Bovespa fechou em forte queda, puxada pela perda nas ações de empresas de Eike Batista e construtoras. O Ibovespa (principal índice da Bolsa) recuou 2,07%, para 53.506,08 pontos.

    Em maio, a Bovespa acumulou perdas de 4,3%, o pior resultado mensal em um ano, desde maio do ano passado (quando perdeu 11,86%). Na semana, a Bolsa caiu 5,14%; no ano, acumula perdas de 12,22%.

    Mercado testa limite do BC

    Nesta sexta-feira, o BC fez um leilão de 30 mil contratos equivalentes à venda de dólares no futuro, e conseguiu vender 17,6 mil deles.

    A última vez que o banco tinha atuado no mercado de câmbio foi no final de março deste ano, quando o dólar se aproximava de R$ 2,03.

    Segundo analistas, a ação do BC visou frear a especulação causada pela formação da taxa Ptax, que serve de referência para vários contratos futuros, mas que ainda é cedo para entender qual seria o novo limite máximo para a cotação.

    “A tendência mundial é de valorização do dólar, só que tudo tem um teto. Então, o mercado está testando”, disse o operador de câmbio da Advanced Reginaldo Siaca.

    Os mercados mundiais estão reagindo à possibilidade de o Federal Reserve, banco central norte-americano, reduzir em breve seu estímulo mensal de US$ 85 bilhões diante dos sinais de recuperação da maior economia do mundo.

    Essa decisão limitaria a oferta de dólares nos mercados mundiais, fazendo com que o preço da moeda ficasse mais alto.

    Nesta sexta-feira, essa avaliação ganhou força com a divulgação de que a confiança do consumidor norte-americano chegou ao maior patamar em quase seis anos.

    Ação do Banco Central

    Antes de anunciar o leilão de swap cambial tradicional –equivalente a uma venda de dólares no mercado futuro– no início da tarde, o BC fez pesquisa de interesse para a operação.

    Após o leilão nesta sessão, o dólar chegar a reduzir parte de seus ganhos, chegando a R$ 2,119 na venda, mas em seguida voltou a ganhar força.

    A alta da moeda também foi influenciada pela ação de especuladores, que tentavam pressionar a cotação por causa da formação da Ptax de maio.

    O cenário externo e a pressão dos investidores acabou ofuscando a alta da Selic a 8% ao ano, medida que tende a elevar a atratividade do país para investidores estrangeiros.

    Uma fonte do governo disse nesta sexta-feira à agência de notícias Reuters que a alta da Selic tende a reduzir a alta do dólar ante o real, mas que ainda é cedo para falar o que vai acontecer com o câmbio no futuro próximo devido aos sinais de melhora da economia norte-americana.

    Analistas destacavam ainda que recentes declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, colocavam dúvidas sobre possível novo nível de intervenção do BC, uma vez que o ministro disse que o câmbio não será usado como ferramenta de combate à inflação.

     

  • 13mai

    ESTADAO.COM.BR

    SEM BANCO 2

    Cerca de 40% dos brasileiros adultos, ou 55 milhões de pessoas, não têm conta em banco e continuam guardando o dinheiro “debaixo do colchão”.

    A soma desse dinheiro chega a R$ 650 bilhões (US$ 334 bilhões), segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

    Em algumas regiões, como o Nordeste, o índice de adultos sem conta bancária passa de 50%. No Sudeste, cerca de 65% dos adultos são ‘bancarizados’.

    O Ipea alerta que esse contingente dos ‘sem banco’, apesar de ser de baixa renda e com pouca escolaridade, forma uma parte importante da população que está sendo absorvida pelo mercado de trabalho, estimulado pelo crescimento econômico.
     
    O que mais impressiona na pesquisa do Ipea é que 60% das pessoas até hoje nunca entraram em uma agência bancária e nem manifestam o desejo de vir a fazer isso.

    Só 26,6% disseram que possuem o perfil necessário para poder abrir uma conta, mas acreditam que isso ‘é coisa de rico’.

    A maior parte dos trabalhadores que utilizam uma conta bancária afirma que ela foi aberta pela empresa.

    Muitos brasileiros ainda tem medo de ter acesso a crédito por causa das taxas de juros consideradas muito altas.

    Outro motivo é a alta incidência de analfabetos funcionais que temem manejar senhas eletrônicas e caixas automáticos.

    O índice de satisfação dos clientes de bancos é de 84,7% no Sul e de 69,8% na região Norte. 

     

  • 04mai

    FOLHA.COM

    A escalada do dólar paralelo na Argentina segue em ritmo acelerado. Ontem, a cotação praticamente chegou à marca dos dez pesos: 9,98, uma diferença de mais de 90% em relação ao oficial (5,20 pesos).

    Nas ruas, o paralelo já ganhou o apelido de “dólar-Messi”, em razão da camisa 10 vestida pelo craque argentino e por ser, tal como ele, “imparável”.

    Ontem pela manhã, o governo realizou uma reunião de emergência na residência presidencial de Olivos para discutir o problema. Porém, até o fim do dia, não havia feito nenhuma intervenção no mercado para conter a alta.

    A diferença entre o dólar oficial e o paralelo tem aumentado desde o fim de 2011, quando o governo começou a adotar medidas restritivas para a compra da moeda americana, tentando impedir a fuga de capitais do país.

      Editoria de arte/Folhapress  

    Como esse é o principal meio de poupança dos argentinos, a corrida pelo dólar desenfreou-se e, a cada nova medida anunciada pelo governo, tornou-se mais acirrada. Em 2013, o paralelo (ou “blue”, como se chama na Argentina) já subiu 47%.

    Hoje, para comprar dólares pelo preço oficial na Argentina, é necessário comprovar renda, a realização de alguma viagem internacional e informações sobre destino e tempo de estada.

    Mesmo assim, só é possível adquirir um valor determinado, geralmente muito restrito.

    Nas últimas semanas, o governo anunciou novas taxas para quem retira dólar com cartão de crédito no exterior, causando a nova corrida.

    O vice-presidente, Amado Boudou, minimizou o problema, dizendo que grande parte dos argentinos não compra dólar e que essa situação afeta apenas “um pequeno grupo de pessoas”.

    Mas o governo reagiu com preocupação. Toda a cúpula econômica participou da reunião emergencial: o secretario de Comércio Exterior, Guillermo Moreno; o vice-ministro de Economia, Axel Kicillof; a presidente do Banco Central, Mercedes Marcó del Pont; e o titular da Afip (Receita Federal), Ricardo Echegaray.

    Segundo bastidores da reunião veiculados pela imprensa local, o governo prepararia uma grande intervenção no mercado na próxima segunda-feira.

    A atividade mais afetada pela alta do paralelo é a imobiliária, que se regula praticamente apenas por meio da moeda norte-americana. Ontem, o mercado divulgou números do primeiro trimestre do ano, que sinalizam uma queda de 41% das vendas.

    O presidente da Câmara Imobiliária Argentina, Roberto Arévalo, disse que está muito difícil fechar operações.

    “Quando estamos negociando, o valor muda a cada dia. Fica impossível chegar a um acordo entre compradores e vendedores.”

     

  • 22abr

    CERVEJA

    GIBA UM

    Os poderosos das indústrias de cervejas e refrigerantes querem convencer Guido Mantega, da Fazenda, a ampliar também para esse setor a desoneração tributária já dada a outros produtos.

    Alegam que as vendas do segmento, de janeiro a março deste ano, caíram 19% em relação a igual período de 2012.

    Mantega acha complicado bondadespara gigantes como a AmBev e a Coca-Cola, justamente numa hora em que campanhas pela redução do consumo de álcool e açúcar mobilizam outros blocos do próprio governo.

  • 17abr

    EXAME.COM

    AFP / Adalberto Roque

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

    Lula:  ”de vez em quando, eu vejo umas pessoas dizendo que o Brasil precisa exportar mais, que não tem de ficar olhando para o mercado interno. A salvação deste País foi o mercado interno”, disse o ex-presidente.

    São Paulo – Num momento em que as expectativas de crescimento para a economia brasileira deste ano não são animadoras, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou nesta terça-feira que em seu governo “a salvação do País” foi o consumo interno.

    “De vez em quando, eu vejo umas pessoas dizendo que o Brasil precisa exportar mais, que não tem de ficar olhando para o mercado interno.

    A salvação deste País foi o mercado interno”, afirmou, durante discurso dos 90 anos do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, em São Paulo.

    Num evento esvaziado, com apenas 300 pessoas num lugar com cadeiras disponíveis para 800, Lula reafirmou “o milagre” da ascensão de 40 milhões de brasileiros para a chamada nova classe média.

    “A salvação deste País foi criarmos condições para que a maioria da população que não tinha acesso a coisas elementares começasse a sonhar em ter uma conta bancária, a comprar uma casinha, uma geladeira, uma roupa, um carro e a viajar de avião para o exterior”, considerou.

    Lula ressaltou que quando assumiu o governo, o País tinha apenas R$ 380 bilhões em crédito disponível para o mercado e que hoje já são R$ 2 trilhões para o mercado interno.

    E destacou também que em seu governo houve investimento em “bancarização” da sociedade e na compra de instituições financeiras, como a Nossa Caixa, de São Paulo.

    “Quando nós percebemos que o Serra (o tucano José Serra) não tinha competência para cuidar da Caixa Econômica Estadual (Nossa Caixa), nós assumimos a instituição”, alfinetou.

    Após fazer um balanço dos feitos do governo petista, Lula admitiu que, apesar do crescimento nos investimentos, através de instituições como o BNDES, “é possível crescer muito mais”.

    Segundo o ex-presidente, a população em geral, mesmo aqueles que não gostam dele e da presidente Dilma Rousseff, sabe que o País melhorou.

    Mesmo assim, ele citou que diz sempre a Dilma que esses números fazem parte do passado. “Eu sempre digo para a Dilma que o que o povo conquistou já está na contabilidade do passado”, concluiu.

    Durante o evento no Sindicato dos Bancários, o PT coletou assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular que prevê, dentre outras questões, o financiamento público de campanha.

    Dentre os petistas que participaram do evento na noite desta terça-feira, estavam o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o presidente estadual, Edinho Silva, e petistas ligados aos bancários, como o deputado federal Ricardo Berzoini, e João Vaccari Neto.

     

  • 16abr

    CLAUDIOHUMBERTO.COM.BR

    SEDE DO BB, EM BRASÍLIA

    SEDE DO BB, EM BRASÍLIA

    A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu a oferta pública de ações da BB Seguridade (seguros, previdência e capitalização do Banco do Brasil) por 30 dias.

    De acordo com o órgão, foram utilizados materiais publicitários em desacordo com as regras da CVM.

    Caso a BB Seguridade não ajuste a publicidade, o lançamento de ações que poderia levantar mais de R$ 12 bilhões e se tornar a melhor estreia na bolsa corre o risco de ser cancelado.

  • 16abr

    REUTERS
    Nicolás Maduro durante campanha eleitoral em San Carlos, estado de Cojedes

    Nicolás Maduro venceu a eleição por apenas 1,6 ponto percentual (Juan Barreto/AFP)

    O presidente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, enfrenta um difícil panorama econômico de inflação em alta e crescimento em baixa, o que fica ainda mais complicado diante da sua apertada vitória eleitoral de domingo, que está sendo contestada pela oposição.

    Maduro, herdeiro político do falecido líder socialista Hugo Chávez, venceu a eleição por apenas 1,6 ponto percentual, na mais acirrada disputa presidencial em quase meio século na Venezuela.

    Por causa dos amplos programas sociais financiados pelo petróleo e pela comoção provocada pela morte de Chávez, que morreu de câncer em 5 de março, existia a expectativa de que Maduro tivesse uma vitória fácil contra o oposicionista Henrique Capriles.

    Mas, diante da diferença apertada, Capriles não reconheceu o resultado oficial e exigiu uma recontagem.

    A percepção de que Maduro tem um mandato fraco pode motivar contestações de dentro da heterogênea coalizão formada em torno de Chávez, e a sobrecarga sobre as finanças públicas pode obrigá-lo a reduzir a generosidade dos programas sociais do país.

    A maioria dos economistas prevê que a economia da Venezuela irá desacelerar neste ano, com a redução dos gastos públicos, depois dos fortes dispêndios de 2012, que ajudaram Chávez a conquistar, em outubro, o seu quarto mandato.

    “Veremos uma redução nos gastos do governo, principalmente no programa de construção de moradias, e a desvalorização também vai limitar o crescimento”, disse Angel Garcia, da consultoria Econometrica, que faz críticas ao governo.

    “Será um ano de inflação com crescimento estagnado.”

    Ao mesmo tempo, a inflação anual pode chegar a 30% graças a uma desvalorização cambial e a uma maior oferta de dinheiro. Desabastecimentos periódicos de produtos como remédios e farinha de milho devem continuar sendo um transtorno.

    O governo, no entanto, mantém suas projeções de que o crescimento neste ano será de 6% e aliados de Maduro dizem que as especulações sobre uma desaceleração são parte de uma campanha difamatória.

    “Não deve haver desaceleração, o crescimento deve ser similar ao de 2012″, disse o economista José Pina, cujas análises tendem a ser alinhadas com as do governo.

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