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  • 13nov

    Recebido de Luiz Antonio Ferreira Pereira-Chick Jeitoso

    Bruxo Chik Jeitoso - 33 anos no axé dos pretos velhos

    Bruxo Chik Jeitoso – 33 anos no axé dos pretos velhos

    Estive na manifestação no protesto pela retomada do feriado da Consciência Negra em Curitiba, depois da minha mandinga de repúdio.

    Só faço um ALERTA aos 17 DESEMBARGADORES que estranhamente cassaram o nosso Feriado.

    Dia 28 de Outubro é dia do Servidor Público, porque os SENHORES não vão TRABALHAR neste dia?

    Para mim as 17 canetas significam 17 chicotes sendo dados em nossos lombos, em tempos reais.

    Minha alma dói, meus olhos vertem sangue do racismo velado e da ignorância blindada pelo Judiciário do Paraná.

    Juízes estes que deviam nós defender fazem ao contrário nós condenam ao lixo.

    Nossa Cultura e nossa história está sendo colocada nas valas do esquecimento. Hitler tem mais valor.

    Curitiba Feriado Sim. Dia 20 Consciência Negra “” ZUMBI “

    Contra intolerância Religiosa sou Bruxo Chik Jeitoso é daí?

    Não precisa me tolerar, apenas me respeite.

    Destaco o TEXTO de Mariana Raquel Costa:-

    Por motivos econômicos a Associação Comercial do Paraná e o SINDUSCON-PR, ( “” FIEP “”defendendo em silêncio ) pediram o cancelamento do feriado municipal do dia da Consciência Negra em Curitiba, que foi concedido pelo Tribunal de Justiça do Estado.

    Por motivos econômicos, por mais de trezentos anos os negros foram sequestrados de suas terras, comercializados e coisificados.

    Também por motivos econômicos, há exatamente 125 anos, quando a mão-de-obra escrava já não interessava ao sistema capitalista em desenvolvimento, os negros foram libertados e deixados a sua própria sorte.

    Ainda por motivos econômicos, os negros engrossam até hoje as favelas brasileiras, compõem a parcela mais pobre da população, possuem os empregos mais precarizados, recebem os menores salários, compõem mais de noventa por cento da população carcerária do Paraná, ocupam menos cadeiras nas universidades e menos espaços de poder.

    Não sei por que, mas para mim os tais motivos econômicos citados pela ACP, se confundem com o racismo tão profundamente enraizado no Brasil. O racismo que também é institucional, o racismo que nos persegue e faz parte da nossa história.

    Aqueles que são contra o feriado, afirmam que a decisão pautou-se numa certa igualdade, afinal, se houver feriado para os negros será preciso garantir um feriado para os alemães, para os poloneses e assim por diante.

    Mas já não basta todo dia ser dia de branco? Todos os parques construídos em memória da sua história?

    Não basta que as crianças negras sejam perseguidas pela história eurocêntrica, que é incapaz de incluir a África em outro contexto que não seja o da escravidão?

    Não basta que a cidade esteja repleta de estátuas dedicadas aos seus heróis? Que desses heróis muitos deles foram bandeirantes, ou governantes responsáveis por manter nossa condição?

    Que as personalidades negras que fizeram história sejam renegadas ao esquecimento? Não basta que o herói do meu dia, tenha sido morto pelos heróis da sua história? Não, não basta!

    É preciso ridicularizar o dia da Consciência Negra, ridicularizar a nossa luta diária pela sobrevivência.

    É preciso menosprezar nossa cultura, demonizar as religiões de matrizes africanas, rir dos nossos fenótipos em programas de humor, propagar que nosso único talento é sambar e jogar futebol, negar a nossa beleza, adjetivar nosso cabelo como sendo ruim, defender um estereótipo de suspeito padrão cuja principal característica do bandido seja a pele escura.

    É preciso matar jovens negros todos os dias, em nome da justiça e do combate ao tráfico, é preciso, é necessário diminuir para governar.

    Mas não somos inocentes, não é de hoje que conhecemos a verdade.

    Nós sabemos que não somos representantes do imaginário curitibano de capital europeia do Brasil, que somos a história que Curitiba quer esquecer.

    Nós sabemos que somos o único povo que não ilustra o mural da câmara municipal que retrata as etnias que construíram Curitiba.

    Que nossa história em Curitiba é negada todos os dias, como se mãos negras não tivessem construído a igreja do Rosário, como se os irmãos Rebouças não tivessem construído a estrada de ferro.

    Nesse sentido, cancelar o feriado municipal da consciência negra, significa negar mais uma vez a nossa importância na construção de Curitiba. Renegar mais uma vez a nossa história a invisibilidade.

    Chega de negação!

    Não tirem das crianças negras o direito de conhecer sua história, de encontrar suas origens, sua ancestralidade.

    De não ter que chegar a idade adulta para construir a sua identidade racial, mas aprender cedo que não há vergonha na sua ancestralidade, mas pelo contrário, que a sua descendência é a resistência, de tantos homens mulheres que lutaram pela liberdade e pela igualdade.

    Em 20 de novembro de 1695, Zumbi dos Palmares foi morto e decapitado pelos bandeirantes.

    Fato comemorado pela coroa, que determinou que sua cabeça fosse exposta em praça pública.

    Em novembro de 2013, em Curitiba, julgam os senhores do comércio que irão comemorar, mais uma vez, a cabeça de Zumbi exposta em praça pública.

    Eu digo que este ano não. Este ano Zumbi será ressuscitado em Curitiba.

    Publicado por jagostinho @ 17:25



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