• 31jul

    FOLHA DE SÃO PAULO

    O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad(foto), já tem traçada a estratégia para minimizar desgastes à campanha durante o julgamento do mensalão: apresentar-se como um dos escalados, ao lado da hoje presidente Dilma Rousseff, a resgatar o governo Lula após explosão do escândalo, em junho de 2005.

    Questionado em entrevistas e debates sobre o processo em curso no STF (Supremo Tribunal Federal), Haddad associará sua imagem à entrada da presidente Dilma Rousseff na chefia da Casa Civil, em substituição ao então ministro José Dirceu, pivô do escândalo, em junho de 2005.

    Haddad adiantou a aliados que lembrará o fato de ter assumido o Ministério da Educação em julho daquele ano –ou seja, um mês depois da posse de Dilma na Casa Civil.

    Sua orientação é firmar a identidade do candidato com a ascensão de Dilma e a retomada da popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva no período pós-mensalão.

    O candidato, no entanto, evitará manifestações sobre o andamento do processo que será julgado no Supremo.

    RECEIO

    No comitê, o medo é que o julgamento monopolize o noticiário político num momento em que o candidato precisa de visibilidade para alcançar a meta de 15% das intenções de voto antes do início da propaganda eleitoral.

    Para se manter sob os holofotes, Haddad contará com a presença do ex-presidente Lula na campanha logo após liberação dos médicos, prevista para o próximo dia 6.

    A expectativa é que o ex-presidente participe de pelo menos três atividades já em agosto, mesmo com o risco iminente de opinar publicamente sobre o julgamento.

    Ontem, durante uma sessão de fotos com candidatos a prefeito (leia o texto acima), o ex-presidente consultou assessores sobre a oportunidade de conceder uma entrevista, mas foi aconselhado a preservar a laringe.

    Além da participação de Lula, Haddad deverá anunciar seu programa de governo no dia 13, já com o julgamento em curso.

  • 31jul

    REQUIÃOSENADOR@GMAIL.COM

    O senador Roberto Requião (PMDB/PR) falou nesta terça-feira (31) sobre o ingresso da Venezuela ao Mercosul, bloco econômico já formado por Brasil, Uruguai e Argentina.

    “Isto é extremamente importante. Está acima de qualquer raciocínio ideológico”, enfatizou o senador, que como presidente da Representação Brasileira no Parlasul, sempre defendeu a entrada da Venezuela no grupo. 

    Requião, que preside a Representação Brasileira no Parlasul, participou do almoço com os presidentes do Brasil, Venezuela, Argentina e Uruguai, no Palácio do Itamarati.

    “Os Estados Unidos quebraram sua economia através da financeirização. O liberalismo econômico levado às últimas consequências. O que resta a eles? Resta transformar os países em desenvolvimento em mercados de consumo e fornecedores de matéria prima barata”, avaliou Requião.

    Para o senador, a forma de fugir deste modelo é a industrialização, que só é possível com a unidade dos países de América do Sul. “O Paraguai vinha impedindo a entrada da Venezuela até agora. Todo e qualquer brasileiro que entenda um pouco de geopolítica e que tenha estima pelo seu país está apoiando a atitude da presidenta Dilma (Rousseff), da Argentina e do Uruguai”, afirmou.

    Requião enfatizou que a necessidade de integração é inquestionável. “Nós, sem a menor sombra de dúvida, ganhamos. Ganha a Venezuela e, por paradoxal que pareça, ganha o Paraguai”, afirmou o senador, dizendo que o presidente Hugo Chávez deve convidar empresários paraguaios para visitar a Venezuela e conhecer as possibilidades de negócios que o país oferece.

    Oficial - A entrada da Venezuela no Mercosul será oficializada hoje (31) em Brasília, em uma cúpula extraordinária dos líderes dos países que formam o bloco: Dilma Rousseff, o presidente uruguaio, Pepe Mujica, e a presidenta argentina, Cristina Kirchner.

    Com o ingresso da Venezuela, o Mercosul contará com uma população de 270 milhões de habitantes (70% da população da América do Sul), registrando um Produto Interno Bruto (PIB) em valores correntes de US$ 3,3 trilhões (o equivalente a 83,2% do PIB sul-americano) e um território de 12,7 milhões de quilômetros quadrados (72% da área da América do Sul), de acordo com o Itamaraty.

    A incorporação da Venezuela ao Mercosul ocorrerá, juridicamente, a partir do dia 13 de agosto, pois é necessário cumprir os prazos para análise dos documentos até a sua conclusão, conforme as regras do bloco.

  • 31jul

    IMPRENSA@FRUET.COM.BR

    Gustavo Fruet, candidato do PDT à Prefeitura de Curitiba, e sua esposa, Márcia Oleskowski, participaram do lançamento da candidatura a vereador de Rubens Hering (PV), na noite de segunda-feira (dia 30).

    O encontro foi realizado na Churrascaria Alto da Glória, ao lado do estádio Couto Pereira, e contou com vários apoiadores da campanha dos dois candidatos.

    Em discurso, Fruet lembrou de alguns pontos de seu plano de governo, dando ênfase à questão da mobilidade urbana na capital.

    “Curitiba é a única capital brasileira que está perdendo usuários no transporte coletivo para os carros. Temos obras que deveriam estar prontas há oito anos e só agora começam a ser finalizadas”, lembrou o futuro prefeito, garantindo que sua gestão vai privilegiar investimentos para o transporte coletivo e resolver os gargalos no trânsito de Curitiba com novos projetos, trincheiras, novo sistema modal e, principalmente, planejamento.

     “Curitiba não tem um planejamento urbanístico há décadas. O Ippuc perdeu sua visão estratégica, de pensar a cidade para o futuro. Vamos fortalecer o Ippuc, recuperando seu papel no planejamento da capital”, continuou o candidato do PDT que também falou da necessidade de Curitiba ter uma preocupação ambiental, buscando um crescimento sustentável.

     Fruet ainda reforçou a importância da renovação da Câmara Municipal, para que se quebre as estruturas que estão se perpetuando na casa, com a maioria dos vereadores acomodados e com atos e vícios que não podem ser mais aceitos pela população.

    “Precisamos eleger vereadores verdadeiramente comprometidos com a cidade. Gente com caráter, como o Rubens Hering e os candidatos da nossa coligação. Chega de gente comprometida apenas com seus próprios interesses e de grupos econômicos”, afirmou.

     Hering revelou estar totalmente comprometido com a campanha do candidato do PDT. “Analisei todo o plano de governo do Gustavo e assino embaixo. Vou adotá-lo como norte em minha atuação na Câmara, se for eleito”, confirmou.

    Sincabima

    Também na noite desta segunda (dia 30), Fruet e Márcia prestigiaram o jantar de comemoração de 70 anos do Sindicato das Indústrias de Cacau, Balas, Massas, Biscoitos, Doces e Conservas Alimentícias do Estado do Paraná (Sincabima).

    Eles foram recebidos por Rommel Barion, presidente da entidade, e membros da diretoria, como Amilton Stival.

     “Sempre vamos procurar diálogo com todos os sindicatos de trabalhadores e patronais da cidade e do estado. O Sincabima é umas das últimas entidades que reúne empresas de origem verdadeiramente paranaense. Esses setores organizados da sociedade geram muita mão de obra e muitos tributos para cidade, a qual deve tratá-los com respeito e incentivo”, declarou Fruet.

     

  • 31jul

    FOLHA.COM

     

    Hugo Chávez, e sua filha, Rosa Ines, embarcando para o Brasil

    O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desembarcou em Brasília nesta segunda-feira para participar de cerimônia de adesão do país ao Mercosul, mas na prática a entrada só irá ocorrer em 13 de agosto, um mês após o Congresso venezuelano ter ratificado a entrada do país no bloco.

    Nessa mesma data, um grupo de trabalho vai se reunir para discutir medidas para o pleno ingresso da Venezuela, como a adesão à NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) e adoção da TEC (Tarifa Externa Comum).

    O Brasil quer acelerar o processo de inclusão dos venezuelanos e, segundo o embaixador Tovar Nunes, porta-voz do Itamaraty, isso pode ocorrer “possivelmente antes de quatro anos”, prazo para o país se comprometer a adotar a TEC.

    Na tarde de hoje, os chanceleres dos países membros do bloco se reuniram para discutir questões técnicas do ingresso e trataram de temas como a criação de centros de excelência regionais, sobre clima e prevenção de desastres naturais, e ampliação do Focem (Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul).

    EMBRAER

    Durante a visita, o presidente Hugo Chávez deve anunciar a compra de 20 aeronaves Embraer 190 pela Conviasa, estatal venezuelana responsável pelo transporte aéreo no país.

    Em janeiro deste ano, Chávez afirmou em seu programa dominical que a Venezuela negociaria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para obter financiamento para a compra dos aviões.

    O tema foi tratado durante visita da presidente Dilma Rousseff a Caracas, em dezembro do ano passado.

  • 31jul

    IMPRENSA/DIEGO XAVIER

    A bancada de vereadores da oposição composta pelos partidos PT, PV e PMDB   protocolam na Justiça Eleitoral, nesta quarta-feira (1) às 14 horas, notícia crime contra o candidato à reeleição, prefeito de Curitiba Luciano Ducci, por suposta falsidade ideológica e uso de documento falso.

    A notícia crime tem como base reportagem de revista, publicada em junho deste ano, que questiona a evolução patrimonial do prefeito e documentos públicos obtidos pelos vereadores em cartórios do Paraná e de outros estados.

    Toda documentação será entregue na sede da Procuradoria da República (R. Marechal Deodoro, 933), a Procuradora Regional Eleitoral, Adriana Storoz, que comandará as investigações.

    De acordo com o advogado criminal, Cal Garcia, responsável pela ação, há graves indícios de omissão de bens e direitos nas declarações de bens entregues por Luciano Ducci à Justiça Eleitoral para registro da candidatura das coligações nas eleições de 2008 e 2012.

    Os vereadores e o criminalista Cal Garcia atenderão a imprensa no local.

    Nesta quarta-feira (1), às 14 horas, na Procuradoria da República (R. Marechal Deodoro, 933)

  • 31jul

    IMPRENSA.JOAOARRUDA@SANINTERNET.COM

    É preciso legislar nos dois mundos (*)

     No pátio de uma escola de Curitiba, os alunos recebem instruções sobre como se comportar nas redes sociais. Os murais estão instalados em local de passagem obrigatória, e resumem os ensinamentos com a frase: “As leis do mundo real se aplicam ao mundo virtual”.

    Desde que as redes privativas de computadores se conectaram a internet, começou uma nova era tecnológica, mas também cultural e política. Da inovação até a consciência de que é preciso legislar, passaram-se pelo menos duas décadas.

    E agora, nunca foi mais importante e urgente assimilar a internet como um fenômeno social. Não se trata de classificar crimes somente, ou de estipular as regras de controle, mas, acima de tudo isso, garantir que todos os direitos civis dos brasileiros sejam respeitados.

    As discussões sobre pessoalização e privacidade das identidades virtuais estão nos corredores das universidades, das empresas, nos encontros reais motivados por encontros virtuais – como se vê há muitos anos, desde o tempo das salas de IRC (um dos primeiros tipos de comunicador, hoje substituído pelo Messenger ou Facebook), com uma maioria de programadores e gamers participando delas.

    Para essas pessoas e todos os outros brasileiros na internet é que deve ser aprovado neste segundo semestre de 2012 o Projeto de Lei 2126, mais conhecido como Marco Civil da Internet.

    Trata-se da melhor legislação do mundo sobre o uso da rede, para garantir liberdade de expressão e privacidade aos usuários.

    O Projeto chegou à Câmara em agosto do ano passado, proposto pelo Executivo. Presidir a comissão que trabalha para aprovar o texto é um dos principais desafios desse mandato como deputado federal.

    Não se trata de particularizar Justiça ou privilégio para meu estado, o Paraná, mas lançar os fundamentos constitucionais da internet no Brasil. Isso exige uma visão cada vez mais ampla do papel do legislativo.

    Tipificar comportamentos ou marcar os limites do uso da internet afeta usuários e potenciais usuários.  Já transferir pessoas do segundo grupo, dos que ainda não acessam a rede, para o primeiro grupo, de quem já vive virtualmente, deve ser também uma prioridade.

    Não se comprometer com a inclusão digital, em um contexto de discussões sobre o Marco Civil da Internet, seria até mesmo incoerente.

    Mas inclusão digital não é somente levar conexão às áreas remotas – o que também se trabalha para fazer –, mas expandir as possibilidades de acesso à informação em cidades já conectadas.

    São lutas como a liberação do acesso das redes sem fio ligadas à internet em repartições públicas, para utilização pública. Há pelo menos um grande passo já conquistado, que é o parecer do relator da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, Deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), pela aprovação da matéria.

    O Projeto não prevê nenhum repasse de verba, apenas a redistribuição dos acessos. Nesse texto, diz-se do “acesso universal e gratuito (…) pela população”. Isto é, qualquer contribuinte poderia usar o wi-fi do Palácio Iguaçu, da Assembleia, ou da prefeitura, em qualquer horário, tomando Curitiba por exemplo.

    Enquanto, neste semestre, o Legislativo federal trabalha para aprovar o Marco, é importante que os candidatos às prefeituras das cidades tenham planos de inovação e acesso à rede.

    E que não somente esses planos apareçam no planejamento que oferecem, mas que os eleitores prestem atenção nisso na hora de votar e mais ainda na hora de cobrar das pessoas que elegeram.

    Se a agenda do país demanda discutir a internet e isso se constitui como um bom legado que podemos deixar para o futuro, então vamos nos concentrar nisso.

     

    (*) João Arruda é deputado federal, presidente da comissão do Marco Civil da Internet, desenvolve pesquisa sobre o acesso à rede no país e é autor de dois projetos de lei relativos à inclusão digital.

  • 31jul

    IMPRENSA.RAFAELGRECA@SANINTERNET.COM

    O Ministério Público do Paraná (MP-PR) precisa desencadear uma série de ações para conter o avanço do “cracolândia” na Rua XV de Novembro.

    A avaliação é do candidato a prefeito de Curitiba pelo PMDB, Rafael Greca, convocando o órgão para investigar as razões para o aumento do número de viciados em crack e o problema da drogradização na principal via do centro da capital.

    Segundo Greca, o MP-PR precisa mudar seu foco de ação e não se ocupar com investigações sobre a apresentação das crianças no Coral de Natal, no Palácio Avenida.

    “A pergunta que precisa ser feita é sobre a necessária investigação do aumento de viciados de crack dormindo na mesma Rua XV, na Biblioteca Pública?”, disparou Greca.

    E completou: “Queremos também saber se estão investigando a ocupação do vão da escada da Rodoferroviária de Curitiba por uma família de indígenas desvalidos?”.

    “Cracolândia”

    Segundo Greca, o Ministério Público não observou as centenas de jovens, em situação de risco, que vivem na “cracolândia” (locais onde viciados se juntam para consumidor o entorpecente),  ao longo da marquise do HSBC, onde a avenida Marechal Floriano encontra a Rua XV de Novembro.

    “Tampouco aqueles que jazem nas varandas da Biblioteca Pública, onde a (avenida) Cândido Lopes encontra a (Alameda) Muricy e a (Rua) Ermelino de Leão. São mais de 60 excluídos, moças, rapazes e criança”, alertou o candidato peemedebista.  

    Investigação incoerente

    Para Rafael Greca, o Ministério Público está muito incomodado “com o que chama de trabalho infantil das crianças que integram, há 21 anos, o belo espetáculo de Natal nas janelas do Palácio Avenida”.

    A notícia da investigação promovida pelo órgão (MP-PR) contra o Coral Infantil de Natal do HSBC, publicada na imprensa, provocou a indignação de muitas pessoas, inconformadas com o descaso relativo às crianças em situação de risco e a vontade de investigar o que não é necessário, de forma incoerente.

    História

    O Coral de Natal de Curitiba foi criado no Natal de 1991 pelas irmãs Maria Cristina, Lucinha e Glorinha Andrade Vieira, que sensibilizaram os seus outros irmãos, então dirigentes do Bamerindus.

    O espetáculo foi lançado pela Fundação Cultural de Curitiba, quando Rafael Greca coordenava a comissão preparatória dos 300 anos da cidade, a pedido do então prefeito Jaime Lerner.

  • 31jul

    GAZETA DO POVO

    Alvaro Dias ficou isolado na tese do pedido de impeachment de Lula durante as denúncias do mensalão, em 2005

    Em 11 de agosto de 2005, o governo Lula esteve à beira do precipício. Em uma rara crise de popularidade, o Datafolha mostrava pela primeira vez que ele não se reelegeria em uma disputa contra o tucano José Serra, a quem havia derrotado três anos antes.

    No mesmo dia, o publicitário Duda Mendonça compareceu espontaneamente à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista dos Correios, que investigava o mensalão.

    Confirmou que recebeu cerca de R$ 15,5 milhões via caixa dois pelos trabalhos prestados à campanha do petista em 2002, dos quais R$ 11,9 milhões foram pagos pelo publicitário Marcos Valério em uma conta nas Bahamas.

    O depoimento ainda acontecia quando o senador paranaense Alvaro Dias (PSDB) foi à tribuna do Senado para ressuscitar um trauma nacional: 13 anos após o afastamento de Fernando Collor, ele defendia o impeachment de Lula.

    Ficou sozinho. Hoje, às vésperas do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, ele afirma que não ter insistido na queda do presidente “foi o erro histórico da oposição”.

    “Se lançássemos a tese do impeachment naquela hora, ela poderia crescer nos próximos meses entre a opinião pública”, diz o senador, que admite que a medida não contava com apoio popular.

    Segundo ele, a oposição adotou uma estratégia equivocada ao acreditar que o PT naturalmente não resistiria às proporções do escândalo. “Apostou-se na capacidade de indignação da população e se perdeu a aposta.”

    Um dia depois, Lula fez um pronunciamento na Granja do Torto – residência oficial da Presidência – em que disse ter sido “traído por práticas inaceitáveis das quais não tinha conhecimento”. Nos meses seguintes, o presidente conseguiu descolar a imagem do escândalo.

    Serra, então prefeito de São Paulo, acabou fora da disputa em 2006. O escolhido pelos tucanos foi o governador Geraldo Alckmin. Apesar de todos os percalços, Lula se reelegeu com 5,5 milhões de votos a mais do que em 2002.

    Nem a CPI nem a denúncia do Procuradoria-Geral da República sobre o mensalão apontaram envolvimento do presidente com o caso.

    “Eu acho que tinha chance juridicamente, mas não politicamente”, avalia o relator da comissão, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), para quem o processo poderia desencadear uma “guerra civil”.

    Do outro lado, a hipótese de afastamento de Lula fortalece a ideia de que o mensalão era um “golpe”.“A realidade é que não havia provas contra o presidente”, afirma o deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que foi suplente da comissão.

    Apesar de ficar isolado, Alvaro diz que seu posicionamento foi “fundamental” para que o relatório final apresentado por Serraglio em abril de 2006 fosse aprovado.

    O tucano lembra que tinha preparado um relatório em separado no qual pedia o impeachment do presidente. “O governo acabou optando por aprovar o relatório do Serraglio para evitar o desgaste de discutir o meu.”

    Sob protestos de setores da bancada petista no Congresso, a comissão aprovou por 11 votos a 4 o relatório de Serraglio. O texto pedia o indiciamento de mais de 100 pessoas, entre elas o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e do ex-presidente do PT, José Genoino.

    Delas, 36 são réus no julgamento do mensalão pelo STF, que começa na quinta-feira.

    Seis paranaenses fizeram parte da CPI dos Correios

    Dos 64 integrantes da CPI mista dos Correios, realizada entre 2005 e 2006, seis eram do Paraná. Além do relator, Osmar Serraglio (PMDB), e do sub-relator Gustavo Fruet (na época no PSDB, hoje no PDT), eram titulares Alvaro Dias (PSDB) e Nelson Meurer (PP).

    Completavam a lista o deputado Dr. Rosinha (PT) e o então senador Flávio Arns (na época no PT, hoje no PSDB), que eram suplentes.

    Entre todos eles, apenas Arns não teve grande participação nas investigações. Atual vice-governador do Paraná, ele informou pela assessoria de imprensa que, como era apenas suplente, preferiu tratar de outras tarefas.

    Suplentes votam apenas na ausência do titular, mas têm o direito de participar das sessões em geral.

    Já Meurer, que viu o PP envolvido em denúncias de ter se beneficiado do mensalão ao longo das investigações, diz que tem a mesma opinião de Lula sobre o episódio.

    “Nunca houve uma mesada para aliados que se transformava em mensalão. O que havia era uma ajuda de campanha, ou caixa dois.”

    Dos três deputados federais cassados posteriormente no plenário da Câmara por suspeita de envolvimento com o mensalão, um era do PP, o pernambucano Pedro Corrêa.

  • 31jul

    IMPRENSA@FRUET.COM.BR

  • 31jul

    GAZETA DO POVO

    Gravações telefônicas do Ministério Público Estadual (MP), autorizadas pela Justiça, mostram que o secretário estadual da

    Ricardo (esq.) e Silvio Barros: segundo o Ministério Público, interceptações telefônicas mostram ingerência do secretário estadual na prefeitura de Maringá, administrada pelo irmão

    Indústria e Comércio, Ricardo Barros, orientou um secretário da prefeitura de Maringá a fazer um “acordo” entre duas agências de comunicação que disputavam licitação de publicidade da administração municipal no valor de R$ 7,5 milhões.

    O MP investiga suposta fraude na concorrência.

    A Gazeta do Povo teve acesso aos áudios. No dia 18 de outubro do ano passado, Barros conversou com Leopoldo Fiewski (na época, secretário municipal do Saneamento, hoje na Fazenda) e externou a preocupação com os rumos da licitação.

    Diante da notícia de que duas empresas disputavam o certame – a Trade Comunicação, de Curitiba, e a Meta Publicidade, de Maringá –, Barros pediu a Fiewski que fizesse um acordo entre as participantes para que houvesse um entendimento.

    “Eu queria que você promovesse uma conversa dos dois: da Trade com a Meta. (…) Um acordo nisso aí. Tá bom? (…) Veja pra mim se dá pra fazer um entendimento aí o mais rápido possível entre os dois”, diz Barros. Ainda em meio ao diálogo, o secretário estadual afirma: “Quem sabe fazemos uma solução salomônica”.

    Ao final do processo licitatório, a Meta, que desde 2005 tem contrato com a prefeitura e já prestou serviço a campanhas eleitorais do atual prefeito Silvio Barros, sagrou-se vencedora. A Trade não recorreu da decisão, mesmo tendo esse direito. Até agora, a Meta já recebeu mais de R$ 4 milhões do novo contrato de publicidade, que começou a vigorar em janeiro.

    Suspeitas do MP

    As ligações interceptadas, segundo o MP, levantam indícios de possível fraude na licitação, direcionamento do certame e ainda a ingerência de Ricardo Barros nas ações da prefeitura de Maringá, administrada pelo prefeito Silvio Barros – que é irmão do secretário do Indústria e Comércio.

    Ofícios da investigação do MP, aos quais a reportagem teve acesso, assinalam que o secretário exerce “alto grau de influência, comando e autoridade na administração de seu irmão”.

    “A ingerência vai desde conselhos até ordens explícitas de natureza administrativa e de gestão pública, sobretudo no que se refere, em tese, a uma fraude de licitação de publicidade”, avalia o MP.

    Ricardo Barros admitiu à Gazeta do Povo ter “orientado” ações na administração de seu irmão e de atuar, “por vigilância”, em assuntos que seriam do interesse do seu grupo político.

    Um exemplo disso, segundo ele, foi o caso da licitação de publicidade investigada pelo MP. Ricardo Barros assumiu ainda que propôs o entendimento entre as empresas e que o objetivo da sugestão era político: garantir que nenhuma delas desistisse da concorrência, para que a licitação não fosse anulada pelo MP. Sem publicidade, diz, haveria prejuízo político para o grupo que ele comanda em Maringá.

    Investigação

    Os indícios de irregularidades apontados nas conversas interceptadas resultaram na abertura de investigação da Procuradoria-Geral do MP contra Ricardo Barros.

    O caso está sendo apurado pela Procuradoria e tramita no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) porque ele é secretário de Estado e detêm prerrogativa de foro.

    No último dia 20, advogados de Ricardo Barros tentaram trancar a investigação no TJ, mas o pedido foi negado na semana passada. Além da investigação criminal, o MP apura ainda eventual ato de improbidade administrativa cometido por Ricardo Barros.

    Ele nega qualquer tipo de irregularidade e acusa o MP de perseguição política, mas admite exercer poder de influência na prefeitura administrada pelo irmão.

    Os secretários municipais que tiveram conversas gravadas negam que tenham feito qualquer acordo entre as agências de publicidade – ao contrário do que sugeriu Ricardo Barros.

    Mas o titular da pasta da Comunicação Social, Francisco Maravieski, admitiu que se reuniu com um dos sócios da Trade Marketing dois dias após a conversa em que Ricardo Barros sugere o entendimento entre as licitantes.

    Num dos diálogos gravados, Maravieski recebe uma ligação de uma pessoa identificada como Beto, que o MP acredita ser Adalberto Diniz, proprietário da Trade. Beto diz que está hospedado em um hotel ao lado da prefeitura e que precisa conversar com o secretário municipal.

    Os dois combinam um encontro. Segundo Maravieski, porém, na conversa não foi discutida a licitação em andamento.

    Num outro diálogo, entre Maravieski e um homem identificado apenas como Rodrigo, os dois comemoram o fato de duas empresas estarem disputando a licitação. Rodrigo afirma que uma das agências, a Trade Comunicação, é “parceira” de Ricardo Barros.

    Já o secretário Leopoldo Fiewski nega ter acatado a orientação do secretário estadual, apesar de ter dado a entender que promoveria o encontro sugerido por Ricardo Barros, conforme as ligações telefônicas.
    R$ 7,5 milhões é o valor do contrato de publicidade da prefeitura de Maringá que está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual.

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