UOL NOTÍCIAS/TALITA BOROS/CURITIBA

A campanha à Prefeitura de Curitiba registra neste ano uma guerra de panfletos entre os candidatos Luciano Ducci (PSB), prefeito que concorre à reeleição, e Gustavo Fruet (PDT).
As coligações Curitiba Sempre na Frente, de Ducci, e Curitiba Quer Mais, de Fruet, se enfrentam na distribuição de materiais de ataque mútuo desde o início do processo eleitoral.
Até agora, pelo menos cinco folhetos já foram distribuídos aos eleitores.
No início de agosto, a Justiça Eleitoral proibiu a veiculação de um folheto de cada lado.
O primeiro foi distribuído pela coligação de Fruet e reproduzia, sem autorização, reportagem do jornal “Gazeta do Povo” que mostrava uma análise no cumprimento das promessas eleitorais da campanha de 2008, que elegeu Beto Richa (PSDB) e Luciano Ducci (PSB) de vice.
No material, a campanha de Fruet destacou em vermelho partes da reportagem que mostravam o descumprimento das promessas e aspectos negativos da gestão de Ducci.
Em resposta, a coligação de Ducci divulgou uma publicação que lembrava o caso do mensalão e comparava a atuação de Fruet na CPI com sua atual postura de se coligar com o PT. “Quem era inimigo agora virou patrocinador de sua campanha”, afirmava o texto.
O material ainda dizia que Fruet, que “queria ver Lula e petistas na cadeia”, virou “aliado dos amigos de José Dirceu” e exibia uma foto do candidato ao lado de imagens de Dirceu, Marcos Valério, José Genoino, Delúbio Soares e outros réus do mensalão.
Fruet teve forte atuação durante a CPI dos Correios –que investigou o mensalão– quando era deputado (2007-2010).
A liderança da campanha do pedetista entrou na Justiça e conseguiu a retirada do material de circulação. A juíza Adriana Ayres Ferreira estabeleceu multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento.
“No verso da propaganda há frases atribuídas ao candidato dissociadas do contexto em que foram ditas”, afirmou a juíza.
Poucos dias depois, um novo panfleto produzido pela coligação do atual prefeito voltou a circular. Embora lembrasse o anterior, proibido pela Justiça, limitava-se a afirmar que “Gustavo Fruet mudou de lado. Ele agora está com o PT”.
Fruet sempre foi um opositor ferrenho no caso do Mensalão, na época em que era deputado federal pelo PSDB.
Além disso, o material lembrava também a história rejeição que o PT sofre na capital paranaense, que em sete eleições apresentou candidato próprio e não venceu em nenhuma.
Pesquisa Datafolha divulgada quarta-feira (22) aponta um empate técnico entre o candidato do PSC Ratinho Jr. e Ducci, ambos com 27%. Fruet é o terceiro, com 20% .
Propaganda falsa
Agora, na última segunda-feira (27) a distribuição de um panfleto que pregava a ocupação de imóveis em Curitiba, como proposta supostamente defendida por Fruet, gerou polêmica.
A coligação inclusive afirmou que acionará a PF (Polícia Federal) para investigar a propaganda falsa que usava o nome do candidato.
Com o título “Ocupação Já”, o panfleto afirmava que “Gustavo Fruet tem coragem para fazer diferente de tudo o que está aí. E vai contar com o apoio do governo federal, dos movimentos populares e dos vereadores do PT para tornar a moradia um direito de todos”.
O material “forjado”, segundo a assessoria do candidato, usava inclusive o CNPJ da coligação Curitiba Quer Mais e o CNPJ da empresa que produziu o site de campanha de Fruet, além da verdadeira identidade visual da campanha.
O panfleto que defendia a ocupação de prédios foi distribuído no Batel, um dos bairros mais nobres da capital.
Resposta
Nesta quarta-feira (29) um novo panfleto com o título de “Dossiê Coerência” foi distribuído em Curitiba.
O material questiona “e agora, Luciano (ex-Ducci)? Derosso foi cassado, notas fiscais frias na Câmara Municipal de Curitiba, escândalo dos radares, greves dos ônibus, pacientes morrendo nas unidades de saúde. E você não viu nada?”.
Além disso, o panfleto também aponta “ligações suspeitas” do atual prefeito e do governador Beto Richa com o governador de Goiás, Marconi Perillo, e com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
E também cita a Delta, empresa investigada na CPI do Cachoeira, como uma das construtoras da Linha Verde, uma das mais importantes obras viárias da capital, que passa por 22 bairros.
Outro lado
“Infelizmente, nossos adversários adotaram táticas rasteiras, inclusive com produção de panfletos apócrifos, na tentativa de denegrir a imagem de homem público sério construída por Gustavo Fruet ao longo de sua carreira política”, afirmou por meio de nota a coligação “Curitiba Quer Mais”.
A campanha de Fruet informou ainda que “Não produzimos e não produziremos nenhum panfleto apócrifo. Todo material de campanha da coligação Curitiba Quer Mais trata de fatos concretos ou denúncias de corrupção publicadas pela imprensa”.
A coordenação da campanha de Ducci informou que não comentaria a troca de ataques por meio de panfletos.
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